Rosana Valle - Por um pouco de paz

Ninguém aguenta mais o clima de campanha eleitoral antecipado que se instalou no País

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22 SET 2021Por Artigo06h40
Rosana Valle, deputada federalRosana Valle, deputada federalFoto: DIVULGAÇÃO

Um cansaço com a polarização começa a tomar conta dos brasileiros. Conversando com as pessoas nas ruas, tenho notado que ninguém aguenta mais o clima de campanha eleitoral antecipado, a quase um ano antes das eleições, que se instalou no País.

Para as pessoas que estão interessadas em sobreviver, cuidar da família, conseguir ou se manter nos empregos, este clima de disputa só causa irritação. Ouço perguntas do tipo: “Será que eles não têm outra coisa para fazer? E os problemas do dia a dia, vão ser todos adiados para depois das eleições?”.

A população não quer nem saber de quem é a culpa da polarização. Quer mesmo é que as autoridades e os políticos tomem logo providências para que o preço do combustível pare de subir, que o valor dos alimentos deixe de ser reajustado toda semana. Cobra providências até para que o PIX tenha um limite para que os assaltos e sequestros diminuam.

A verdade é que a irresponsabilidade dos extremos está encurralando os que estão no meio, os cidadãos comuns, a maioria silenciosa. Quem busca o bom senso não encontra eco nas suas ponderações. Mas o fato é que a maioria da população não aprova este clima de ódio, de rancor, de quanto pior, melhor.

A falta de percepção desta realidade, aparentemente escondida, é que será o grande erro dos políticos e até de parte dos formadores de opinião. 

A maioria silenciosa está em busca de alguém que não exagere, que não promova conflitos, mas que proponha soluções, que apazigue, que construa o diálogo, que é o único caminho para o Brasil sair deste impasse.

Quem faz jornalismo, como eu fiz durante 25 anos, sabe que o critério de notícia, além do interesse público, é o conflito, o impasse, a polêmica, o impacto. Tudo bem. Entendo. Mas estes critérios, de forma nenhuma, podem impor o conteúdo da pauta nacional.

Se o caminho para a construção de uma agenda boa para o País for de uma conversa suave, sem xingamentos, sem grandes momentos de contundência, que seja. Se ao invés de uma batida mais forte tivermos que adotar o ritmo da bossa nova, tipo um cantar de João Gilberto, por que não tentarmos?

Se em nossas vidas pessoais, os melhores resultados que obtivemos foram fruto de conversas serenas, baseadas no bom senso, na tolerância, na inclusão, porque não pode ser também na vida pública de uma Nação? 

Ser educado, conciliador, compreensivo também tem seu charme, seu encanto. Precisamos começar a valorizar estas posturas antes que o destino do País seja decidido numa pancadaria política, midiática e física. Aí, sim, vamos nos arrepender por não termos tentado o diálogo. Mas já será tarde demais. Não queremos isso.

* Rosana Valle, deputada federal