Manifestação provoca fila de caminhões de 8 km

O bloqueio das entradas e saídas da Santos Brasil por manifestantes que protestavam contra a morosidade na carga e descarga no Tecon causou transtornos aos caminhoneiros

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17 JAN 201310h18

O bloqueio para entrada e saída no Terminal de Contêineres (Tecon) da Santos Brasil provocou uma fila de caminhões de aproximadamente oito quilômetros durante o dia de ontem, em Vicente de Carvalho (Guarujá). A fila de caminhões se prolongava da Avenida Santos Dumont, passando pela Rua Idalino Pinez (Rua do Adubo), até ponte do Monte Cabrão, na Rodovia Cônego Domenico Rangoni, na manhã de ontem. Os caminhoneiros estavam impacientes.

A manifestação liderada pelo Sindicato dos Transportadores Autônomos de Contêineres de Guarujá e Santos (Sindcon) foi em protesto à demora na entrada dos caminhões no Tecon, para carga e descarga, que chega a levar, em média, seis horas. O funcionamento de apenas um dos oito Gates da Santos Brasil, na Margem Esquerda, teria motivado o protesto.

Uma comissão formada por caminhoneiros autônomos liderados pelo Sindcon se reuniu com a empresa na tarde de ontem, para as negociações. O Sindcon não é reconhecido oficialmente como entidade sindical.

Enquanto o Sindcon, que é presidido pelo ex-vereador de Guarujá, José Nilton de Oliveira, o Doidão, negociava com representantes da Santos Brasil dentro da empresa, caminhoneiros se queixavam do lado de fora. Muitos pernoitaram na fila que margeava a rodovia Cônego Domenico Rangoni e, após 24 horas de espera, sem ter um local para dormir, tomar banho, ou para fazer refeições, ainda desconheciam os motivos de tanta morosidade para entrar nos terminais da Margem Esquerda do Porto de Santos.

O caminhoneiro Roberto Pedroso Gonçalves aguardava impaciente, na Rua do Adubo, para entrar no Tecon para carregar contêiner. “Eu cheguei ontem à noite (terça-feira), às 10 horas, e a gente não tem informação de nada. Não tem previsão pra entrar, não tem onde tomar um banho, comer. Ainda tem o risco de ser assaltado aqui. É complicado”.

Segundo o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos (Sindicam), José Luiz Ribeiro Gonçalves, que não participou do movimento e nem das negociações de ontem, a paralisação afetou diretamente o movimento de carga e descarga de pelo menos outros quatro terminais baseados na Margem Esquerda: Localfrio, Cargill, Dow Química e Grieg.

“Existe um ponto só para a passagem de todos os caminhões que é a Rua do Adubo. Então, a paralisação afetou todo mundo e a fila atinge cerca de oito quilômetros, dos Gates da Santos Brasil até a ponte do Monte Cabrão, na rodovia Cônego Domenico Rangoni”, disse José Luiz. 

Este é o caso do caminhoneiro Aldevir Hilbert, que aguardava há 26 horas para descarregar soja no terminal da Cargill. “Cheguei ontem de manhã (terça-feira), era 10 horas. E estou aqui na fila aguardando né?”, afirmou. O caminhoneiro trouxe a carga do estado do Mato Grosso e permanecia no Ecopátio até as 8 horas de ontem.

Liberado após a triagem, ele aguardava a lentidão da fila até o terminal, na Rua do Adubo. O presidente do Sindcon não foi encontrado por nossa reportagem.

Santos Brasil

Em nota, a companhia respondeu que: “A Santos Brasil informa que não havia formação de filas em frente ao Tecon Santos e que operava com quatro gates de entrada e cinco de saída no momento da manifestação que bloqueou o atendimento dos caminhões de carga e descarga de contêineres.

Contudo, na tarde de ontem, a empresa recebeu os manifestantes e acredita que com a criação de uma comissão formada por representantes dos caminhoneiros e da Santos Brasil poderá melhorar a comunicação entre as partes.

A partir das 16h, quando a entrada do terminal foi liberada, a empresa aumentou sua capacidade de entrada e saída e passou a operar com sete gates de entrada e cinco gates de saída. A previsão é de que a operação volte ao normal durante a madrugada.

A companhia esclarece ainda que o planejamento de atendimento dos caminhões de carga e descarga de contêineres no Tecon de Santos é realizado de acordo com os agendamentos feitos pelas transportadoras no site da empresa. Esse sistema permite que a Santos Brasil se prepare para o fluxo de veículos esperado, adequando com antecedência a quantidade de portões de entrada e saída necessários para a operação”.