Pão e leite mais caros na mesa do brasileiro

O arroz e o açúcar também têm valorização dos preços, mas economista diz que consumidor pode adotar critério de compra evitando perdas no orçamento

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17 JAN 201309h42

Chuvas, entressafra, baixa na produção. Os fatores são diversos, mas o reflexo é um só: produtos mais caros nas prateleiras. O bolso do consumidor deverá continuar pesando, pois além do açúcar, do arroz e do leite, o preço do pão francês, vendido por quilo, tem variação de até 90%, no país. 

Em São Paulo, nos últimos quatro anos, a venda a quilo elevou o preço em quase 13%. Hoje os preços variam entre R$ 4,20 a R$ 7,90. Em Salvador, a variação do preço do quilo do pão francês é maior, de R$ 3,99 a R$ 9,30.

Já o leite e o arroz, que também estão mais caros para o consumidor final devem continuar pressionando a inflação dos próximos meses, segundo afirmação do coordenador do Índice de Preços ao consumidor (IPC-Fipe), economista Antônio Evaldo Comune.

A valorização do preço de um dos principais alimentos da mesa do brasileiro, o leite, deverá perdurar até agosto, segundo perspectiva do vice-presidente de comunicação da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Martinho Paiva Moreira. "O litro (leite longa vida) poderá custar até R$ 1,99 em maio, e o preço deverá ser mantido até agosto”. O preço praticado hoje é de cerca de R$ 1,59. A entressafra é a causa da alta do preço do leite, conforme observou Moreira.

É a primeira alta nos preços do leite depois de cinco meses de quedas consecutivas. Já a alta do preço do arroz se deve aos prejuízos nas plantações causados pelas chuvas. "Se eu fosse o governo, já começaria a importar arroz antes que os preços disparem", disse o economista da Fipe.

O preço do açúcar subiu de janeiro para fevereiro quase 10%, o que pode ter reflexo até nos preços dos ovos de Páscoa, entre outros alimentos industrializados. Mas, a saída para o consumidor comprar os alimentos, minimizando o impacto no seu orçamento, é fazer uma adequação do seu hábito de consumo. “Para o dinheiro render, o consumidor deve procurar comprar produtos de época e os que têm preço melhor, equilibrando os gastos”, a afirmação é do coordenador de pesquisa do Núcleo de Pesquisas e Estudos Socioeconômicos (NESE), economista Jorge Manuel de Souza Ferreira.

Além disso, segundo Jorge Manuel, na lei da oferta e da procura vale o preço que o consumidor aceitar. A queda na oferta de um produto no mercado faz com que seu preço encareça. Então, enquanto tiver gente comprando, o preço tende a ficar alto, podendo até disparar. “O consumidor precisa adotar um critério porque tem um poder muito grande”. Jorge Manuel explica que se um produto que está caro não tiver procura, o mercado tende a baixar o preço para que consiga vender, ou então adotará equilibrará os preços de seus produtos, barateando outros artigos.