Bandidos impõem terror a vereadores

Na noite da última terça-feira (3), Luciano de Moraes Rocha, o Tody (PMDB), teve a casa invadida por três criminosos. De janeiro até agora, mais cinco parlamentares sofreram ações de violência

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05 JUN 201410h43

Um assalto na residência do vereador Luciano de Moraes Rocha, o Tody (PMDB), na noite de terça-feira terminou com um bandido morto no forro de uma casa vizinha. Tody e um advogado que estava no imóvel  tiveram pertences e dinheiro roubados, mas não foram feridos na investida, ocorrida por volta de 21h.

Ao chegar à residência do vereador, em Morrinhos, a PM tentou prender os três assaltantes envolvidos no crime. O trio estava em cima do telhado e resistiu à abordagem efetuando disparos na direção dos policiais.

Os bandidos entraram na casa vizinha para fugir, mas somente dois conseguiram escapar. O acusado Emerson de Lima, de 22 anos, foi encontrado morto no forro da residência vizinha com uma perfuração na boca, provocada por disparo de arma de fogo. As circunstâncias de como a morte ocorreu estão sendo apuradas pela Polícia Civil.

Ao lado do assaltante, segundo a PM, estava um revólver de calibre 38 com a numeração suprimida, munições, um celular e um capuz.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado na Delegacia Sede de Guarujá, antes da chegada da PM os ladrões roubaram cerca de R$ 200,00 de Tody. Já do advogado foram subtraídos um iPhone, uma aliança e R$ 250,00.

Os três assaltantes renderam o vereador e um advogado. Foram subtraídos pertences e dinheiro (Foto: Divulgação)

O DL tentou entrar em contato com o vereador por telefone, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. Um assessor que atendeu uma das ligações para o celular do parlamentar disse que Tody “não se manifestaria por estar muito abalado”.

O caso é investigado pela equipe do delegado Luiz Ricardo de Lara Dias Júnior, titular do 1º Distrito Policial de Guarujá (Jardim Conceiçãozinha). 

Denúncias que ajudem a polícia a identificar e prender os dois assaltantes que fugiram podem ser transmitidas pelo telefone 181 (Disque-Denúncia). Não é necessário se identificar.

Ação de criminosos traz terror a seis vereadores este ano

Não se sabe se é coincidência ou uma ação orquestrada, mas desde janeiro, seis vereadores de Guarujá sofreram algum tipo ação criminosa na Cidade. É quase uma investida criminosa por mês contra os parlamentares, obrigando a Mesa Diretora a buscar algum tipo de proteção como, por exemplo, a presença de um segurança dentro do plenário todas as terças-feiras, dia em que se realiza a sessão.      

Antes do vereador Luciano de Moraes Rocha, o Tody (PMDB), ser vítima de roubo, foram alvos de criminosos Mário Lúcio da Conceição (PR), Jailton Reis dos Santos, o Sorriso (PPS), Geraldo Soares Galvão (DEM), Jaime Ferreira de Lima Filho, o Jaiminho (Pros), e o próprio presidente Marcelo Squassoni (PRB).

Mário Lúcio Conceição foi vítima de sequestro-relâmpago em fevereiro após ser rendido em sua casa. Ele fugiu após lutar com um dos bandidos dentro de carro. A mulher e um dos filhos dele foram libertados na Rodovia Cônego Domênico Rangoni. A quadrilha pretendia roubar R$ 300 mil, mas não encontrou a quantia e fugiu levando um radiocomunicador, R$ 4 mil, um anel de ouro, uma pulseira e um relógio do vereador.

Em março, bandidos invadiram a casa de Jaiminho, no Perequê. O vereador mudou-se para um prédio na Praia da Enseada, mas foi vítima de nova ação dos marginais, que renderam o porteiro e foram à procura do parlamentar, que não estava em casa.

Sorriso e Soares também foram vítimas de bandidos, mas ambos não registraram as ocorrências, conforme apurou o DL. Sorriso sofreu o suposto assalto em sua residência no núcleo conhecido como Maré Mansa. As informações extraoficiais dão conta que a iniciativa foi mais política do que criminal. Já Soares foi agredido pelos marginais, mas não foi revelado o motivo da violência. 

