Time misto vence Palmeiras e transforma Santos no melhor da 1ª fase

Sem Cicinho, Jubal, Arouca, Cícero e Damião, o Santos fez valer a sua principal força, a movimentação ofensiva, para transformar o Palmeiras em telespectador

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23 MAR 201418h13

O Santos abriu mão de cinco titulares, e não precisou de nenhum deles para manter os 100% de aproveitamento na Vila Belmiro. O time misto escalado por Oswaldo de Oliveira continuou com força ofensiva suficiente para fazer 2 a 1 no Palmeiras e garantir a melhor campanha da primeira fase do Campeonato Paulista.

O Verdão não tinha Fernando Prass, Wendel, Wesley e França, e contou com fracas atuações de Valdivia e Bruno César. Melhor para o Peixe, que definiu o clássico ainda no primeiro tempo com gols de Neto, aos 24, e Thiago Ribeiro, aos 35 minutos. Alan Kardec descontou aos 43 da etapa final, mas o Alvinegro praiano, pelo menos até as semifinais, pode contar com o seu alçapão para buscar o título estadual.

O Santos atingiu 36 pontos e enfrenta a Ponte Preta em jogo único, na Vila Belmiro, nas quartas de final. O Palmeiras, que sofreu neste domingo a sua segunda derrota em 15 rodadas na competição, somou 34 pontos e encara o Bragantino na próxima fase, em partida que será disputada no Pacaembu.

O jogo

Embora sem Cicinho, Jubal, Arouca, Cícero e Leandro Damião, o Santos fez valer a sua principal força, a movimentação ofensiva, para transformar o Palmeiras em telespectador durante 15 minutos. Sem um centroavante definido, o rápido quarteto da frente forçava e conseguia os erros de Lúcio, Tiago Alves e Marcelo Oliveira. Substituto de Fernando Prass, o goleiro Brunpo era quem mais trabalhava.

O Santos abriu mão de cinco titulares, e não precisou de nenhum deles para manter os 100% de aproveitamento na Vila Belmiro (Foto: Ricardo Nogueira/DL)

O Verdão mal ficava com a bola e só conseguiu entrar na área adversária pela primeira vez aos nove minutos. Extremamente acuado, Gilson Kleina reforçou os pedidos de marcação ao seu quarteto ofensivo, exigindo o bloqueio das subidas de Bruno Peres e Mena e revezando Leandro e Valdivia como referência na frente.

Para diminuir os espaços do Peixe, Eguren virou terceiro zagueiro e o jogo, enfim, ficou equilibrado. O Palmeiras percebeu que tinha Juninho e a velocidade de Leandro como uma alternativa de explorar a defesa santista, tão pesada quanto a do Verdão. Até que um vacilo tirou a igualdade do clássico.

Bruno César errou passe na frente o contra-ataque se transformou em escanteio que Bruno não conseguiu evitar. Aos 24 minutos, então, nenhum jogador do Palmeiras saiu do chão e Neto subiu sozinho para testar firme. Como seus zagueiros, o goleiro Bruno também não se mexeu e viu a bola passar perto de seu corpo antes de balançar as redes.

Diante da fraca atuação de Valdivia e Bruno César, o Palmeiras se adiantou e, na pressão, quase fez um golaço quando Alan Kardec dominou e, sem deixar a bola cair, bateu em direção ao ângulo direito de Aranha, que se esticou para praticar grande defesa e espalmar a bola em seu travessão, aos 32 minutos.

Mas o Verdão continuava errando. Não aprendeu que o rápido ataque santista não pode ter espaço. Assim, aos 35 minutos, Geuvânio se aproveitou da marcação à distância de Marcelo Oliveira para lançar Thiago Ribeiro, que já correu deixando Eguren para trás, se livrou de Tiago Alves com um toque na bola e, sem deixar Lúcio alcançá-lo, tocou no canto de Bruno.

Na velocidade, o Peixe só não ampliou com Rildo, aos 38, porque Bruninho, que estreava no Palmeiras sendo escalado na lateral direita, pareceu ser o único a entender que não se pode deixar os santistas dominarem a bola e se esticou para cortar o lançamento ao atacante. Gilson Kleina tinha muito a arrumar no intervalo, enquanto Oswaldo de Oliveira via seu esquema funcionar mesmo com a troca de jogadores.

O técnico do Santos não tinha no que mexer e posicionou seu time para manter a posse de bola, à espera de espaços que certamente apareceriam para matar o clássico. Para anular isso, Kleina colocou Bruninho no meio-campo, deslocou Marcelo Oliveira para a zaga e jogou Tiago Alves na lateral direita, além de posicionar Eguren para cobrir as subidas de Juninho. Pelos lados, ao menos, o Peixe estava bloqueado.

O problema, contudo, era na frente. Valdivia e Bruno César erravam até cobranças de latera. Bruno César estava tão mal que, embora tenha levado perigo batendo falta, chutou em cima de Aranha quando Alan Kardec o deixou na frente do goleiro, aos 13 minutos do segundo tempo. O chileno, por sua vez, passou vergonha ao levar chapéu de Rildo, comemorado como gol na Vila Belmiro.

Mas, se faltava inspiração, não faltava empenho dos dois meias, que se mexiam e, com a colaboração de Alan Kardec, verdadeiro armador do time, o Palmeiras foi criando chances mesmo abrindo mão da marcação atrás. O problema estava em Aranha, goleiro que salvou na linha do gol uma finalização de Alan Kardec, aos 22 minutos.

Na tentativa de dar vida ofensiva ao time, Kleina trocou Bruno César, Eguren e Leandro por Patrick Vieira, Felipe Menezes e Vinicius, mas não conseguiu nem dar mais trabalho a Aranha. Tranquilo, Oswaldo de Oliveira só mexeu no time para manter o meio-campo preenchido.

Quando a torcida na Vila Belmiro já gritava "olé", Juninho cruzou para Alan Kardec finalizar nas redes, aos 43 minutos do segundo tempo. Mas não havia mais tempo para o Palmeiras buscar o ponto que garantiria para ele a melhor campanha da primeira fase.