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Economia

FMI prevê queda de 1% da economia brasileira em 2015

A equipe econômica pretende que o superávit primário – economia de recursos para pagar os juros da dívida pública – chegue a 1,2% do PIB, em 2015, e a pelo menos 2% ao ano, a partir de 2016

Publicado em 10/04/2015 às 19:27

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu as projeções para a economia brasileira em 2015. Em documento divulgado hoje (10), o órgão estima que o Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país) cairá 1% neste ano, ante projeção anterior de crescimento de 0,3%. O FMI, no entanto, elogiou o ajuste fiscal prometido pela equipe econômica.

Para 2016, o fundo prevê crescimento de 0,9%, menos que a estimativa de 1,5% apresentada anteriormente. As projeções constam da revisão do Artigo 4 de Consulta com o Brasil, documento elaborado após a visita anual dos técnicos do FMI ao país. Os números servem de subsídio às discussões do quadro de diretores do órgão.

Além de revisar para baixo as projeções para o PIB, o FMI elogiou o ajuste fiscal prometido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. A equipe econômica pretende que o superávit primário – economia de recursos para pagar os juros da dívida pública – chegue a 1,2% do PIB, em 2015, e a pelo menos 2% ao ano, a partir de 2016.

Para o FMI, caso seja bem sucedido, o ajuste fiscal ajudará o país a fortalecer as políticas macroeconômicas e recuperar a credibilidade perante os investidores privados. “A implementação determinada dessas medidas devem ajudar a restaurar a confiança e promover a recuperação do crescimento e do investimento no tempo devido”, destacou o documento.

A desaceleração da economia brasileira nos últimos anos, avalia o fundo, é resultado do esgotamento do modelo de estímulo ao consumo, promovido pelo crescimento da renda dos trabalhadores e pelo cenário internacional favorável durante boa parte da última década. A deterioração do ambiente de negócios e a queda do preço das commodities (bens primários com cotação internacional), principal tipo de produto exportado pelo Brasil, pioraram as perspectivas para o país.

“O investimento tem sido lento, refletindo a erosão da competitividade, a piora do ambiente de negócios e os baixos preços das commodities. O consumo também arrefeceu, apesar de fortes ganhos salariais, enquanto a criação de empregos parou e as condições financeiras ficaram mais apertadas, afetando a renda doméstica das famílias e a confiança dos consumidores”, ressaltou o FMI.

Em relação à alta da inflação, o documento considera que a liberação de preços administrados, principalmente energia e combustíveis, que ficaram controlados nos últimos anos, provocou o movimento. A desvalorização do real nos últimos meses também contribuiu para o aumento dos preços.

Na próxima semana, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, participará da reunião de primavera do FMI, em Washington. Além de defender o aumento da participação dos países emergentes nas cotas do organismo internacional, o ministro aproveitará a viagem para defender o ajuste fiscal e promover as concessões de infraestrutura a investidores estrangeiros. Segundo o Ministério da Fazenda, está previsto um encontro privado entre Levy e a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde.

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