Índia acusa o Paquistão de violar o cessar-fogo na Caxemira

A chancelaria indiana disse que responderá ao "abominável" ataque, mas após "uma cuidadosa consideração".

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08 JAN 201319h53

Soldados paquistaneses atravessaram a linha de cessar-fogo na disputada região da Caxemira, no Himalaia, e atacaram uma patrulha da polícia nesta terça-feira, matando dois soldados indianos antes de recuar para o território controlado pelo Paquistão, disseram oficiais do Exército indiano. O Exército do Paquistão negou ter feito o ataque. A chancelaria indiana disse que responderá ao "abominável" ataque, mas após "uma cuidadosa consideração".

Foi o segundo ataque em três dias na Caxemira, onde o cessar-fogo entre os dois países que tem armamentos nucleares, havia sido amplamente respeitado por uma década. Mortes de militares em disputas entre as duas nações se tornaram pouco comuns nos últimos anos. Ainda que a tensão diplomática por causa da disputada região esteja longe de ser amenizada, o incidente desta terça-feira não criou nenhum sinal de forte nervosismo nem no governo de Nova Délhi, nem em Islamabad, além de receber relativamente baixa atenção da mídia local.

O brigadeiro indiano S. Chawla disse que soldados paquistaneses cruzaram para a área indiana da Caxemira a pé, em meio a uma densa neblina, até que o avanço foi interrompido a tiros por uma patrulha indiana. Dois soldados indianos morreram no tiroteio e um deles teve o corpo mutilado pelos paquistaneses, que se retiraram.

"Nós precisamos fazer algo a respeito e faremos, mas isso ocorrerá apenas após uma cuidadosa consideração de todos os detalhes em consultas com o Ministério da Defesa", disse o ministro das Relações Exteriores da Índia, Salman Khurshid.

Os países se combateram em duas guerras na disputa pela Caxemira, o único estado de maioria muçulmana da Índia.

Apesar da retórica mais belicista usada por Khurshid, o porta-voz da chancelaria indiana, Syed Akbaruddin, disse que os comandantes militares dos dois países estão em contato desde o começo da violência. Esses contatos ocorrem normalmente entre militares indianos e paquistaneses na Caxemira e têm como objetivo impedir que os incidentes escalem para confrontos mais sérios e batalhas.

Ainda na Índia, nesta terça-feira, a polícia afirma que trabalhadores de grupos rivais entraram em conflito no leste do país e usaram armas de fogo, pedras e pedaços de madeiras. Segundo as autoridades, pelo menos seis pessoas ficaram feridas no incidente.

O líder do Partido Comunista da Índia, de oposição ao governo, Kanti Ganguly disse que três trabalhadores de sua chapa foram alvejados por seguidores do Partido do Congresso de Trinamool durante uma manifestação de rua. O líder do Trinamool, A. Islam, culpou os comunistas pela violência.

Um policial que preferiu não se identificar disse que oito veículos foram queimados por grupos rivais nas arredores de Kolaata, capital do estado de Bengala Ocidental. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.