Netanyahu contesta acordo nuclear com Irã ao falar no Congresso dos EUA

O primeiro-ministro de Israel também alertou para o risco de uma “corrida nuclear no Médio Oriente”

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03 MAR 201517h37

O primeiro-ministro de Israel contestou hoje (3), em Washington, o acordo que o presidente norte-americano, Barack Obama, pretende concluir até o fim de março sobre o programa nuclear iraniano, denunciando que Teerão representa uma “ameaça para o mundo inteiro”.

“Meus amigos, durante mais de um ano disseram-nos que nenhum acordo era preferível a um mau acordo. Esse é um mau acordo, o mundo estará melhor sem ele”, declarou Benjamin Netanyahu, ao discursar no Congresso dos Estados Unidos

Netanyahu, um intransigente opositor das negociações sobre o programa nuclear iraniano, também alertou para o risco de uma “corrida nuclear no Médio Oriente”. “Um acordo que pretende impedir uma proliferação terá um resultado contrário, uma corrida ao armamento nuclear na região mais perigosa do mundo”, disse. “O regime iraniano representa uma grande ameaça para Israel, mas também para a paz no mundo inteiro”, completou o primeiro-ministro israelense, que foi aplaudido de pé, por diversas vezes, pelos congressistas presentes.

A intervenção de Netanyahu foi, no entanto, marcada pela ausência de mais de 50 parlamentares democratas que decidiram, em uma situação sem precedentes, boicotar o discurso do governante israelense.

Ao mesmo tempo em que Netanyahu discursava no Capitólio, os chefes da diplomacia norte-americana e iraniana, John Kerry e Mohammad Javad Zarif, respetivamente, negociavam na Suíça um possível regulamento definitivo para a supervisão do programa nuclear do Irã. A aplicação de novas sanções é rejeitada pela Casa Branca, que receia que a medida possa abalar as negociações internacionais.

O primeiro-ministro de israel está em Washington desde domingo (1º) para contestar e denunciar o acordo que o Grupo 5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha) e o Irão pretendem fechar até 31 de março. Ele espera que o Congresso norte-americano, atualmente controlado pelos republicanos, vote a favor de novas sanções contra o regime de Teerão. “Um acordo com o Irão não vai impedir a produção de bombas atômicas. Na verdade, [o Irão] poderá adquirir e produzir mais”, alertou.

A presença de no Congresso foi vista como um desafio a Barak Obama, que não foi informado com antecedência sobre a visita. O primeiro-ministro de Israel foi convidado pelo presidente da Câmara dos Representantes (Câmara Baixa do Congresso), o republicano John Boehner.

Em meados de janeiro, a Casa Branca anunciou que Obama não iria se reunir com Netanyahu, justificando a decisão com a proximidade das eleições em Israel, agendadas para 17 de março. No início do discurso, Netanyahu agradeceu a Obama pelo seu apoio a Israel. “Algumas das coisas que o presidente tem feito por Israel nunca serão conhecidas por serem questões sensíveis e estratégicas”, mas “conheço-as e serei sempre grato ao presidente Obama pelo apoio”, disse..

É a terceira vez que Netanyahu se dirige ao Congresso norte-americano, uma honra rara para um líder estrangeiro.