Motoristas de ônibus ‘seletivos’ estão em greve por tempo indeterminado

A paralisação reivindica a entrega de duas cestas-básicas atrasadas, um tíquete-refeição e salários de férias

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13 MAI 2019Por Da Reportagem13h35
A greve foi confirmada em assembleia no último sábadoFoto: Divulgação

Apenas 11 dos 22 micro-ônibus ‘seletivos’ de Santos que circulam diariamente das 9 às 17 horas estão em atividade nesta segunda-feira (13). Das 6 às 9 horas, rodaram 20 dos 28 regulamentares.

A greve, por tempo indeterminado, confirmada em assembleia no sábado, é por causa de atrasos de duas cestas-básicas, um tíquete-refeição e salários de férias de maio.

Como a paralisação já havia sido aprovada na segunda-feira passada (6), a empresa Guaiúba, do grupo Sobral, recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para ter pelo menos parte da frota em circulação. Na sexta-feira (10), o desembargador Carlos Roberto Husek reconheceu a legalidade da greve, mas determinou a rodagem de 70% dos ônibus entre 6 e 9 horas e 17 e 20 horas.

Nos demais horários, chamados de ‘entre picos’, entre 9 e 17 horas, devem circular, segundo a decisão judicial, 50% dos veículos. A empresa compromete-se a pagar os atrasados até 30 de maio.

Nas assembleias da semana passada, no sindicato dos trabalhadores em transportes rodoviários de Santos e região, os empregados da Guaiúba reclamaram que os atrasos são constantes, ao longo dos anos.

Nesta segunda-feira, diante da garagem, na Rua João Éboli, 43, Vila Nova, muitos ponderaram que, por causa dos seguidos atrasos, suas dívidas pessoais vivem acumuladas.

Na assembleia de segunda-feira passada, os trabalhadores reclamavam do vale-refeição atrasado desde 25 de abril. E da cesta-básica, desde o quinto dia útil daquele mês.

Naquela oportunidade, não havia previsão de pagamento da cesta que venceria na terça-feira (7). E ela realmente não foi quitada. Os salários, por outro lado, foram pagos entre terça e sexta-feira (10).

Agora, a empresa Guaiúba, do grupo Sobral, deve duas cestas, um
tíquete-refeição, pagamento antecipado das férias de maio, depósitos do fundo de garantia por tempo de serviço (FGTS) e do plano de saúde.

Empresa promete pagar até o dia 30

Segundo o vice-presidente do sindicato, José Alberto Torres Simões ‘Betinho’, os motoristas têm salários de R$ 2.092, vale-refeição de R$ 550 e cesta-básica de R$ 112. 

A decisão judicial determina que se o sindicato ou a empresa desrespeitarem o percentual de ônibus em circulação, haverá multa de R$ 10 mil por dia para a parte que causar o desrespeito.  “O pessoal está cansado dessa situação, que se repete com frequência ao longo de anos”, explica Beto. “Por causa dos atrasos, os trabalhadores acumulam dívidas e pagam altos juros bancários”. O secretário-geral do sindicato, Eronaldo José de Oliveira ‘Ferrugem’, argumenta que “ninguém faz greve por gostar de greve. A necessidade leva a categoria e esse extremo”.

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