TECNOLOGIA

Realidade aumentada faz 'ressurgir' navio fantasma em praia de Santos

É possível, ainda, gerar cópia e simular que está ao lado do navio de três mastros e 80 metros de comprimento

JOÃO PEDRO FEZA - FOLHAPRESS

Publicado em 01/02/2023 às 10:41

Atualizado em 01/02/2023 às 10:44

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Em Santos, no litoral paulista, a realidade aumentada fez / Rafael Oliva/Divulgação

De destroços centenários a uma nova imagem tridimensional. Em Santos, no litoral paulista, a realidade aumentada fez "emergir" o antigo veleiro inglês Kestrel, mas há quem fique "a ver navios" por falha na navegação com o celular.

Em tese, é fácil: interessados devem ir ao pontilhão do canal 5, na praia do Embaré, e escanear com o celular o código de acesso visível em placa recém-instalada pela Prefeitura de Santos como parte das comemorações dos 477 anos da cidade, completados em 26 de janeiro.

Aí é só mirar nas boias que indicam onde os restos da embarcação estão cobertos pela areia desde que encalhou em 1895, há 127 anos.

É possível, ainda, gerar cópia e simular que está ao lado do navio de três mastros e 80 metros de comprimento. Ou até repousá-lo na palma da mão, tal qual imaginaram os compositores Zeca Bahia e Gincko no sucesso "Porto Solidão", de 1980, lançado pelo cantor Jessé.

A aposentada Ameli Richter, 66, conseguiu de primeira. Logo surgiu na tela a imagem, inspirada em obra do pintor Benedito Calixto. A sobreposição com o cenário real impressionou. "Interessante! Você está caminhando e dá de cara com um atrativo de navegação."

O também aposentado Luís Fernando Basile, 61, tentou a visualização por 40 minutos, mas não conseguiu. "Talvez seja problema do meu celular."

O fotógrafo Pedro Machado, 35, desistiu. "Eu capturo a imagem do QR Code, mas não abre. Até achei que fosse minha internet, mas tudo funciona, menos a realidade aumentada do veleiro." Ele arrisca: "Pode ser a alta demanda dos usuários daqui tentando acessar quase ao mesmo tempo."

A empresária Nathalia Tenente, 28, aprovou a iniciativa. "Abriu sem problemas", contou. "Unir tecnologia e história é positivo. Moro bem perto e não conhecia a história do navio, que também está resumida na placa."

A prima dela, Sophia Ramos Sena Dias, 13, ficou no meio do caminho: "Do meu celular até apareceu a imagem, mas logo saiu. Nathalia fez a minha foto com o navio do celular dela. Adoro aprender sobre como as coisas eram antigamente."

Maria Aparecida Carneiro, 70, contou com o apoio de outro frequentador para acessar a ferramenta. "Sempre passo por aqui e é a primeira vez, em 30 anos, que posso visualizar como foi o navio."

A aposentada comenta, contudo, que a placa poderia ser mais "didática". Produtor de vídeo, André Fernandes Cavalcanti, 26, que auxiliou Maria Aparecida, concorda: "Talvez com mais imagens e menos texto sobre o jeito de proceder."

Cavalcanti disse, porém, que o site da prefeitura parece instável onde a realidade aumentada é ativada. "Apesar disso, a ideia foi feliz e poderia ser levada para outras partes da cidade. Conecta a gente com o passado."

Em nota, a Prefeitura de Santos informa que as oscilações nas imagens podem também depender do aparelho do usuário.

"O questionamento está relacionado aos celulares. Por ser relativamente nova, em constante evolução, a tecnologia da realidade aumentada depende da compatibilidade e atualização do sistema operacional", diz a nota.

A placa instalada no local passará a informar que nem todos os aparelhos são compatíveis, acrescentou a prefeitura.

HISTÓRICO

O Kestrel encalhou em 11 de fevereiro de 1895 após um temporal, segundo informações da prefeitura. Ninguém morreu. Abandonado pelos donos, acabou desmontado pelas autoridades da época.

Com o tempo, a areia tomou conta de tudo. Até que, em 1970, parte do casco ficou aparente em meio ao processo de desassoreamento do canal do porto.

Até 2017 havia dúvidas sobre qual seria de fato a embarcação, mas arqueólogos e pesquisadores estrangeiros atestaram: tratava-se do Kestrel.

Depois de se tornar sítio de interesse arqueológico, o entorno recebeu 24 barras de ferro e boias sinalizadoras para formar um "cordão de isolamento" e ampliar o alerta aos banhistas, antes feito apenas por estacas.

O que sobrou do navio de madeira -que não é retirado para evitar uma deterioração total– segue cerca de três metros mais fundo do que a linha visível na areia.

Com a realidade aumentada e um pouco de sorte na conexão, o Kestrel recupera parte da imponência que ostentava no século 19 -quando navegar, muito antes da internet, já era atividade atrativa e, às vezes, incerta.
 

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