Vítimas do acidente que matou Eduardo Campos serão indenizadas, diz PSB

A informação foi divulgada nesta quinta-feira (28), pelo coordenador do comitê financeiro da campanha de Marina Silva (PSB) à Presidência da República, Márcio França

Comentar
Compartilhar
28 AGO 201418h56

Com conteúdo Estadão Conteúdo

“O pagamento da indenização será feito ou pelo seguro do avião ou pelo próprio PSB”. A afirmação é do coordenador do comitê financeiro da campanha de Marina Silva (PSB) à Presidência da República, Márcio França. Dezenas de moradores de Santos, onde o jato caiu, sofreram ferimentos e tiveram de ser socorridos em hospitais. Outros tiveram de sair de suas casas.

Na última quarta-feira, dia 27, o advogado Antonio Campos, irmão do ex-governador, visitou as famílias cujas casas foram atingidas pelo acidente aéreo de 13 de agosto. Antonio disse que é importante descobrir quem são os donos da aeronave para que o processo de responsabilização seja feito. Ele se colocou à disposição para ajudar os donos dos imóveis a buscar o ressarcimento dos prejuízos. “Vamos juntar esforços para trabalhar no sentido de reparar os danos das seis casas”, afirmou. O advogado negou que tenha oferecido pagamento de indenização para os moradores. “Eduardo é mais uma vítima”, justificou.

Uma forte polêmica envolve o jato. Ele pertence à AF Andrade, empresa de Ribeirão Preto que está em recuperação judicial. De acordo com o PSB, o avião era de dois empresários e tinha sido locado para a campanha presidencial. “O Eduardo Campos contratou a aeronave e voou nela. Não sei se o contrato foi oneroso ou não. Isso nós vamos apurar”, disse França. “Essa montanha vai parir um rato, tenho certeza disso”, afirmou ainda.

No acidente morreram o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, quatro assessores e os pilotos (Foto: Matheus Tagé/DL)

O acidente

O avião Cessna Citation 560 XL, prefixo PR-AFA, onde estavam a bordo o então candidato à Presidência da República, Eduardo Campos (PSB), mais quatro assessores, o piloto e co-piloto caiu entre seis casas no bairro do Boqueirão, às 9h50 do último dia 13. Não houve sobreviventes.

A aeronave caiu sobre imóveis situados na Rua Alexandre Herculano, na esquina com a Rua Vahia de Abreu.

Ao menos dez pessoas tiveram ferimentos, mas sem risco de morte, e moradores tiveram só prejuízos materiais.

Força Aérea não confirma drone

“Até o momento, não há qualquer evidência que aponte para colisão da aeronave PR-AFA contra algum tipo de objeto”, informou a Força Aérea Brasileira (FAB), ontem, em nota encaminhada ao Diário do Litoral, respondendo sobre a possibilidade de um drone da Aeronáutica ter sido a causa do acidente aéreo do dia 13 de agosto.

Após visita ao Ministério Público Federal (MPF), Antonio Campos contou que a possibilidade de um drone meteorológico da Aeronáutica ter causado a queda da aeronave se tornou “uma das linhas mais fortes da investigação” em andamento. Ele foi informado que um aparelho do gênero está desaparecido, que havia alerta para o uso de drones na região no dia do acidente e que há imagens circulando na internet que comprovariam que o equipamento esteve no ar naquele dia. “A possibilidade é real e não está descartada”, revelou.

Já a FAB explica que foi realizada solicitação de área reservada para voo de VANT (veículo aéreo não tripulado), entre os dias 11 e 31 de agosto. “O NOTAM que se refere a esta demanda foi emitido para uma área situada a 19,5 km do aeródromo de Santos, bem distante da possível trajetória realizada pelo PR-AFA (avião de Campos) no dia 13 de agosto. Segundo o solicitante, nunca foi realizado voo com a aeronave até a data do acidente”, informou.

