Nilton C. Tristão - Lições eleitorais de 2020

Os prefeitos eleitos ou reconduzidos aos cargos terão que lidar com eventos inusitados e administrar crises extemporâneas

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28 NOV 2020Por Artigo09h09
Nilton C. Tristão, cientista políticoFoto: DIVULGAÇÃO

Tal como no restante do país, o litoral sul paulista ou Baixada Santista, compartilhou os mesmos sintomas existentes na política nacional. Pois seus cidadãos tenderam a optar na eleição de 15 de novembro pela segurança dos projetos governamentais que estavam em andamento. Ou seja, depois de vivenciarem o ano mais apocalíptico de nossas vidas, e sem presenciarem qualquer outro postulante aos governos municipais demonstrar entendimento a respeito desse momento histórico, resolveram que não havia outra opção a não ser de sufragar os erros e acertos daqueles que já estavam na linha de frente contra a Covid-19.

Nesse contexto, foram reeleitos os prefeitos de Guarujá, Bertioga, Cubatão, Mongaguá e Peruíbe, além do alcaide de Santos conseguir fazer o sucessor. Já em Itanhaém, Tiago Cervantes sucederá a Marco Aurélio Gomes dos Santos. As únicas a irem para o segundo turno foram as cidades de Praia Grande e São Vicente. Em terras de Mourão, com Alberto impossibilitado de candidatar-se, sua pupila Raquel Chini, do PSDB, possivelmente sofrerá a derrota imposta por Danilo Morgado (PSL), circunstância inusitada para a biografia do ícone da boa governança e competência administrativa. Confirmando-se esta previsão, o presente prefeito de Praia Grande deixará a delegação como figura secundária da política local. 

Já no município de São Vicente, assistiremos à disputa entre Solange Freitas (PSDB) e Kayo Amado (Podemos) com final imprevisível, segundo levantamento da empresa GovNet/Opinião Pesquisa em parceria com o Diário do Litoral, que aponta para o empate técnico entre ambos na intenção de voto. De qualquer maneira, o jogo de poder na Região Metropolitana da Baixada Santista, adquire novos contornos, com o presumível protagonismo com maior relevância de Dr. Válter Suman e Rogério Santos, além do fortalecimento da liderança regional de Paulo Alexandre Barbosa. 

Contudo, os tempos modernos nos transformaram em passageiros de uma jornada incerta. Os prefeitos eleitos ou reconduzidos aos cargos terão que lidar com eventos inusitados e administrar crises extemporâneas. Em outros termos, nada será como antes, e os vencedores do pleito desse domingo em Praia Grande e São Vicente terão que lidar com algo que seus antecessores apenas tatearam.

* Nilton C. Tristão, cientista político