Deslizamentos em Santos aumentam mais de 500%

Os deslizamentos de terra passaram de 18 para 112 em um ano na Cidade, o que representa um crescimento de 522,22%

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11 OUT 2019Por Caroline Souza07h00
O número de deslizamentos de terra saltou de 18 para 122 em um ano no município de SantosFoto: Nair Bueno/DL

Os deslizamentos de terra aumentaram de 18 para 112 em um ano em Santos, o que representa um crescimento de 522,22%. Os dados foram registrados durante a operação do Plano Preventivo da Defesa Civil (PPDC), e apontados em resposta ao requerimento do vereador Sadao Nakai sobre o assunto. O edil tem cobrado a Prefeitura a respeito da atualização do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR).

O número de escorregamentos também é o maior desde 2013. Foram 19 deslizamentos no período de dezembro a abril de 2012/2013; 12 em 2013/2014; 58 em 2014/2015; 20 em 2015/2016; 49 em 2016/2017; 18 em 2017/2018; e 112 em 2018/2019.

"A explicação que recebi é que o aumento expressivos no número de deslizamentos tem relação direta com a intensidade das chuvas", esclarece Nakai. De acordo com a Defesa Civil, com exceção de janeiro e junho, todos os meses registraram acumulados de chuva superiores às médias históricas mensais de 25 anos. "Mas se a chuva é a justificativa, estou tentando entender o que a gente precisa fazer para evitar que esse tipo de problema se repita", completa o parlamentar. Para isso, ele cobra a atualização do PMRR.

O Plano foi elaborado em 2005 pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) e atualizado em 2012 pela mesma instituição. Ele inclui o mapeamento das áreas de risco a deslizamentos e mobilizações de blocos rochosos em encosta; a concepção de intervenções estruturais para os setores de risco alto e muito alto; a reavaliação da proposta de ações não estruturais; e o fornecimento de subsídios para a elaboração de um Centro de Gerenciamento de Risco Municipal.

A Defesa Civil realiza anualmente a atualização do mapeamento das áreas de risco do Município, criando novos setores de risco ou reclassificando setores antigos de acordo com ocorrências registradas e com as intervenções realizadas pela Prefeitura. Segundo o órgão, uma proposta de atualização completa do PMRR foi elaborada em 2018, mas aguarda os recursos financeiros necessários.

Agora, Sadao vai colocar o tema em discussão na sessão da Câmara, buscando maneiras de reforçar o orçamento da Defesa Civil para ver se é possível atualizar o Plano, já que não há orçamento previsto.

Moradias irregulares

De acordo com o último levantamento do número de moradias em área de risco do PMRR, realizado entre 2016 e 2017, 3.096 moradias estão em setores de risco alto e 1.104 em risco muito alto. Ainda segundo o documento, 10.832 domicílios estão em áreas de risco de escorregamento de terra e deslocamento de rochas, sendo possível estimar cerca de 54.160 moradores, visto que a Prefeitura estima, em média, cinco ocupantes por moradia.

A Defesa Civil estabelece 23 áreas com risco em Santos, inseridas nas macrozonas Morros e Zona Noroeste.

"O ideal seria a erradicação das moradias irregulares, mas quando não temos como fazer isso, as intervenções de obras de segurança de contenção são importantes. O IPT tem especialistas que podem desenvolver projetos muito importantes para a Defesa Civil se orientar na hora de realizar essas intervenções, evitando tragédias", finaliza.