"Sucessor de Bento XVI não deve vir de país emergente"

A opinião é do especialista em assuntos do Vaticano, o americano Kevin Eckstrom.

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12 FEV 201314h39

A possibilidade de a vaga deixada pelo papa Bento XVI –  que anunciou ontem (11) que renunciará no dia 28 de fevereiro – ser ocupada por um candidato de fora da Europa existe, mas enfrenta forte resistência da máquina administrativa da Igreja Católica. A opinião é do especialista em assuntos do Vaticano, o americano Kevin Eckstrom.

Segundo ele, apesar de o Vaticano ter feito seguidos esforços de internacionalização, nomeando nos últimos anos cardeais de vários países emergentes, o sucessor do atual pontífice precisaria passar pelo aval da Cúria Romana, dominada por europeus, o que reduziria as chances de um cardeal que não tenha nascido no continente, como um latino-americano ou um asiático.

"As chances de que o novo papa seja de fora da Europa são boas, mas seria preciso primeiro convencer a Cúria", diz  Eckstrom. A Cúria, que significa "corte" em latim, é o órgão administrativo da Igreja Católica, responsável por zelar pelo bom funcionamento da máquina burocrática do Vaticano e que dá assistência ao papa em suas funções.

Eckstrom acredita que o italiano Angelo Scola, de 71 anos, atual arcebispo de Milão, segue favorito na lista de sucessão. Correndo por fora, na sua avaliação, estaria o americano Timothy Dolan, de 62 anos, que se tornou a principal voz do catolicismo nos Estados Unidos depois de ter sido nomeado arcebispo de Nova York em 2009.

Bento XVI anunciou ontem (11) que renunciará no dia 28 de fevereiro (Foto: Divulgação)

O professor de teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Paulo Fernando Carneiro de Andrade, concorda e lembra que a definição dos critérios para a escolha do novo pontífice é complexa. "A escolha do novo papa não necessariamente leva em conta o tamanho da população católica do país de onde ele vem", diz.

"O perfil buscado tem mais a ver com a capacidade de saber convergir os interesses da Cúria e, assim, garantir um bom funcionamento da Igreja Católica", acrescenta. Nesse sentido, Andrade lembra que, embora o Brasil tenha a maior população católica do mundo, a importância geopolítica do país é inferior à de regiões onde a expansão do catolicismo tem sido foco de atenção da cúpula do Vaticano.

"A Igreja Católica tem olhado com bastante atenção o crescimento da população católica na Ásia e na África", lembra. Para ele, um indicativo de que as chances de um novo pontífice não europeu aumentaram veio no fim do ano passado quando, "surpreendentemente", o Vaticano nomeou cinco novos cardeais, sendo quatro deles de países emergentes.