A reportagem do Diário do Litoral contatou o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronaúticos (Cenipa), órgão ligado à Aeronáutica, mas não obteve respostas até o fechamento desta edição. O Ministério Público Federal também foi contato, mas informou que prefere não se manifestar sobre detalhes do inquérito porque as investigações ainda estão em curso.

Donos afirmam à Polícia Federal que Campos testou aeronave

Os donos da holding AF Andrade, de Ribeirão Preto (SP), confirmaram na última terça-feira, dia 26, em depoimento à Polícia Federal que o ex-candidato à presidência pelo PSB, Eduardo Campos, testou o jato Cessna Citation 560 XLS no dia 8 de maio. No dia seguinte, o empresário pernambucano João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho, que havia se apresentado como comprador, comunicou aos vendedores que ficaria com a aeronave — avaliada em US$ 8,5 milhões.

O negócio foi fechado por João Carlos Lyra por meio de um pré-contrato informal entre as partes, apresentado por ele. Nos depoimentos, os irmãos Alexandre e Fabrício Andrade declararam que o pernambucano dizia que outros dois empresários eram seus sócios na compra: os pernambucanos Apolo Santana Vieira e Eduardo Freire Bezerra Leite.

Donos oficiais do Cessna Citation, os irmãos Andrade contaram à PF que foi João Carlos Lyra que sempre esteve à frente da compra com a ASA Consulting (corretora da venda) e com a Cessna Finance Export (detentora dos direitos econômicos).
Como condição, ele pediu um teste, antes de quitar as dívidas da AF Andrade referente a cinco parcelas atrasadas da compra da aeronave e disse que queria assumir a titularidade do leasing com a Cessna.

O teste foi aprovado e marcado para o dia 8. De Congonhas, o jato partiu com o ex-governador para Uberaba (MG), com o piloto da AF Andrade, Fabiano Peixoto. No dia, Campos visitou a 80ª Expo Zebu, em agenda de pré-campanha.

Os sócios da AF afirmaram também que após o teste o pré-contrato foi assinado no dia 15 de maio. O documento previa que eles usariam a aeronave enquanto era providenciada a transferência de titularidade do leasing e que o jato poderia ser devolvido em 30 dias.

Passado o prazo, João Carlos Lyra confirmou em reunião em julho que ficaria com o jato. Além das cinco parcelas atrasadas, os sócios da AF disseram à PF que as que venceram nos dias 30 de maio, junho e julho foram pagas pelo comprador. Os empresários pernambucanos também assumiram o pagamento do seguro.

A PF tem já os registros de depósitos feitos pelo grupo pernambucano. Eles indicam que João Carlos Lyra usou empresas fantasmas e sem lastro financeiro para quitar o negócio.

Marina Silva pode vir à Santos no dia 13

A candidata à Presidência da República pelo PSB, Marina Silva, pode vir à Santos um mês após a tragédia que matou o antigo companheiro de chapa. A informação foi passada pelo presidente do partido Pátria Livre (PL) e candidato à deputado federal Miguel Manso, que esteve na redação do DL na tarde de ontem. Manso confirmou a vinda da presidenciável com o coordenador da campanha presidencial de Marina Silva, Walter Feldman. Além de cumprir uma agenda de campanha, a presidenciável pode participar de uma missa campal no local do acidente.

Na última quarta-feira, dia 27, em entrevista ao Broadcast Ao Vivo, Feldman afirmou que o grupo da Rede Sustentabilidade acompanha com “muita atenção” as investigações em relação ao jatinho que era usado por Eduardo Campos, mas que tem confiança no PSB e no candidato que morreu no acidente aéreo. “Acreditamos absolutamente na dignidade e na correção do querido Eduardo Campos”, disse.

Questionado sobre como era o acompanhamento, pela Rede, do uso da aeronave antes do acidente que vitimou Campos, Feldman isentou Marina e as pessoas que compõem o projeto de partido de responsabilidade sobre a gestão dos recursos de campanha até então. “Todo comando era feito pelo PSB, pelo comitê financeiro, no qual não havia uma presença efetiva por parte da Rede”, afirmou, justificando que o grupo tinha clareza e “humildade” do então papel de vice na chapa.