Alimentos irrigados e não exportáveis freiam alta ainda maior na inflação dos alimentos

Segundo economistas da Ceagesp, a maior central atacadista de alimentos in natura da América Latina, as frutas em geral acumularam 27,8% de queda nos preços nos seis primeiros meses do ano

Comentar
Compartilhar
07 JUL 2021Por Artigo15h41
O setor de hortifrútis foi um oásis no primeiro semestre, marcado pela disparada no valor dos alimentos.O setor de hortifrútis foi um oásis no primeiro semestre, marcado pela disparada no valor dos alimentos.Foto: Serg64

Por Nilson Regalado

O setor de hortifrútis foi um oásis no primeiro semestre, marcado pela disparada no valor dos alimentos. Segundo economistas da Ceagesp, a maior central atacadista de alimentos in natura da América Latina, as frutas em geral acumularam 27,8% de queda nos preços nos seis primeiros meses do ano. A exceção é a laranja, que sofreu perdas de até 40% nos pomares de São Paulo e Minas Gerais devido à seca. Só em junho, os legumes ficaram 3,33% mais baratos, em média, e o valor das verduras recuou 2,51%. No mês passado, a queda acentuada no preço das batatas e cebolas, da beterraba, dos tomates, pimentões e do repolho contribuiu para essa deflação.

E dois fatores contribuíram para esse resultado. O primeiro é que verduras e legumes normalmente são produzidos em ambientes protegidos e com irrigação. Ou seja, eles foram menos impactados pela estiagem mais severa dos últimos 91 anos, que atingiu as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste no primeiro semestre.
E o segundo motivo é que verduras e legumes não são commodities agrícolas exportáveis, como as carnes, o milho, a soja, o arroz e o açúcar. Assim, os hortifrútis não são influenciados pelo dólar, cujo valor bateu recordes entre janeiro e junho, o que impulsionou a exportação das commodities e elevou seus preços no mercado interno.

Exportação retira quase...
O Brasil exportou 164.332 toneladas de carne bovina em junho, o que representou aumento de 9,7% nas vendas para o exterior na comparação com maio, que havia registrado quase 150 mil toneladas exportadas.

...1 kg de carne do...
E quase metade desse volume foi embarcado para a China. Com isso, fazendeiros e frigoríficos faturaram US$ 835 milhões em junho só com as vendas para o exterior.

...prato do brasileiro em junho
Traduzindo: o volume exportado retirou do prato de cada brasileiro o equivalente a 765 gramas de carne só no mês passado. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior do Governo Federal.

Copa América nos vinhedos
Pela primeira vez na história, o Peru vai exportar mais uvas que o Chile, tradicional produtor da fruta e reconhecido pela qualidade de seus vinhos. Surpreendente, o crescimento peruano no mercado internacional acaba de ser detectado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

Azeite brasileiro ganha...
O Rio Grande do Sul festeja a maior produção de azeite da história. No total, as 15 indústrias locais produziram 202 mil litros na safra 2020/21, o que representa crescimento de 400% em relação a 2019/20. Já são 46 marcas gaúchas de azeite, algumas delas com medalhas de ouro e prata em concursos internacionais realizados em Portugal, Itália e EUA.

...ouro e produção dispara
E a tendência é de crescimento vigoroso nos próximos anos porque as oliveiras gaúchas são muito jovens. Além do Rio Grande, as azeitonas florescem na Serra da Mantiqueira, divisa de Minas, SP e RJ. O Brasil é o maior importador de azeite do mundo e ainda não produz sequer 10% do que consome...

Filosofia do campo:
“Eu não tenho paredes. Só tenho horizontes”, Mário Quintana (1906/1994), poeta gaúcho.