Ruínas do Abarebebê: Primeira igreja de Peruíbe do século XVI

A então aldeia de São João Batista cresceu ao redor da igreja Consagrada Nossa Senhora da Conceição, hoje Ruínas do Abarebebê

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03 MAR 201300h56

Entre belezas naturais da Mata Atlântica, no Litoral Sul, a riqueza histórica do povoado que deu origem a cidade de Peruíbe, que celebra neste domingo, 48 anos de emancipação político-administrativa. A então aldeia de São João Batista cresceu ao redor da igreja Consagrada Nossa Senhora da Conceição, hoje Ruínas do Abarebebê.

As  ruínas da igreja — construída por jesuítas e franciscanos, no século XVI, período colonial do Brasil — são um dos principais pontos turísticos de Peruíbe. O monumento é chamado de Ruínas do Abarebebê em reverência ao padre Leonardo Nunes, um dos primeiros jesuítas a se estabelecer no aldeiamento e a ministrar os primeiros batizados, casamentos, entre outros sacramentos na igreja. O jesuíta, em sua missão de catequizar os índios, passou a ser chamado de Abarebebê — ‘padre voador’, em tupi guarani — pois, segundo relatos da época, ele se locomovia muito rápido de um lugar ao outro.

O monumento, tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico e Artístico (CONDEPHAT), está sendo revitalizado para fins de exploração turística e cultural, desde 1999, quando a Prefeitura, por meio do Departamento de Cultura, deu início a musealização das Ruínas, resgatando assim a memória de uma das primeiras igrejas da Região. “Desde então o processo inclui uma série de atividades. Desenvolvemos projetos a cada dois anos”, explicou a diretora da Departamento de Cultura de Peruíbe, Fátima Cristina Pires, coordenadora do processo de musealização.

No sítio arqueológico das Ruínas foi erguido um museu, inaugurado em 2004, que recepciona exposições e apresentações teatrais. Fátima destacou o trabalho desenvolvido juntos as professora da rede de ensino para passar aos alunos o conhecimento histórico das Ruínas.

Contudo, ao longo de quatro séculos, as ruínas sofreram mudanças que culminaram na sua decadência. No início do século XIX, a igreja foi pela Ordem Fransciscana, por pressão dos índios até sua importância histórica ser recuperada na telas do ilustre pintor Benedicto Calixto, na primeira metade do século XX. Já nos anos 70, outro artista, Sá e Faria, pintou a igreja, como supostamente ela seria no século XVI, a partir de estudos da Universidade de São Paulo (USP).

Baseado nas obras de Calixto e Sá e Faria, o artista plástico Luís Carlos Farias, tornou a retomar a memória deste patrimônio, pintando-o em três momentos de sua história, em 2004.  Três painéis, em exposição no museu, mostram a igreja desde sua construção às ruínas. “Fui convidado pela Cultura para fazer esse trabalho, pesquisando a história das ruínas e me sinto honrado por contribuir com a história da Cidade”, declarou.

As ruínas do Abarebebê são abertas à visitação pública, das 9 às 17 horas, menos às terças-feiras. Aos sábados, abre das 10 às 18 h. A entrada custa R$ 1. Crianças, idosos e escolas públicas, não pagam. O endereço é Rua Ana Helena Novaes, s/nº, no bairro Ruínas. Já a pia bastismal que pertence às ruínas, que ficava no batistério, está em exposição no Paço Municipal, à rua Nilo Soares Ferreira, 50, no Centro. Mais informações pelo telefone (13) 3454-1215.