Santos desmente Prefeitura e admite que Museu Pelé não foi a custo zero

A declaração de Modesto Roma Jr. contrapõe a nota do Município e cria um impasse obscuro Torcedores e conselheiros do Peixe passaram a questionar a falta de transparência no acordo

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01 MAI 201513h40

A marca Museu Pelé, divulgada no espaço nobre da camisa do Santos Futebol Clube durante o primeiro jogo da final do Campeonato Paulista, domingo passado, e que estampará o uniforme santista também neste domingo, na decisão da Vila Belmiro, contra o Palmeiras, virou motivo de discórdia entre Prefeitura Municipal e o clube, além de gerar irritação a torcedores e conselheiros.

O Diário do Litoral revelou, com exclusividade, na quarta-feira (29), o valor dos cinco patrocínios pontuais que o Peixe conseguiu para as finais do Estadual e também noticiou a resposta do governo municipal, responsável pelo Museu Pelé, de que o apoio era apenas institucional, sem envolver qualquer pagamento ao time da Vila Belmiro.

“A Prefeitura não patrocinou, nem repassou dinheiro público de forma direta ou indireta ao Santos Futebol Clube. O apoio ao SFC é apenas institucional. Não há qualquer tipo de acordo ou compromisso presente ou futuro de repasses de verbas públicas ao clube”, disse a nota oficial da Administração governada pelo Prefeito Paulo Alexandre Barbosa, à época.

No entanto, o mesmo Santos que havia confirmado a versão da Prefeitura Municipal, nesta quinta-feira, admitiu, por meio do presidente Modesto Roma Jr, que a exposição do patrimônio público não sairá a custo zero, como fora afirmado de forma taxativa anteriormente.

“A prefeitura não pode bancar o patrocínio por motivos legais. Mas o museu tem parceiros interessados em divulgar a casa. Um deles está pagando pelo patrocínio, mas não quer aparecer”, contou o mandatário ao blogueiro do Uol, o jornalista Ricardo Perrone.

A declaração contrapõe a nota do Município e cria um impasse obscuro. Torcedores e conselheiros do Peixe que haviam se indignado com a notícia de que o clube teria cedido o espaço nobre de sua camisa, em um momento de maior visibilidade, sem cobrar um centavo por isso, passaram a questionar a falta de transparência no acordo.

Vasco Vieira, que foi coordenador da campanha de Modesto à presidência, fez um longo desabafo em sua conta em uma rede social e avisou que, na próxima reunião do Conselho Deliberativo, irá protocolar o pedido para ter acesso ao contrato referente à exposição do Museu Pelé na camisa santista durante as finais do Paulista.

A marca Museu Pelé foi divulgada no espaço nobre da camisa do Santos durante o primeiro jogo da final do Campeonato Paulista (Foto: Ricardo Saibun/SFC)

Crise financeira

É importante destacar que o Santos Futebol Clube apresentou, também nesta quinta-feira, o balando financeiro da última temporada com um déficit de R$ 58, 955 milhões. Vivendo uma de suas crises financeiras mais temerárias na história da instituição, o Peixe não paga direitos de imagem desde agosto do ano passado para alguns atletas e teve o prêmio da Federação Paulista de Futebol, pago ao campeão e vice do Campeonato Paulista, bloqueado pela Justiça de São Paulo por causa de uma dívida de R$ 1,3 milhões com o ex-técnico Muricy Ramalho.

Diante disso, as declarações que garantiam a exposição do Museu Pelé a custo zero na camisa santista e agora a contraversão de que há um parceiro, por ora misterioso, bancando o acordo deixam o prefeito Paulo Alexandre Barbosa e o presidente Modesto Roma Jr em uma saia justa que precisará ser justificada, já que o espaço que recebe o acervo do maior jogador de futebol de todos os tempos é público, portanto, mantido com dinheiro do contribuinte.

O Museu Pelé é gerido pela Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) AMA Brasil e teve um investimento de R$ 50 milhões dos governos Estadual, Federal e da iniciativa privada.

Outros acordos

Sem conseguir fechar um patrocínio máster há quase dois anos e meio, o Peixe receberá R$ 90 mil da marca de refrigerantes Dolly (shorts), R$ 85 mil da Rafarillo Calçados (barra frontal da camisa), R$ 120 mil da 99Taxis (omoplata) e R$ 100 mil da Joli materiais de construção (barra traseira da camisa) em função dos acordos efetivados para os dois jogos frente ao Palmeiras que decidirão o Campeão Paulista de 2015. Além disso, a Corr Plastik paga R$ 5 milhões por ano para expor sua marca nas mangas da camisa.