Lixo se perpetua no Parque Ambiental Sambaiatuba

Antigo parque volta a ser lixão com cheiro podre e urubus. O DL ouviu moradores do bairro em um dia que, segundo eles, “o cheiro não estava tão forte”

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04 MAR 201311h03

Chamar de “Parque Ambiental Sambaiatuba” como está escrito no local é ofender a inteligência de qualquer morador de São Vicente. A tecnologia da imprensa ainda não permite que uma reportagem revele ao leitor ou internauta o cheiro que se sente por lá.

O Diário do Litoral ouviu moradores do bairro em um dia que, segundo eles, “o cheiro não estava tão forte”.

Acionada por moradores, a Reportagem chegou às imediações do “parque ambiental” no final da tarde de terça-feira. O fato de não ventar deixava a temperatura acima dos 30°, mas segundo os moradores, isso era um fator positivo: dependendo da direção do vento, as casas próximas ao lixão que se transformou o "parque ambiental" recebem maiores rajadas de cheiro podre.

A quantidade de urubus perto da área que recebe lixo da Termac todos os dias impressiona. As aves se espalham entre as crianças que brincam nas ruas ao redor do “parque ambiental”.

Gileilson Araújo de Santana mora há oito anos no bairro, bem perto do “parque ambiental”. Ele até já se acostumou com o pior horário: por volta das 5 horas. “Depois esquenta a manhã e parece que dá uma amenizada”. Segundo ele, a medida adotada para tentar diminuir o cheiro é fechar portas e janelas da casa.

Forte odor incomoda moradores do bairro vicentino (Foto: Luiz Torres/DL)

A preocupação de Maria Aparecida Pereira Silva, moradora há dez anos do bairro, é com o seu filho, de apenas oito meses. Ela e o bebê sofrem de rinite alérgica e sofrem mais os problemas do forte cheiro. Não raro, têm de ir ao hospital.

Muitos moradores do Sambaiatuba sobrevivem graças às ações de reciclagem. Mas a atividade desses trabalhadores não alivia a enorme carga de lixo que chega ao “parque ambiental” ou nem chega, fica pelas ruas e avenidas do local. Com tanto entulho, além do lixo, outro problema: “aqui não temos ratos, temos verdadeiros gatos, de tão grandes que são”, assinala Gileilson.

Além do forte cheiro, a reclamação de Vaneide dos Santos é exatamente com a grande quantidade de lixo espalhada, principalmente, pela Avenida Sambaiatuba.

Se para uma pessoa em estado normal o forte cheiro de lixo causa problemas de todo o tipo, para uma grávida a situação se complica. Quem passou recentemente por essa experiência foi Isabel de Farias Novaes, hoje mãe de um bebê de oito meses. Ela conta que tinha ânsia de vômitos na gestação, agravada pelo forte odor de lixo. “Chegava a passar muito mal mesmo”.

Parque saturado

Questionada pelo DL, a assessoria de imprensa da Prefeitura de São Vicente admitiu que o parque ambiental está com sua capacidade saturada.

Segundo a Administração Municipal, “o parque foi projetado para receber 10 mil toneladas por mês, por esse motivo não comporta mais lixo”. O local recebe 300 toneladas por dia de lixo, acumulando 9 mil toneladas mensais.

Ainda de acordo com a Prefeitura, há falhas na coleta de lixo “por deficiência técnica da empresa contratada”.

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