Dia do Gari: Mulheres são a maioria e mostram força nas ruas de São Vicente

Mais de 80% dos profissionais que atuam na limpeza das ruas do município são do sexo feminino

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16 MAI 2017Por Diário do Litoral10h30
Elezenita Carvalho da Silva, de 59 anos, é conhecida como a Vovó da PraçaElezenita Carvalho da Silva, de 59 anos, é conhecida como a Vovó da PraçaFoto: Matheus Tagé/DL

Apesar das diferenças físicas e de idade, Diodina dos Santos Oliveira, de 67 anos, e Elezenita Carvalho da Silva, de 59 anos, têm muito em comum. O uniforme, a pele queimada pelo sol, um salário de pouco mais de mil reais, a criação solo dos filhos e a paixão pela profissão que escolheram. Há mais de duas décadas, a dupla trabalha na limpeza das ruas de São Vicente. Elas refletem o universo dos garis da cidade composto por 80% de mulheres, boa parte responsável pelo sustento da família.

“Tenho sete filhos, quatro homens e três mulheres. Fui casada, me separei e o marido morreu. Criei meus filhos sozinha com o dinheiro do meu trabalho. Agora estou criando uma neta com dois filhos. O número de netos já perdi as contas, mas tenho quatro bisnetos e está chegando outro”, disse Diodina, que é varredora na Companhia de Desenvolvimento de São Vicente (Codesavi), responsável pela limpeza das ruas do município.

A varredora baixinha e de cabelo colorido de vermelho tem 30 anos de profissão. Atualmente auxilia na zeladoria da Praça Barão, uma das principais da cidade. “Já vi muita coisa na rua, boa e ruim. Teve um tempo que sofri um bocado, mas Deus me ajudou. Enquanto der estarei aqui. Faça chuva ou sol, não importa. Sou conhecida aqui na praça. Prefiro estar aqui que em casa. Fiz muitas amizades. Quando mudo de setor todo mundo fica doido”, afirmou.

Nesta terça-feira (16) é comemorado o Dia do Gari. A Reportagem perguntou para Diodina se ela já sofreu preconceito por conta da profissão. A varredora disse que não, mas chamou atenção para a falta de educação. “Tem gente que não respeita. A gente está limpando e eles estão jogando no chão ao invés de jogar dentro do carrinho. Eu chamo de porco. Se faz na rua faz em casa. Eles não falam nada, sabem que estão errados”, destacou.
 
Orgulho

Elezenita é varredora há 20 anos. Desses, 16 atuando na limpeza da Praça da Biquinha. A simpatia lhe rendeu o apelido carinhoso de Vovó da Praça, como é mais conhecida. Ela é uma das mais antigas trabalhadoras do ­local.

“Sou uma das primeiras que veio para cá (Biquinha) e depois uma ou duas amigas minhas que trabalham aqui e são mais velhas do que eu. Quando vim trabalhar aqui ainda era barro, depois veio a pavimentação”, afirmou Elezenita, que reside com a mãe e duas irmãs no Voturuá.

A varredora disse que fez a ficha para trabalhar em escritório, mas oportunidade veio para a rua. Com quatro filhos para criar não teve opção.

“Criei eles praticamente sozinha com o meu salário. Hoje ajudo a minha mãe de 92 anos com a cesta básica e ainda ajudo os meus filhos, que já estão casados e encaminhados, quando precisam. O dinheiro estica como borracha. O pouco com Deus é muito”, destacou.

A simpatia é a marca de Elezenita, que faz questão de ressaltar as amizades que fez nas ruas ao longo dessas duas décadas. “A gente faz o que pode. Eu sou muito sincera e humilde. A gente sempre está mudando de rua, de setor e conhece gente muito bacana. Ganho até presentinho”.

Assim como Diodina, ela considera a falta de educação o principal ponto negativo de seu ofício.
“Logo que você acaba de varrer, na mesma hora um palito cigarro eles jogam no chão. Falam que a gente está aqui para varrer mesmo. Não valoriza a gente”, disse Elezenita.

Dênis Carvalho da Silva, um dos filhos de Elezenita definiu a mãe como vitoriosa.

“Tenho muito orgulho da minha mãe. Ela sempre foi uma mulher batalhadora e forte nas horas difíceis. Criou sozinha quatro filhos, com um salário baixo e trabalhando nas ruas todos os dias. Uma mulher que sempre está disposta e sempre nos tratou com amor e carinho. O trabalho dela é como outro qualquer e muito importante. Todo mundo gosta dela e é muito querida. Agradeço a Deus pela vida dela”, disse emocionado.

Segundo a Codesavi, 140 garis atuam no serviço de limpeza das ruas da cidade. Desse total 80% são mulheres.