Usiminas vai desligar altoforno 1 da usina de Cubatão

Medida vai ocorrer no próximo dia 31; Sindicato dos Metalúrgicos teme desemprego de centenas de trabalhadores e promete mobilização para garantia do mercado de trabalho

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24 MAI 201511h23

A Usiminas(ex-Cosipa) vai desligar no próximo dia 31, o alto-forno nº1 de sua unidade de Cubatão. O fato foi informado oficialmente ao Sindicato dos Metalúrgicos, na última sexta-feira, em reunião na sede do sindicato, em Santos. A direção da empresa também já informou ao mercado a decisão de desligamento.

A medida, que pegou de surpresa a direção do Sindicato dos Metalúrgicos, pode causar desemprego de mais de mil trabalhadores, segundo informa o presidente do sindicato, Florêncio Resende de Sá, Sassá. Ele promete mobilizar a categoria para preservar o mercado de trabalho.

Além de Cubatão, também será desligado temporariamente o alto-forno nº 1 da usina de Ipatinga, fato marcado para 4 de junho. A produção de ferro gusa será reduzida em 120 mil toneladas ao mês.

“Tal ajuste visa a adequar a produção ao atual ritmo de demanda do mercado siderúrgico, trazendo oportunidades de redução de custo e melhoria da competitividade da Usiminas no atual cenário de mercado”, disse a Usiminas ao DL, através de sua assessoria de imprensa, em fato relevante.

A companhia justifica a queda na venda de aço no mercado para o desligamento do forno. Diz que vendeu 1,256 milhão de toneladas de aço no primeiro trimestre, queda de 12,6 por cento ante mesmo período de 2014. Na mesma comparação, a produção de aço bruto caiu 16,5 por cento, a 1,379 milhão de toneladas. No trimestre, a empresa teve prejuízo líquido de 235 milhões de reais.

“Diante dos estoques elevados e dos indicadores de confiança em patamares mínimos, não há sinais de uma recuperação iminente”, disse a Usiminas em seu relatório de resultados, quando citou o moderado crescimento da economia mundial aliado ao fraco desempenho da atividade econômica brasileira.

DL - Há previsão de retorno para o Alto-Forno 1?

Usiminas -
Não, uma vez que o mercado não está apresentando sinais expressivos de melhora. O Instituto Aço Brasil prevê que o consumo de aços planos caia 6% neste ano, frente a 2014.

DL - O Alto-Forno 2 também será desligado?

Usiminas -
No momento, não há planos.

DL - Estão previstas demissões de funcionários?

Usiminas -
Em face das atuais condições econômicas adversas vividas pelo setor siderúrgico, a Usiminas está avaliando constantemente o equilíbrio entre a demanda do mercado e o seu quadro de pessoal. No entanto, o foco da Companhia, no momento, tem se concentrado no aumento da eficiência operacional de suas linhas de produção, buscando preservar ao máximo a sua força de trabalho.

DL - Tecnicamente, como funciona o abafamento do forno?

Usiminas
- O processo de abafamento do Alto-Forno consiste no esvaziamento e resfriamento do equipamento. Após esta operação, é realizada a limpeza do interior do forno para a remoção da carga residual. Este processo deixa o forno apto para voltar a operar.

Queda na venda do aço é o argumento da companhia para o desligamento (Foto: Divulgação)

Sindicato diz que medida pode causar demissão em massa

O desligamento do altoforno 1 da Usiminas (ex- Cosipa) foi comunicado oficialmente à direção do Sindicato dos Metalúrgicos da Baixada Santista, na manhã da última sexta-feira. Dois diretores da empresa estiveram no sindicato em Santos, e se reuniram com sindicalistas.

“A empresa diz que não haverá desemprego, mas nós não acreditamos nisso. São cerca de 100 trabalhadores, altamente especializados, que trabalham no alto-forno 1, cujo funcionamento e produtividade depende de uma cadeia produtiva de trabalhadores, terceirizados ou formais, que somam mais de 1 mil pessoas”, explica Florêncio Resende de Sá, Sassá, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos.

O sindicalista informa que hoje a Usiminas possui um quadro com 5.200 empregados e mais cerca de 8 mil terceirizados e vem ao logo dos anos, precarizando serviços.

“A princípio, o alto-forno 1, sofrerá um abafamento, isto significa que não será totalmente desligado, pois permanecerá ligado com uma temperatura em nível mínimo, sem nenhuma produtividade. Vamos lutar para que a Usiminas mantenha esses trabalhadores em outros postos, pois não podemos admitir que centenas de pais de famílias sejam colocados na rua e nem que sejam retirados seus direitos arduamente conquistados ao longo dos anos”, diz Sassá.

Ele conclui informando que a categoria está em campanha salarial, pois a data-base para reajuste de salários é neste mês de maio. “Fomos surpreendidos com essa decisão, mas não podemos retroceder em nossas negociações. Vamos mobilizar a categoria para garantia do mercado de trabalho”.