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DITADURA

Ato pede cessão de prédio do antigo DOPS em Santos para memorial às vítimas

Objetivo é transformar prédio onde teriam sido praticadas torturas contra estudantes, trabalhadores e políticos em biblioteca e em espaço para pesquisa sobre os impactos da repressão militar em Santos

Nilson Regalado

Publicado em 01/04/2024 às 20:41

Atualizado em 01/04/2024 às 21:18

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Segundo o Comitê Popular, o imóvel, que após o fim da ditadura chegou a abrigar a 16ª Circunscrição Regional de Trânsito de Santos 16ª Ciretran) até 2015, serviu ao antigo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) de Santos / Divulgação

O Comitê Popular de Santos por Memória, Verdade e Justiça promoveu ontem um ato simbólico na esquina da Rua Alexandre Herculano com a Avenida Conselheiro Nébias, no Boqueirão, para marcar os 60 anos do golpe militar de 31 de março de 1964. A manifestação começou às 19 horas e o local foi escolhido porque, naquela esquina, no prédio histórico que está tomado pelo mato e à beira da ruína, funcionou um aparelho de repressão para onde eram levados presos políticos, entre estudantes, operários, lideranças sindicais e políticas contrários ao regime ditatorial que se instalou no País. A ideia é reivindicar que o sobrado, que foi erguido em 1929 e tombado pelo patrimônio histórico, seja transformado em um memorial que não deixe morrer a história do golpe militar e suas implicações na história do País. O Comitê Popular espera que o imóvel com 820 metros quadrados também sirva para preservar a história das vítimas da repressão política e militar que durou 21 anos e só terminou em 1985, quando o País finalmente voltou a ser governador por um civil. 

Segundo o Comitê Popular, o imóvel, que após o fim da ditadura chegou a abrigar a 16ª Circunscrição Regional de Trânsito de Santos 16ª Ciretran) até 2015, serviu ao antigo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) de Santos – órgão da repressão que ficou marcado na história por monitorar e torturar opositores do regime militar.

O sobrado pertence à Coordenadoria do Patrimônio do Estado de São Paulo e chegou a ser colocado em leilão no início da década, mas não apareceram arrematantes. A antiga sede do DOPS chegou a ser invadida por moradores de rua e saruês após a saída da Ciretran do local.

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“Ali há testemunhos de que se escutava o grito de pessoas sendo torturadas. É importante que aquele imóvel vire um memorial. Santos foi a cidade mais atingida pela ditadura, com danos irreparáveis na sua estrutura econômica. É justo reivindicar esse espaço ao governador (Tarcísio de Freitas)”, resume José Luiz Baeta, um dos coordenadores do Comitê Popular. “Temos um acervo de 80 títulos diferentes sobre a memória dos combatentes contra a ditadura e com os conceitos fundamentais sobre direito de transição. E não temos um espaço para essa biblioteca. Santos precisa preservar sua história para as próximas gerações”, completa Baeta.

O DOPS teria iniciado suas ações repressivas no Palácio da Polícia, onde atualmente funciona o plantão do 1º Distrito Policial. E, depois, teria migrado para a esquina da Alexandre Herculano com a Conselheiro Nébias. Mas, o Comitê Popular ainda busca esclarecer pontos obscuros desse período.

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FILME E DEBATE.

Mas, a programação de atos em prol da democracia segue no próximo dia 10, quando será realizado o Seminário Internacional: Reparação, Memória e Justiça de Transição – os casos da Argentina e do Brasil. A atividade será na Universidade Católica de Santos, na Avenida Conselheiro Nébias, 300, Vila Mathias. O seminário será das 9 às 12 horas e das 19 às 22 horas.

No próximo dia 12, no auditório do Instituto Federal de Cubatão, à Rua Maria Cristina, 50, Casqueiro, ocorrerá o “Seminário 60 anos do Golpe” com a exibição do filme “Navio Raul Soares: o navio da agonia”. O filme tem 74 minutos e será exibido pela manhã. Em seguida, haverá um debate com a professora e jornalista Lídia Maria de Melo, autora do livro “Raul Soares, um navio tatuado em nós”.

A programação seguirá à tarde, das 14 às 18 horas, com “O genocídio das nações indígenas brasileiras – O controle e a repressão aos Waimiri-Atroari nas fronteiras Amazônia/Roraima ontem e hoje”. Apresentação e debate com Adriana Gomes Santos, da Universidade Federal de Roraima.

À Noite, das 19 às 22 horas, a programação inclui “Uma história política dos trabalhadores: a luta por reparação e justiça – O caso da Companhia Docas de Santos”, seguido de debate com Antônio Fernandes Neto, que integrou a Comissão Nacional da Verdade no GT 13: Ditadura e repressão aos trabalhadores e ao movimento sindical, e Vivian Mendes, membro da Comissão Estadual da Verdade.

As atividades terminam no dia 24, relembrando o dramático dia em que os agentes da repressão atracaram o navio-presídio Raul Soares no Porto de Santos para torturar, durante meses, diversos trabalhadores ligados ao movimento sindical e operário da região. O “Sítio de Consciência Raul Soares Nunca Mais!” será no ponto de embarque das balsas, atrás da Alfândega, no Centro, a partir das 19 horas. 

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