Professor envolvido em fraudes no Pará e Maranhão é preso em escola particular de Santos

Além dele, em Guarujá, duas irmãs, de 40 e 42 anos, foram presas quando saíam de um prédio. As prisões fazem parte da primeira fase da Operação 'Energos', da Polícia Civil

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10 JUN 2021Por Da Reportagem17h30
Todo o material apreendido será periciado na cidade de BelémTodo o material apreendido será periciado na cidade de BelémFoto: Divulgação/Polícia Civil

Um professor, de 54 anos, foi preso no momento em que em ministrava aula em uma escola particular em Santos. Ele é apontado como responsável pela invasão do sistema de uma empresa de distribuição de energia elétrica nos Estados do Pará e Maranhão, que gerou um prejuízo avaliado em R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). Além dele, em Guarujá, duas irmãs, de 40 e 42 anos, foram presas quando saíam de um prédio, localizado em uma área nobre da cidade. Uma delas, já praticou diversos golpes no setor imobiliário daquela região, e registra antecedente criminal pelo crime de estelionato. As mulheres são apontadas como autoras intelectuais do esquema milionário. As prisões fazem parte da primeira fase da Operação “Energos”, da Polícia Civil.

Entre terça (7) e quarta-feira (8), policiais que atuam na 3ª Delegacia da DEIC do Deinter-6 de Santos, juntamente com equipes da Polícia Civil do Estado do Pará, efetuaram prisões de pessoas envolvidas em golpes contra a empresa de distribuição de energia elétrica. Há um ano, equipes da Diretoria Estadual de Combate a Crimes Cibernéticos (DECCC) do Pará investigam uma organização criminosa acusada da prática dos crimes de lavagem de dinheiro, furto mediante fraude, falsificação de documento, estelionato e invasão de dispositivo informático com o objetivo de obter prejuízo econômico.

Na residência do professor, foram encontrados documentos, dispositivos de armazenamento, celulares, chips e um notebook, que estava com a câmera coberta com um adesivo, chamando a atenção dos policiais. Na residência das irmãs, celulares, documentos, computadores e folhas de cheques foram apreendidos.

O caso

Segundo apurado, no primeiro semestre de 2020, hackers invadiram uma recém lançada plataforma digital da companhia elétrica e tiveram acesso aos dados cadastrais dos usuários. Fazendo uso de alta tecnologia, os criminosos alteravam o e-mail cadastrado para o recebimento da fatura mensal, colocando um endereço eletrônico falso, criado pelo grupo criminoso. Desta forma, quando a fatura verdadeira era encaminhada ao e-mail “fake”, os acusados mudavam o código de barra, e reenviavam a fatura, desta vez para o e-mail verdadeiro do cliente.

Sem conhecimento do esquema fraudulento, os consumidores efetuavam o pagamento, que tinha como destino a conta de pessoas utilizadas como “laranjas”. Sem a conta paga de forma efetiva, os consumidores tinham o fornecimento interrompido, acarretando grande prejuízo econômico.

Através de trocas de informações e inteligência policial nos trabalhos realizados entre as polícias dos dois estados, nesta primeira fase da Operação “Energos” foram cumpridos mandados de buscas domiciliares e mandados de prisões temporárias na região da Baixada Santista.

Os três presos foram conduzidos à DEIC do Deinter-6 de Santos. Após a formalização dos atos de Polícia Judiciária foram encaminhados à cadeia pública, onde permanecem à disposição da justiça. Todo o material apreendido será periciado na cidade de Belém.

Segundo o Delegado Diretor do Deinter-6 de Santos, Doutor Manoel Gatto Neto, “é de grande importância estreitar os laços de atuação entre as polícias civis dos estados para o enfrentamento e combate dos crimes praticados por organizações criminosas através da internet”.

Investigações e diligências prosseguem para identificação e prisão de outros integrantes da organização criminosa.