Câmara de Guarujá rejeita pedido de afastamento de Válter Suman, mas aceita denúncia

O prefeito Válter Suman foi preso na última quarta-feira durante operação da Polícia Federal

Comentar
Compartilhar
21 SET 2021Por LG Rodrigues17h13
Válter Suman foi liberado de prisão durante o último sábadoVálter Suman foi liberado de prisão durante o último sábado

Em uma sessão ordinária muito agitada e com os nervos à flor da pele, a Câmara dos Vereadores de Guarujá rejeitou o pedido de afastamento do prefeito Válter Suman (PSDB) de seu cargo. Em contrapartida, os parlamentares aceitaram a denúncia e uma Comissão Processante (CP) será criada para que todo o caso seja investigado a fundo pelos próprios edis.

Válter Suman e o secretário de educação, Marcelo Nicolau, foram presos na última quarta-feira (15) durante uma operação da Polícia Federal que apura um esquema de desvios de dinheiro na área da saúde. Agentes da instituição encontraram uma grande quantia de dinheiro escondida no apartamento de Nicolau e pouco mais de R$ 70 mil em imóveis ligados a Suman. Ambos foram soltos no último sábado (18) e o prefeito retornou às suas funções na segunda-feira (20) quando afirmou que sua prisão havia sido uma 'atrocidade'.

A sessão começou com plenário aberto ao público após uma portaria emitida pela mesa diretora ter liberado a entrada da população para acompanhar as atividades da Casa de Leis in-loco. O presidente da Câmara, José Nilton Lima de Oliveira (PSB), o Doidão, argumentou que seria importante para que os moradores pudessem estar presentes no dia da leitura de três pedidos de impeachment devido à prisão de Suman e Nicolau pela Polícia Federal.

O primeiro pedido de impeachment contra o atual chefe do Executivo guarujaense foi registrado na Câmara dos Vereadores pelo presidente do PDT no município, José Manoel Ferreira Gonçalves. O segundo veio das mãos de seis advogados, dentre os quais estão Rodrigo Barboza e Sergio Zagarino, que concorreram ao pleito da Prefeitura de Guarujá em 2020 e perderam para Suman no primeiro turno. Já o último pedido de afastamento foi registrado pelo ex-vereador Edilson Magaiver, que também concorreu ao cargo de prefeito no ano passado.

A sessão, que teve clima de ‘torcida organizada de futebol’ por parte do público participante começou um discurso do vereador Anderson Figueira Lopes (Podemos) que defendeu o afastamento de Suman para que ele possa se concentrar em sua defesa diante das investigações da Polícia Federal.

"Mantê-lo no cargo frente ao nosso município, frente à administração, poderá ser prejudicial ao nosso município. Além disso, o seu afastamento o permitirá mais tempo para que ele possa se defender. Proponho ao plenário o afastamento de Valter Suman de seu cargo para que ele responda ao inquérito", afirmou o parlamentar.

Na sequência, o vereador Wagner dos Santos Venuto (DEM), o Waguinho, pediu para subir ao púpito onde pediu que fosse transmitido um vídeo. Nas imagens, Válter Suman aparecia em um debate político afirmando que a ‘corrupção é a doença que mais mata no Brasil’ e em seguida, a música de abertura da série ‘A Grande Família’ tocou, mas o áudio foi rapidamente cortado pelos funcionários que cuidavam da transmissão da sessão para as redes sociais.

"Por mim o prefeito Valter Suman não estava mais sentado naquela cadeira. Já está comprovado, a Polícia Federal já tem materialidade para tirar aquele prefeito da cadeira dele, da zona de conforto. Não podemos aceitar essa organização criminosa administrando Guarujá, essa casa não vai aceitar. O Suman já está fazendo hora naquela cadeira, ele e toda a corja dele", afirmou Waguinho aos gritos.

O discurso inflamou o público presente, que começou a gritar mais alto do que antes. Após mais de dez minutos tentando fazer com que a leitura dos pedidos de cassação fosse efetuada, o presidente da Câmara conseguiu permitir que o 1º Secretário Raphael Vitiello prosseguisse com a sessão. Finalizada a leitura, mais confusão entre os participantes e a votação foi dividida em duas partes. Na primeira, os parlamentares votaram sobre o pedido de afastamento e apenas Waguinho e Anderson Figueira foram a favor, o que determinou que Suman seguirá no cargo máximo do Executivo guarujaense.

A decisão revoltou o público e algumas pessoas chegaram a se aproximar e bater no vidro que separava as cadeiras destinadas à população e o plenário. Mesmo com muitos protestos, logo em seguida foi realizada a votação que decidiria se uma Comissão Processante seria criada e todos os vereadores foram a favor, o que determinou sua instauração. Durante sorteio, os parlamentares Sirana (PTB), Fernando Martins dos Santos (MDB), o Peitola e Edmar Lima dos Santos (Progressistas), o Juninho Eroso, foram apontados como integrantes da CP.

A sessão foi interrompida após discussões entre vereadores e público devido à indignação deste último pela rejeição do afastamento de Válter Suman de seu cargo. Com o retorno dos parlamentares, a segunda denúncia também registrou rejeição do pedido de afastamento, entretanto, a criação de uma Comissão Processante também foi rejeitada, contrariando o resultado da denúncia inicial. Durante seu Voto de Minerva, o presidente José Nilton argumentou que votaria contra devido a uma comissão já ter sido aberta para investigar denúncia semelhante na primeira ocasião.

Na última denúncia, novamente decidida por voto do presidente da Câmara, houve rejeição do recebimento da denúncia pela Casa de Leis.