Situação de usina mobiliza trabalhadores da Prodesan

Funcionários de Santos falam de sucateamento. Já Válter Suman pensa em ativar usina em Guarujá

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20 JAN 2017Por Carlos Ratton08h00
Trabalhadores da Usina de Asfalto cobram uma definição da Prefeitura de Santos e alegam que equipamento poderia gerar recursos para a cidadeFoto: Matheus Tagé/DL

Grande parcela dos 110 funcionários da Usina de Asfalto da Progresso e Desenvolvimento de Santos – Prodesan quer uma definição da Prefeitura de Santos sobre a possível venda do equipamento que há 43 anos opera na cidade.

A possibilidade foi anunciada em dezembro último pelo prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) durante a apresentação de um plano de contenção de despesas para este ano, sob o argumento da necessidade de obter recursos para equilibrar as contas públicas.

Ontem, uma comissão de funcionários resolveu denunciar a situação em frente à usina. O grupo quer uma resposta definitiva do presidente da Prodesan, Odair Gonzalez, e do prefeito sobre a questão, pois os profissionais estão trabalhando apreensivos.

Além disso, a comissão denuncia que a usina vem, há meses, sendo sucateada e produzindo aproximadamente 5% do total que deveria, enquanto a massa asfáltica é comprada de empresas de fora da cidade.

“O que farão com a gente? Em 2013, produzimos 5,4 mil toneladas mês. Em 2015, nos deparamos com um sucateamento bravo da usina e, agora, em 2017, fala-se em venda do um equipamento que tem capacidade de produzir até 700 toneladas de asfalto por dia. Estamos apreensivos sobre nosso futuro. Sequer podemos abrir um crediário”, afirma Wagner Costa.

Marco Antônio Silva de Almeida não se conforma com a compra de material de outra cidade. “Se você tem capacidade de produzir, por que comprar asfalto de terceiros? Tem que valorizar o servidor. Se reclamamos, somos repreendidos. Estamos produzindo entre 25 e 30 toneladas por dia. Bem menos da capacidade máxima.
Isso vem ocorrendo ano a ano. Estamos sem material, temos caminhões velhos e máquinas sem condições de uso. Um abandono total e desperdício de dinheiro público”, afirma.

Os funcionários alertam que pela localização privilegiada - Avenida Vereador Alfredo das Neves, na Alemoa – a usina poderia fornecer massa asfáltica para outras cidades da Região Metropolitana da Baixada Santista, gerando lucros para Santos.

“No entanto, a Prefeitura de Santos está comprando massa asfáltica de outra usina”, afirma José Carlos da Cruz.                

Ativos

No final do ano passado, o prefeito anunciou a possível venda de ativos, que inclui áreas e imóveis da Prefeitura. A iniciativa pode injetar R$ 100 milhões no caixa do município e será somada aos R$ 90 milhões de economia previstos com o pacote de redução de gastos. Parte do montante deve ser utilizado no pagamento de dívidas com fornecedores, calculadas em R$ 120 milhões.

“Estamos fazendo um banco com o cadastro dos principais ativos da Prefeitura. Vamos vender os ativos não utilizados e subutilizados que podem ser disponibilizados ao mercado sem prejuízo algum ao serviço público. Importante que se diga que não há ativo a ser negociado que tenha algum tipo de prestação de serviço. Temos a meta de atingir R$ 100 milhões com a venda desses ativos”, afirmou Barbosa.

Prefeitura

Procurada ontem, a Prefeitura de Santos, por intermédio da assessoria de imprensa, não descartou a possível venda. “A empresa, como todos os setores da Prefeitura, passa neste momento por um processo de redução de custos. A venda da área da Usina de Asfalto foi uma possibilidade sob análise, mas não há decisão tomada a respeito”, explicou em nota.  

Sobre a compra de massa asfáltica em outra empresa, a Prefeitura informa que não deixou de comprar da Prodesan. Porém, em função da crise econômica, diminuíram os serviços de pavimentação com recursos próprios na cidade (obras que eram as maiores fontes de fornecimento do asfalto da empresa).

“Serviços de manutenção de vias, por exemplo, continuam sendo realizados com a massa asfáltica adquirida da Prodesan”, finaliza a nota oficial.

Guarujá pode reativar usina de asfalto

Enquanto a Administração de Santos quer vender usina para minimizar crise, Guarujá quer reativar equipamento para criar oportunidade e enfrentar a crise.

Ontem, por exemplo, ao mesmo tempo que os funcionários da Prodesan estavam revelando seus destinos incertos, o prefeito de Guarujá, Válter Suman, estava visitando a usina desativada em sua cidade.

Ele postou uma foto nas redes sociais com assessores na área onde funcionou o equipamento. Em sua página no Facebook, Suman destacou a iniciativa, que se mostra estratégica em tempos atuais de crise. “Estive hoje (quinta-feira) visitando a desativada usina de asfalto. Precisamos reativar esse equipamento para cooperar e reduzir custos no cuidado com a cidade”, disse o prefeito.

Procurado, ele informou, por sua assessoria de imprensa, que dentre todas as diretrizes de sua administração para reduzir custos e otimizar os equipamentos públicos está o resgate do equipamento, que foi muito importante para Guarujá.

“Ao reativar a usina, o prefeito tem como objetivo reduzir custos com a compra desse material e, ao mesmo tempo, promover a geração de emprego e renda no município”, revela em nota.