BNDES adia socorro à Sete Brasil após empresa aparecer na Lava Jato

Segundo fontes, isso ocorreu depois de a companhia ter sido citada em depoimento de delação premiada de Pedro José Barusco Filho

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06 FEV 201512h01

O BNDES deixou para a próxima diretoria a decisão sobre a operação de socorro à Sete Brasil, uma das principais fornecedoras da Petrobras. Segundo fontes, isso ocorreu depois de a companhia ter sido citada em depoimento de delação premiada de Pedro José Barusco Filho, ex-gerente de engenharia da Petrobras e ex-diretor da Sete Brasil. Nesta quinta-feira,5,documentos da delação tornaram-se públicos revelando esquemas de pagamento de propinas na companhia.

O fato de Barusco ter confirmado o pagamento de propinas pelos estaleiros para a empresa pode inviabilizar o empréstimo de longo prazo, na visão de alguns sócios do projeto. Se isso acontecer, a empresa não terá como honrar os compromissos e os cinco estaleiros contratados também ficarão em dificuldades. Dos cinco, três têm como sócios construtoras que já tinham sido citadas em outras fases da Lava Jato.

A aprovação do financiamento de longo prazo é vital para a Sete. Segundo alguns acionistas, em janeiro eles foram comunicados de que a Petrobras havia informado o cancelamento do contrato de compra de sete sondas caso o financiamento não fosse aprovado. Desta forma, o projeto ficaria inviabilizado, fazendo um efeito dominó de perdas para os fundos de pensão (Previ, Petros, Valia e Funcef), os bancos Bradesco, Santander e BTG Pactual, além de EIG Global Energy Partners, a Lakeshore e a Luce Venture Capital e o fundo FI-FGTS, todos sócios da Sete Brasil, que recebeu bilhões de reais de aportes. A própria Petrobras também é sócia da companhia.

Para tentar evitar esse efeito dominó, o governo fez pressão nos bancos públicos, tentando salvar não só a Sete, mas também evitando um agravamento ainda maior da crise da indústria naval, com impacto em toda a cadeia produtiva e a geração de empregos.

Pela configuração do financiamento que estava sendo negociado, o BNDES ficaria responsável por liberar US$ 3 bilhões, a Caixa Econômica Federal por US$ 1,5 bilhão e o banco inglês UK Export Finance, que financia exportações, com uma quantia inferior, em torno de US$ 200 milhões. Mas toda essa negociação dependia também da Petrobras e a renúncia coletiva da diretoria nesta semana prejudicou o andamento dessas negociações.

Segundo uma fonte próxima à Sete Brasil, as mudanças na diretoria da Petrobras travaram o processo para finalizar o contrato de financiamento, que estava previsto para ser fechado nesta semana. Os contratos da Sete com a Petrobras servem de garantia para os financiamentos da fornecedora junto aos bancos. Em nota, a empresa diz aguardar a posse da nova diretoria para concluir a operação.

Curto prazo

A Sete Brasil também está com dificuldades para honrar compromissos de curto prazo. Para resolver os problemas urgentes de caixa, também estava em negociação um empréstimo-ponte de R$ 800 milhões, que seria liberado pelo Banco do Brasil ou por um consórcio de bancos liderado pelo BB. No entanto, esse empréstimo também estava condicionado à aprovação do financiamento de longo prazo, que serviria de garantia para o empréstimo-ponte.

Na quinta-feira, 5, tornaram-se públicos os depoimentos do primeiro diretor de operações da companhia, Pedro José Barusco Filho, que fez acordo de delação premiada. Ele informou que, além da Petrobras, havia propinas no âmbito da Sete Brasil. Segundo o delator, de 1% sobre o valor dos contratos, a divisão se dava da seguinte forma: "2/3 para João Vaccari e 1/3 para 'Casa 1' e 'Casa 2’".

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