Droga que iria para a Europa é apreendida em São Vicente

Guarda portuário e auxiliar de despachante aduaneiro são presos. Carregamento de cocaína, avaliado em no mínimo R$ 720 mil, seria levado para uma máfia italiana

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30 JAN 201511h14

A ponta de um iceberg. É dessa forma que a Polícia Civil avalia a apreensão de 60,9 quilos de cocaína com alto grau de pureza realizada na manhã de ontem, em São Vicente. Em decorrência da apreensão, foram presos por tráfico e associação ao tráfico um guarda portuário de 32 anos e um auxiliar de despachante aduaneiro de 34, que segundo apurou a polícia, têm envolvimento no envio de cocaína para a Europa.

Conforme informações obtidas pelo DL junto à investigação, um cartel sul-americano é o fornecedor da cocaína de alta pureza, batizada pelo narcotráfico como “escama de peixe” para uma máfia italiana.

Em entrevista concedida ontem à tarde, o delegado Luiz Ricardo de Lara Dias Júnior, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Santos não comentou origem e destino da droga, mas garantiu haver indícios de que o guarda portuário e o auxiliar de despachante aduaneiro detidos integrem uma quadrilha que exporta cocaína pelo Porto de Santos.

Dias Júnior afirma que a condição pessoal dos investigados sugere o envolvimento com a exportação de droga. Ele ressalta que o guarda portuário tem fácil acesso às margens direita e esquerda do Porto de Santos. Já o auxiliar de despachante aduaneiro, afirma Dias Júnior, “tem todo o conhecimento técnico e específico para o desembaraço das cargas que não só chegam como também saem do Porto de Santos”.

As investigações, em conjunto com o núcleo santista do Grupo de Atuação Especial de Repressão Especial ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, foram iniciadas no final do ano passado.

Informações obtidas durante a investigação indicam que a cocaína seria colocada em um navio na noite de ontem ou na noite desta sexta-feira (Foto: Divulgação)

Flagrante

O guarda portuário e o auxiliar de despachante foram presos pela equipe do delegado Dias Júnior e do investigador Paulo Carvalhal em duas casas situadas em um condomínio na Vila Voturuá. No forro da casa do guarda foram encontrados os 60,9 quilos de cocaína, que estavam em três malas.

A polícia diz que o guarda negou ser o responsável pela droga e disse que ganharia R$ 2 mil pela guarda da droga para o auxiliar de despachante. Na casa do segundo investigado nenhum material ilícito foi encontrado. O auxiliar de despachante disse à polícia que só irá se manifestar em juízo.

Durante a operação, um primo do guarda portuário, de 22 anos, foi detido em um apartamento no Gonzaga, em Santos, após a polícia encontrar uma munição de uso restrito que ele deixou na casa dos pais, em Cubatão. Em uma rede social, o rapaz exibe fotos com armas de grosso calibre. Ainda não há indícios de vínculo dele com o narcotráfico.

Codesp

A Codesp informou que vai abrir um procedimento interno para apurar a conduta do guarda portuário.

O presidente da companhia, Angelino Caputo, frisou  que a apuração pela Comissão pode resultar em demissão por justa causa.

Caputo disse ainda que fatos como este não podem comprometer uma instituição “em sua esmagadora maioria formada por pessoas honradas, honestas e trabalhadoras”.

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