Macrodrenagem do Rio Santo Amaro começa em Guarujá; intervenção reconstruirá canais

Com previsão de 30 meses, obras acontecem na região do Santo Antônio, que receberá também nova infraestrutura viária. Investimento é de R$ 77,5 milhões

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07 ABR 2021Por Da Reportagem13h10
Cronograma de obras prevê 30 meses de trabalho, com investimentos de R$ 77,5 milhões do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR)Cronograma de obras prevê 30 meses de trabalho, com investimentos de R$ 77,5 milhões do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR)Foto: Helder Lima / Prefeitura Municipal de Guarujá

Historicamente, os moradores do bairro Santo Antônio sofrem com o calvário das inundações e alagamentos. E não precisa nem chover: basta uma alta da maré para que a região, situada na Bacia Hidrográfica do Rio Santo Amaro, seja afetada, implicando no extravasamento de canais e dificultando a vazão de águas. Para minimizar esses impactos, a Prefeitura de Guarujá inicia as intervenções da primeira etapa da macrodrenagem do Rio Santo Amaro, uma obra histórica e que vai mudar a vida dos moradores do bairro.

O cronograma de obras prevê 30 meses de trabalho, com investimentos de R$ 77,5 milhões do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). O projeto executivo prevê a construção de três reservatórios controlados por comportas, reconstrução de canais, obras de drenagem e pavimentação. 

O conjunto de intervenções proposto para o local constitui-se de um sistema de proteção contra inundações composto pela ampliação da capacidade dos canais e galerias existentes, associado a um sistema de proteção dos efeitos de maré. 

De acordo com o projeto, os piscinões, que são reservatórios de água, ficarão no final de cada canal, próximos ao Rio Santo Amaro, e entre eles haverá um dique de proteção. 

O primeiro, que será erguido na Rua Paulo Orlandi, será o menor, com volume útil de 7.078 m³, com três metros de altura. O segundo, situado atrás do Conjunto Habitacional Wilson Sório, terá capacidade de 22.897 m³, com níveis de água de até três metros, e receberá a vazão dos canais da Av. Francisco Arnaldo Gimenez e da Rua das Magnólias. 

conjunto de intervenções proposto para o local constitui-se de um sistema de proteção contra inundações composto pela ampliação da capacidade dos canais e galerias existentes, associado a um sistema de proteção dos efeitos de maré

O terceiro, que receberá as águas do canal da Av. das Acácias, comportará um volume útil de 21.988m³. Somados, os reservatórios comportarão volume de água semelhante ao de 20 mil piscinas olímpicas, que têm 50 metros de extensão e dois metros de profundidade. 

“Essas vias também serão contempladas com obras de infraestrutura viária, compreendendo serviços de drenagem, asfalto, calçadas, guias e sarjetas. Além disso, os canais localizados na extensão delas serão reconstruídos”, explica o secretário de Infraestrutura e Obras, Adilson de Jesus.

“As obras buscam solucionar um problema de décadas e melhorar a qualidade de vida não só dos moradores do bairro, mas também da população da cidade em geral, que se vê privada de transitar pelo bairro em momentos de chuvas mais intensas. Vamos conseguir reduzir consideravelmente o histórico problema das enchentes”, destaca o prefeito Válter Suman.

OCUPAÇÃO IRREGULAR.
O crescimento desordenado do Município ao longo de quase 100 anos contribuiu igualmente para a ocupação irregular de áreas de preservação permanente (APPs), o que só agrava o cenário. “Isso aumenta a impermeabilização do solo e impede a passagem natural de água da chuva, tendo em vista que diversos imóveis foram construídos às margens de afluentes, como é o caso do Rio Santo Amaro” aponta a secretária municipal de Planejamento, Polliana Iamonti.

Dada a envergadura do projeto, as intervenções que exigirem eventual desocupação de área serão devidamente avaliadas por técnicos da Prefeitura de Guarujá.
14 mil pessoas beneficiadas

Dados da Secretaria de Planejamento apontam que as obras vão beneficiar 13.665 pessoas que vivem naquela região. O Santo Antônio é um dos bairros mais populosos de Guarujá. A área do bairro totaliza 1,24 km², sendo que 92% estão ocupados.

A Bacia Hidrográfica do Rio Santo Amaro possui 32% de áreas de inundação. Segundo a Sabesp, 35% da malha viária do bairro não é dotada de rede de esgoto e cerca de 5% não tem rede de água.

De acordo com o projeto, os piscinões, que são reservatórios de água, ficarão no final de cada canal, próximos ao Rio Santo Amaro

ÁRVORES.
Uma obra de grandes proporções como a da macrodrenagem do Rio Santo Amaro prevê, ainda, outros tipos de intervenção para atingir seu objetivo final. Por isso, será necessário suprimir, transplantar e replantar árvores situadas no perímetro onde as intervenções serão realizadas. Esse trabalho vem sendo realizado desde o começo de fevereiro pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam).

Tudo está sendo planejado e executado de maneira a garantir que o município não perderá vegetação. Até agora já foram impactadas 112 unidades, todas na Avenida Francisco Arnaldo Gimenez, sendo que 11 delas já foram transplantadas para outras localidades. Ao final da obra, serão replantados mais de 600 novos arbóreos. 

Seis unidades da espécie Chapéu-de-Sol foram replantadas no próprio bairro Santo Antônio, além de Paecará e Vila Alice. Outras dois pés de Acerola foram transplantados, uma delas para a Praça Possidônio Xavier de Jesus e outra foi novamente plantada na residência de um munícipe, após pedido formalizado à Semam. Outros dois coqueiros baianos foram plantados na região da Enseada. Ambas foram na própria Avenida Miguel Estefno, ao lado do Posto 10, na orla. 

Por fim, outras duas amoreiras negras mudaram de lugar: uma foi para a Praça Possidônio Xavier de Jesus e outra em uma das ruas do bairro Santo Antônio. Todo o processo foi acompanhado por técnicos da Semam, para garantir o correto manuseio, transporte e replantio das espécies.

“Como foi preciso suprimir e transplantar algumas árvores do entorno para a realização da obra, na sequência entraremos com o replantio de mais de 600 exemplares para rearborizar o bairro”, explica o secretário de Meio Ambiente, Sidnei Aranha.

Para isso, serão utilizadas espécies adequadas para os perímetros urbanos, o que garantirá menor incidência de quedas, acidentes com rede elétrica e destruição de calçamento.