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Iphan revela o verdadeiro status legal do sítio arqueológico que abriga destroços no Canal 5 e esclarece também o cenário envolto ao Navio Recreio
Veleiro Kestrel encalhou na Praia do Embaré em 1895, após uma forte tempestade / PMS/Divulgação
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Ao caminhar pelas areias da praia do Embaré, no Canal 5, muitos banhistas se deparam com os destroços do Veleiro Kestrel. Encalhado desde 1895, que passa próximo a ele acredita que a embarcação esteja protegida por algum órgão público e que até mesmo seja tombada, dado o tratamento histórico que existe ao seu redor.
Entretanto, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia federal vinculada ao Ministério da Cultura que responde pela preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro, explicou ao Diário do Litoral que a embarcação não é tombada de acordo com o Decreto-Lei nº 25/1937. Isso, embora o veleiro seja cadastrado e reconhecido pelo Iphan como sítio arqueológico, conforme a Lei Federal n° 3.924/1961.
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Segundo o Instituto, até o encerramento desta reportagem, não constam registros de Portarias Autorizativas expedidas pelo Iphan para o desenvolvimento de pesquisas arqueológicas, de acordo com a Lei Federal n° 3.924/1961 e a Portaria nº 07/1988 do órgão, que autorizem a retirada dos destroços.
Porém, ainda será realizada uma pesquisa arqueológica no sítio do Veleiro Kestrel, em parceria com uma instituição especializada, para o reconhecimento da área e a avaliação do seu estado de preservação. Com base nos resultados, podem ser adotadas novas medidas adequadas de proteção.
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Em 11 de fevereiro de 1895, o Kestrel acabou encalhando no trecho da Praia do Embaré depois que uma forte ventania arrastou a embarcação até o local. Naquele momento, não havia capitão a bordo, já que ele e os outros três tripulantes estavam em terra.
Durante o episódio, um rebocador que navegava pela barra da cidade tentou retirar o navio, mas não obteve sucesso. Como foi abandonada pelos proprietários, a embarcação acabou sendo desmontada pelas autoridades da época. Com o passar dos anos, a areia cobriu o veleiro.
O primeiro reaparecimento aconteceu em meados de 1970, quando parte do casco ficou aparente por conta do desassoreamento do canal do porto. Em 2017, ao ser confirmado que se tratava do Kestrel, o espaço se tornou um sítio de interesse arqueológico e o entorno recebeu barras de ferro e boias sinalizadoras para evitar que a população se ferisse no contato direto.
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De acordo com uma sondagem feita por pesquisadores em outubro de 2017, existe um objeto metálico de seis metros de comprimento dentro da embarcação. A princípio, foi cogitado que poderia ser uma caldeira ou até mesmo um canhão. Contudo, mesmo com essas hipóteses descartadas, até hoje não se sabe o que realmente há dentro dos restos da embarcação.
Em janeiro de 2023, foi inaugurado um espaço de realidade virtual no local. Ao escanear o QR Code de uma placa e apontar o celular para a direção dos destroços, a população consegue observar o navio em 3D sobre a água. Além disso, a própria placa conta com a história resumida da embarcação e mostra a pintura de Benedito Calixto na qual a imagem do veleiro foi inspirada.
Embora o Navio Recreio esteja em uma situação similar ao Kestrel, eles segue localizado próximo ao Canal 6, na Ponta da Praia, onde encalhou em 24 de fevereiro de 1972, o Iphan afirmou à reportagem que ele também não é tombado. No entanto, diferentemente do Veleiro Kestrel, ele não está cadastrado como sítio arqueológico junto ao instituto.
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Assim como a embarcação do Embaré, o Recreio encalhou por conta de uma forte tempestade que atingiu Santos. Ao ficar imóvel nas areias da praia, tornou-se uma atração curiosa e acabou transformado em um "ponto turístico", já que se tratava de um navio-boate.
Entretanto, 18 meses depois do incidente, tentaram removê-lo, mas não obtiveram sucesso, e ainda há parte de seu casco presa nas areias da praia.