Buracos negros entram em rota de colisão e cientistas explicam como efeitos podem chegar à Terra

Fenômeno raro em galáxia a 500 milhões de anos-luz intriga cientistas, que monitoram sinais e tentam entender quando efeitos poderão ser detectados na Terra

Sistema compacto explica possível colisão dos buracos negros em curto prazo

Dois buracos negros entram em rota de colisão / Freepik / IA

Em uma galáxia distante, mas não tão “muito, muito distante” assim, um fenômeno raro começa a chamar atenção dos cientistas. No centro da Markarian 501, pesquisadores identificaram dois buracos negros supermassivos presos em uma órbita conjunta, em um sistema que pode terminar em colisão.

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A estimativa surpreende: o impacto entre os dois pode acontecer em cerca de 100 anos. Em termos astronômicos, isso é praticamente imediato.


Descoberta dos buracos negros começou com sinal fora do padrão

Inicialmente, os cientistas acreditavam que havia apenas um buraco negro no núcleo da galáxia. No entanto, ao aprofundar a análise, perceberam inconsistências nos sinais observados.

Além disso, surgiram evidências de dois jatos de energia distintos, o que indicou a presença de um sistema binário. Ou seja, dois buracos negros orbitando um ao redor do outro.

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Para chegar a essa conclusão, a equipe utilizou dados coletados por radiotelescópios da rede Very Long Baseline Array, analisando dezenas de observações ao longo do tempo.

Sistema compacto explica possível colisão dos buracos negros em curto prazo

Outro ponto que chamou atenção foi a distância entre os dois objetos. Os cálculos indicam uma separação entre 250 e 540 vezes a distância da Terra ao Sol.

Apesar de parecer grande, esse intervalo é considerado pequeno em escala cósmica. Por isso, os dois continuam perdendo energia enquanto orbitam e, como consequência, se aproximam gradualmente.

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Esse movimento ajuda a explicar por que a colisão pode acontecer em um intervalo tão curto. Normalmente, fusões desse tipo levam milhões ou até bilhões de anos.

Colisão pode gerar ondas detectáveis da Terra

Se o cenário se confirmar, o choque deve liberar uma enorme quantidade de energia. Além disso, o evento tende a gerar ondas gravitacionais intensas, capazes de atravessar o espaço-tempo.

Essas ondas já foram detectadas em colisões menores. No entanto, neste caso, a escala seria muito maior.

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Por isso, os cientistas avaliam que será possível captar esses sinais a partir da Terra, o que permitiria acompanhar um fenômeno desse porte com mais precisão.

Apesar dos indícios, os pesquisadores tratam a previsão com cautela. A colisão em cerca de 100 anos é, por enquanto, a hipótese que melhor explica os dados observados, mas ainda depende de confirmação.

O estudo foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e segue sendo analisado pela comunidade científica.

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Caso pode ajudar a entender evolução do Universo

Se confirmado, o sistema pode ajudar a explicar como buracos negros crescem e como galáxias evoluem ao longo do tempo.

Além disso, a possibilidade de acompanhar um processo desse tipo em um intervalo relativamente curto torna o caso um dos mais relevantes da astronomia recente.

Mesmo assim, não há risco para a Terra. A galáxia fica a cerca de 500 milhões de anos-luz de distância, o que mantém o fenômeno fora de alcance, mas dentro do radar dos cientistas. Confira como funcionam os buracos negros nesse vídeo do canal Nerdologia.