Usina de asfalto volta a ser discutida em sessão da Câmara

Vereadores falam contra a venda de equipamento e a favor da manutenção do emprego pela companhia

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20 JUN 2017Por Diário do Litoral10h00
Discurso dos parlamentares variaram entre a defesa do emprego, a manutenção da usina e críticas às indicações de cargos políticos, além de citar a concorrência deslealFoto: Matheus Tagé/DL

A Progresso e Desenvolvimento de Santos (Prodesan) voltou a ser tema de debate na Câmara de Santos, na sessão de ontem. Com a presença de funcionários da empresa nas galerias do Legislativo, um grupo de vereadores novamente defendeu a manutenção de empregos e foi contrário à venda da usina de asfalto da empresa.

Em audiência pública realizada em 21 de março, o então presidente da companhia, Odair Gonzalez, informou que o terreno onde se encontra a usina seria vendido para quitar uma dívida de R$ 63 milhões que existe entre a empresa e a Prefeitura de Santos.

Um dos parlamentares que encabeça a luta pela manutenção do equipamento, Fabrício Cardoso (PSB) rechaçou a possibilidade de venda. “Eu nem questiono isso, juro por Deus, isso não pode ser sequer cogitado. Acho que todas as cidades estão com outro conceito. Guarujá está adquirindo uma usina própria. A gente não pode sequer cogitar a venda dessa usina”.

Cardoso sugeriu que se faça uma conta e se abata, do valor que a Prodesan deve a Prefeitura, aquilo que a Administração Municipal tem de dívida com a companhia. “Eu questiono qual a dívida da Prodesan. Mas qual é a dívida do município com a Prodesan? Aí podemos fazer o abatimento de uma com a outra. Ao invés de fazer a demissão em massa, em vez de vender a usina... Tem terreno para vender? Tem. Tem a Rodoviária, tem o prédio que está sendo utilizado pela Terracom. Tem outros próprios que podem ser vendidos para quitar. Agora, com relação a empresa, pelo amor de Deus, a gente tem parar e valorizar tanto a mão de obra, que é totalmente técnica, quando a empresa em si. O nome da Prodesan. A gente não pode aceitar que tudo seja passado para empresas ­particulares”.

O vereador também sugeriu a demissão de cargos de indicação política para a manutenção do quadro de funcionários existente. “Temos que fazer uma gestão e uma economia. O que tem que ser feito? Tem que pegar lá, procurar. Sei que o Tribunal de Contas já bateu em cima, mas a gente vai de novo. Quer fazer uma economia, ao invés de mandar quem mais precisa embora? Vai lá e manda aquele monte de assessor que tem lá indicado por vereador, por prefeito, por Poder Executivo. Manda embora. A gente tem que deixar quem trabalha”.

Cabide

Benedito Furtado (PSB) colocou toda a estrutura do partido à disposição de Cardoso e fez críticas mais duras quanto aos cargos de indicação políticas em empresas públicas ­municipais.

“Nós precisamos, definitivamente, passar a limpo a Prodesan. Não só a Prodesan. A Prodesan, a Cohab e a CET são verdadeiros cabides para montar essa máquina eleitoral que foi montada em Santos, que a cada eleição manipula, deita e rola pagando salários absurdos para alguns aspones que só tem, por finalidade, manter a máquina eleitoral. Nós precisamos acabar com isso. São centenas de aspones enfiados nessas empresas e precisamos passar isso a limpo”.

O vereador também citou que o ex-presidente Odair Gonzalez deixou a empresa para não ter “o peso nas costas” em demitir 200 funcionários e de vender a usina de asfalto.

Temor pelo fim

Já a vereadora Telma de Souza (PT) relembrou da Prodesan na época em que foi prefeita de Santos. Ela destacou o trabalho feito pela empresa e fez um apelo para que a usina não seja vendida. Na visão da petista, isso seria o início do fim para a Prodesan.

“Quero dizer ao chefe do Executivo que não destrua a Prodesan. O começo é a usina de asfalto. Como diz essa faixa acima de mim, não se vende uma usina que tem uma licença ambiental que é quase bilionária de tão cara. Para defender a nossa usina, o que ela produz, mas para defender principalmente os trabalhadores da Prodesan, é que eu faço esse apelo para que a Prefeitura e o senhor prefeito se debrucem sobre essa situação”.

Concorrência

Mais cético, o vereador Braz Antunes (PSD) disse não acreditar que a Prodesan possa fechar. No entanto, o parlamentar ressaltou que a concorrência tem sido um problema. “Eu tenho certeza que a Prodesan não vai fechar. Tem um que geralmente esquecem de falar que é a concorrência. Estamos aqui defendendo os funcionários, o posto de trabalho porque, depois da saúde, é o emprego que mais vale na nossa vida.

Família, claro, mas o que dá dignidade para a pessoa é a moradia e o emprego. A Prodesan concorre, muitas vezes, em condições de desigualdade. Uma brita que se vai comprar em uma empresa que fatura uma nota fiscal mais baixa, na Prodesan tem que ser tudo preto no branco. A Prodesan acaba padecendo de uma concorrência desleal. Isso é bom que se diga para que se defenda uma empresa que sempre foi um marco nessa cidade e tenho certeza que vai continuar sendo”, afirmou.

Na mesma linha de pensamento, Chico Nogueira (PT) citou a concorrência, mas destacou que o material pode ser mais barato, mas não tem a mesma qualidade. “O asfalto que você paga, pode ser até um pouco mais barato se tiver concorrência, mas não é de qualidade. Faz um recapeamento agora e daqui há três meses estão recapeando novamente porque não dura. O custo é alto porque tem qualidade e presteza dos trabalhadores. Não podemos deixar eles saírem do nosso ­município”.

Um exemplo

Em tom saudosista, Manoel Constantino (PSDB) destacou que a empresa sempre foi um exemplo.

“Conheço a Prodesan desde que cheguei do Nordeste, há mais de 60 anos, e essa empresa sempre deu exemplo. A usina de asfalto funcionava, inclusive, na Zona Noroeste. Foi transferida da Zona Noroeste para a Alemoa, num lugar que não implica nada. Só traz satisfação porque faz o asfalto que melhora nossas vias públicas e para nós não tem uma empresa melhor que a Prodesan na nossa cidade”.