Ave mais bonita do mundo vira praga ambiental e cria situação inédita em cidade litorânea

O que antes era considerado uma simpática atração turística e um símbolo local passou a ser visto por boa parte da população como uma dor de cabeça diária

Estimativas apontam que entre 120 e 400 pavões circulam livremente pela cidade, ocupando ruas, telhados, jardins, estacionamentos e até praias

Estimativas apontam que entre 120 e 400 pavões circulam livremente pela cidade, ocupando ruas, telhados, jardins, estacionamentos e até praias

Uma pequena vila litorânea no norte da Itália está enfrentando um problema inusitado e barulhento. Punta Marina, um distrito costeiro de Ravenna, na região da Emília-Romanha, viu sua população de pavões explodir nos últimos anos.

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Agora, as aves se tornaram as grandes protagonistas de uma disputa que divide moradores, autoridades e defensores dos animais.

Estimativas apontam que entre 120 e 400 pavões circulam livremente pela cidade, ocupando ruas, telhados, jardins, estacionamentos e até praias.

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O que antes era considerado uma simpática atração turística e um símbolo local passou a ser visto por boa parte da população como uma dor de cabeça diária.

As origens do fenômeno

A origem dessa “invasão” remonta a décadas atrás. Segundo relatos locais, os primeiros pavões teriam surgido a partir de animais mantidos por moradores ou que escaparam de uma antiga área militar abandonada próxima à praia.

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Com o passar do tempo, as aves encontraram o cenário ideal para se reproduzir e expandir a população de forma expressiva.

Esse crescimento acelerado tem uma explicação biológica e urbana clara. Diferentemente do que ocorre em áreas florestais, os pavões passaram a viver em regiões urbanizadas, onde praticamente não encontram predadores naturais.

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Lobos e raposas, que poderiam controlar a espécie, permanecem nos bosques vizinhos, longe das áreas residenciais.

Para completar, a hospitalidade de muitos moradores e turistas que costumavam alimentar as aves favoreceu ainda mais essa proliferação sem freios.

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Barulho, sujeira e carros arranhados

As principais reclamações da comunidade envolvem o comportamento dos pavões durante a época de reprodução, que ocorre na primavera europeia.

Nessa fase, os machos emitem gritos extremamente altos e agudos para atrair fêmeas e afastar rivais. Moradores afirmam que a cantoria começa ainda na madrugada, comprometendo gravemente o descanso de quem vive na região.

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Além da poluição sonora, as aves deixam fezes em calçadas, jardins e entradas de residências, gerando constantes queixas relacionadas à limpeza urbana.

Período reprodutivo e danos materiais

Outro problema recorrente e que pesa no bolso são os danos materiais, visto que os pavões costumam subir em carros estacionados e atacar seus próprios reflexos na lataria ou nos vidros.

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Ao acreditarem que estão diante de um rival, eles bicam e usam as garras, arranhando veículos, telhados e até chaminés metálicas.

Especialistas explicam que esse comportamento é perfeitamente natural para a espécie pois, durante o período reprodutivo, os machos tornam-se extremamente territoriais e reagem de forma agressiva a qualquer imagem que interpretem como um concorrente direto.

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Uma comunidade polarizada

Essa convivência forçada acabou dividindo Punta Marina em dois grupos com visões completamente opostas.

De um lado, existem os moradores que exigem a retirada imediata ou a transferência das aves para áreas rurais ou reservas adequadas.

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Eles argumentam que a situação saiu do controle e que os impactos negativos sobre a qualidade de vida e a tranquilidade da vila aumentam a cada ano.

Por outro lado, os defensores dos animais enxergam os pavões como parte indissociável da identidade e do charme local.

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Para esse grupo, as aves encantam os visitantes, impulsionam o turismo e poderiam continuar convivendo harmoniosamente com a população, desde que a prefeitura implementasse medidas de manejo adequadas e éticas, sem recorrer à remoção em massa.

Essa forte polarização ficou evidente em tentativas anteriores de controle.

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Em 2022, as autoridades locais estudaram um plano para retirar parte da população de pavões, mas a iniciativa foi interrompida após uma forte onda de protestos de organizações de proteção animal e de moradores favoráveis à permanência das aves.

Estratégias de conscientização e controle

Diante do impasse e da dificuldade de remover os animais, a administração municipal passou a apostar em campanhas de conscientização.

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A principal medida adotada até o momento foi orientar rigorosamente moradores e turistas a pararem de oferecer alimento às aves.

A expectativa é que, ao reduzir a oferta de comida fácil, os animais diminuam a dependência das áreas urbanas e evitem a formação de novas colônias próximas às residências.

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Paralelamente, as autoridades planejam realizar um censo detalhado para determinar o número exato de aves na vila e avaliar quais estratégias de longo prazo poderão ser implementadas.

Entre as alternativas que estão sendo estudadas, figuram programas de adoção monitorada por criadores autorizados e por propriedades rurais de outras regiões da Itália.

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O dilema do patrimônio vivo

Originário do sul da Ásia, especialmente da Índia e do Sri Lanka, o pavão é mundialmente admirado pela exuberante cauda colorida dos machos.

Ao longo da história, a ave foi associada à nobreza, à beleza e até à imortalidade, chegando a estampar diversas obras de arte e os famosos mosaicos históricos da própria cidade de Ravenna.

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Apesar de toda essa elegância e carga cultural, especialistas alertam que a gestão de grandes populações de pavões em áreas urbanas impõe desafios muito semelhantes aos observados com pombos, javalis ou macacos em outras partes do planeta.

Sem um controle populacional ativo e sem a presença de predadores, a tendência natural é que o número de indivíduos continue subindo.

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Por enquanto, Punta Marina segue dividida entre o encanto e o incômodo. Enquanto uma solução definitiva não avança, os moradores continuam acordando ao som de um dos casos mais curiosos e barulhentos de convivência entre humanos e a vida selvagem na Europa moderna.