Casal de São Paulo é preso em Praia Grande

O zelador foi assassinado com requintes de crueldade no prédio em que trabalhava na Capital. Diversas discussões culminaram no crime

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03 JUN 201410h58

A polícia prendeu ontem na Praia Grande, o publicitário Eduardo Tadeu Pinto Martins, de 47 anos, e a mulher dele, a advogada Ieda Cristina Cardoso da Silva Martins, de 42, sob a acusação de assassinar o zelador do prédio onde moram, Jesi Lopes de Sousa, de 63 anos. Sousa estava desaparecido desde a sexta-feira, quando foi visto pela última vez entregando correspondência dentro do edifício, na Rua Zanzibar, na Casa Verde, zona norte de São Paulo. O corpo, esquartejado e com sinais de queimaduras, foi encontrado ontem na casa do pai do publicitário na  Praia Grande.

O acusado foi preso quando tentava queimar as vísceras do zelador. Martins e Ieda tiveram a prisão temporária decretada. Segundo o delegado Ismael Rodrigues, da 4ª Delegacia Seccional, o publicitário confessou o crime. Admitiu ter brigado com o zelador, mas afirmou que a morte foi acidental - Sousa, segundo Martins, bateu a cabeça no batente da porta. “Nós não acreditamos nessa versão. Ele matou de maneira proposital”, disse o delegado.

De acordo com Rodrigues, o corpo foi achado ao lado da churrasqueira da casa do pai do publicitário. “Ele (o assassino) usou um serrote para cortar a vítima no domingo”, afirmou o delegado.

De acordo com o advogado Robson de Souza, que representa a família do zelador, o motivo do crime foi uma briga por vaga na garagem do condomínio, mas o casal discutia havia muito tempo com Sousa.

Nas imagens do sistema de monitoramento do prédio, o zelador foi filmado pela última vez descendo do elevador em um dos andares. A polícia não informou se era o andar onde o acusado morava. Várias buscas foram feitas por parentes e funcionários.

 Eduardo Martins e a mulher dele, Ieda Cristina, tiveram prisão decretada pela justiça (Foto: Estadão Conteúdo)

Gritos e discussão

Para o advogado da família, o zelador foi asfixiado e morto na tarde de sexta-feira. A moradora do apartamento 114 relatou que ouviu gritos e discussão. De acordo com a testemunha, alguém “pedia para parar”. Ela contou ainda que viu o publicitário, morador do apartamento 111, fechando a porta do imóvel. A testemunha confirmou que o publicitário tinha “problemas de relacionamento” com o zelador.

A polícia obteve as imagens do condomínio e constatou que o acusado saiu do prédio arrastando uma mala escura e “um saco de grande porte”, às 17h50 de sexta-feira. Nas imagens, a mala é colocada dentro de um Logan, registrado em nome da mulher do publicitário. A gravação mostra ainda que Ieda ajudou o marido.

Não há informação sobre o horário em que ele retornou com o carro. No mesmo dia, o corpo teria sido levado para a casa do pai do publicitário, em Praia Grande.

Roupa para doação

No sábado, os investigadores do 13.º DP foram até o apartamento do publicitário, que confirmou que havia discutido com o zelador diversas vezes. Afirmou, porém, que no dia anterior não havia se desentendido com a vítima. Os policiais foram então até o Logan e encontraram ali uma mala grande, semelhante à que o publicitário teria usado no dia do crime. Dentro dela havia roupas, que, segundo o casal, seriam doadas para a Igreja Santa Rita, mas estavam ali porque o local estava fechado.

Após ser informada da prisão do marido, Ieda apresentou-se ontem à polícia e, segundo o delegado Egídio Cobo, titular do 13º Distrito Policial (Casa Verde), demonstrou surpresa. O marido teria dito a ela que viajaria a trabalho para o litoral.

O delegado disse que, por enquanto, não há provas de que a advogada tenha participado do assassinato, mas ela é suspeita de ter ajudado o marido a ocultar o corpo.