Em discurso, Netanyahu saúde força da aliança entre EUA e Israel

Nesta segunda-feira, o premiê israelense falou perante o Comitê de Assuntos Públicos americano-israelense, também minimizando suas diferenças com o presidente Barack Obama

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02 MAR 201516h27

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, saudou nesta segunda-feira a força da aliança entre Estados Unidos e Israel, um dia antes de discursar no Congresso norte-americano.

Nesta segunda-feira, o premiê israelense falou perante o Comitê de Assuntos Públicos americano-israelense (Aipac, na sigla em inglês), também minimizando suas diferenças com o presidente Barack Obama sobre a questão do Irã, e disse que seu país não busca ser "injetado" num debate político partidário dentro dos Estados Unidos.

"Meu discurso não tem a intenção de demonstrar qualquer desrespeito ao presidente Barack Obama ou seu estimado governo", disse Netanyahu ao mais poderoso lobby pró-Israel dos Estados Unidos. "Meu discurso também não tem a intenção de injetar Israel num debate partidário norte-americano."

Ainda assim, Netanyahu destacou que seu discurso de terça-feira no Capitólio será altamente crítico ao processo diplomático que Obama busca com o Irã. Autoridades israelenses acreditam que os termos do acordo que é negociado não vão longe o suficiente para garantir que Teerã não terá capacidade de produzir armas nucleares.

"Eu pretendo falar sobre um regime iraniano que ameaça destruir Israel, que está devorando país após país no Oriente Médio...e está desenvolvendo, enquanto falamos, a capacidade de fabricar armas nucleares - muitas delas", afirmou Netanyahu para uma audiência de 16 mil integrantes do Aipac.

"Israel e Estados Unidos concordam que o Irã não deve ter armas nucleares. Mas discordamos sobre como" impedi-los, disse ele.

O Irã nega ter armas nucleares e diz que seu programa nuclear é puramente pacífico e tem propósitos civis.

O fato de Netanyahu discursar durante uma sessão conjunta do Congresso norte-americano irritou a Casa Branca, que acredita que o líder israelense busca, com isso, elevar suas chances de reeleição, no pleito que acontece neste mês.

O escritório do primeiro-ministro trabalhou secretamente com a liderança do Partido Republicano nos arranjos do discurso no Congresso, deixando de lado a Casa Branca.

Netanyahu reconheceu que seu discurso perante o Congresso norte-americano gerou muita controvérsia, embora não tenha pedido desculpas pela forma como ele foi providenciado. "Nunca foi escrito tanto sobre um discurso que ainda não foi feito", disse Netanyahu.

O governo dos Estados Unidos enviou sua embaixadora na Organização das Nações Unidas (ONU), Samantha Power, para discursar na conferência do Aipac nesta segunda-feira.

Power disse que o apoio de Washington a Israel permanecerá forte e que o presidente Obama "não permitirá que o Irã obtenha uma arma nuclear".

Mas a diplomata norte-americana também disse que nem os Estados Unidos nem o líder israelense devem permitir que sua aliança seja politizada. "Acreditamos firmemente que a segurança de Israel...transcende a política e sempre transcenderá", disse Power durante a reunião anual do Aipac. "Esta parceria não pode ser politizada...e não será, e não será rompida."

Mais cedo nesta segunda-feira, o secretário de Estado John Kerry fez comentários conciliadores ao falar, em Genebra, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, destacando a importância da segurança de Israel para os Estados Unidos.

"A segurança de Israel está absolutamente em primeiro plano em nossas mentes", disse ele. "Mas, francamente, é também assim com a segurança de todos os demais países da região, assim como a nossa segurança nos Estados Unidos."

Buscando aliviar os temores a respeito do prazo final para as negociações iranianas, que expira o final deste mês, Kerry reiterou que o governo não deve aceitar um acordo ruim.