Ameças a Squassoni teriam sido feitas por telefone (Foto: Matheus Tagé/DL)

O presidente da Câmara, Marcelo Squassoni, não teria sofrido abordagem pessoal de bandidos, mas segundo apurou a Reportagem, teria sofrido constantes ameaças por telefone, o que o obrigou a contratar segurança particular e, também, para a Câmara, cuja assessoria deverá, hoje, se manifestar oficialmente sobre todos os episódios. 

Histórico de violência

Guarujá tem um histórico de crimes contra vereadores. Em 2010, o vereador Luiz Carlos Romazzini (PT) foi assassinado dentro de sua casa, no bairro do Jardim Conceiçãozinha, em Vicente de Carvalho. Ao atender, Romazzini é baleado em várias partes do corpo, inclusive na cabeça. O vereador chegou a ser socorrido, mas morreu a caminho do Hospital Santo Amaro (HSA).Acusado de ser o responsável pelos disparos que mataram Romazzini,  Marlon Furtado Portela foi condenado a 23 anos e quatro meses de prisão, enquanto um adolescente também envolvido foi internado na Fundação Casa. A Justiça concluiu que houve um crime patrimonial, já que os acusados disseram que pretendiam roubar R$ 26 mil provenientes de verba de campanha na moradia.

Em 1997, o vereador Orlando Falcão, de 57 anos, foi baleado quando estava em um bar na Praia da Enseada. Um menor chegou de moto, acompanhado de um homem, e disparou três tiros contra Falcão, que foi socorrido no HSA, mas não resistiu. Falcão era um dos integrantes de uma comissão de vereadores que investigava venda ilegal de terrenos em Guarujá. O suplente de Falcão foi acusado de ser o mandante do crime. Ele chegou a ser preso, mas foi absolvido pela Justiça.

Em novembro de 2001, o vereador Ernesto Pereira foi encontrado morto com vários tiros dentro do carro dele, a duas quadras de casa, na Avenida Guadalajara. Professor Ernesto, como era conhecido, estava no segundo mandato e tinha 38 anos. O autor foi julgado e condenado, negando a autoria do crime. Os mandantes nunca foram descobertos. Existe uma versão popular sobre os motivos do crime. A de que o Professor Ernesto estaria prestes a denunciar um forte esquema de jogo ilegal na Cidade. Mas as investigações caminharam no sentido de se caracterizar como crime passional.   

Em 2008, o então candidato a vereador Willians Andrade Silva, conhecido como Frank Willian, foi executado na Praia da Enseada. Homens que estavam em uma moto dispararam três tiros contra o candidato. Ele tinha 41 anos e morreu em frente à casa de um amigo, na Avenida das Américas. A polícia definiu o crime como revanche em virtude dos antecedentes criminais da vítima. Mas sua morte ainda é um mistério.

O vereador Mário Lúcio foi mantido refém por criminosos durante sequestro-relâmpago em fevereiro (Foto: Luiz Torres/DL)

Comitiva foi à SSP em fevereiro pedir mais segurança

Diante do aumento da incidência de assaltos em Guarujá no início do ano, uma comitiva de vereadores da cidade  entregou, em 26 de fevereiro, uma lista com oito reivindicações ao secretário estadual da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, durante reunião na sede da pasta, no Centro de São Paulo.

Um dos pedidos dos vereadores foi o funcionamento por 24 horas do 2º Distrito Policial de Guarujá, em Vicente de Carvalho. Atualmente, somente a Delegacia Sede tem funcionamento ininterrupto no município.

Em apoio aos vereadores, também estiveram no encontro os deputados estaduais Gilmaci Santos (PRB) e Rita Passos (PSD).

Na noite de 25 de fevereiro, os representantes da Câmara  de Guarujá estiveram na Assembleia Legislativa, onde receberam o apoio formal do presidente da Casa, Samuel Moreira, e de mais de 40 deputados estaduais.