Palmeiras cumpre sua missão, elimina Bragantino e está na semifinal

No domingo, o Verdão busca a vaga na decisão em confronto único diante do Ituano, novamente no Pacaembu

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27 MAR 201423h03

O Palmeiras ainda pode sonhar com o título paulista. Sem sustos, a equipe impôs seu jogo durante a maior parte da partida única das quartas de final e sai do Pacaembu nesta quinta-feira classificado com a vitória por 2 a 0 sobre o Bragantino, garantido na semifinal da competição.

O Verdão tem no Estadual o seu primeiro objetivo de taça no centenário, e mostrou isso em campo. Acuou o retrancado e violento Bragantino e abriu o placar com Alan Kardec, aos 21 minutos do primeiro tempo. Na volta do intervalo, Valdivia acordou e o time chegou a jogar sob o som de “olé” de quase 25 mil pagantes, selando o placar com Wesley, aos 17 minutos.

No domingo, o Palmeiras busca a vaga na decisão em confronto único diante do Ituano, novamente no Pacaembu. O Bragantino, por sua vez, passa a pensar na disputa da Série B do Campeonato Brasileiro.

O jogo

Da estrutura tática que armou na reta final da primeira fase do Campeonato Paulista, Gilson Kleina resolveu só corrigir a marcação, sacando Eguren e colocando Marcelo Oliveira como volante na proteção à zaga formada por Lúcio e Tiago Alves. Na frente, pela primeira vez, o quarteto ofensivo composto por Valdivia, Bruno César, Leandro e Alan Kardec contou com a dinâmica de Wesley.

A presença do volante foi fundamental para superar a previsível retranca armada pelo Bragantino. Como o Palmeiras já sabia, os visitantes colocavam sempre, ao menos, oito jogadores atrás da linha da bola e apostava em lançamentos ou chutões para Léo Jaime, que corria pedindo para receber uma falta e, então, o alto time de Marcelo Veiga ter chance de colocar seus grandalhões na frente de Fernando Prass.

Kardec e Wesley marcaram os gols da vitória do Palmeiras (Foto: Ale Cabral/Agência O Dia)

Mas Kleina soube armar surpresas contra o paredão. Wesley e Marcelo Oliveira alternavam-se saindo de trás com a bola, em estratégia usada até pelo zagueiro Lúcio. Com mais gente para marcar, o sistema defensivo vindo de Bragança Paulista se desfazia e sobrava espaço para o Verdão impor velocidade em seu toque de bola, acuando o adversário.

Só faltava espaço para entrar na área, e demorou para quem vestia verde em campo entender isso. Em meio à pressão, o Palmeiras só levava real perigo em chutes de fora da área, até porque Leandro teve mais uma apática atuação e prejudicava a movimentação na frente em busca de espaços na área e o rival não se envergonhava de parar as tentativas adversárias com falta..

Neste cenário, a melhor chance alviverde ocorreu apenas em escanteio cobrado por Wesley que Alan Kardec subiu na segunda trave para cabecear perto do poste. Era pouco diante da tamanha presença no campo adversário. Bruno César, então, superou erros técnicos que ainda demonstra para chutar de fora da área, sua principal característica.

O camisa 30 já tinha assustado Rafael Defendi em cobrança de falta e, aos 20 minutos, arriscou para obrigar o goleiro a espalmar para fora. Na cobrança de escanteio, Wesley bateu e o zagueiro Alexandre se enrolou com a bola, deixando-a na pequena área para Alan Kardec encher o pé, no fundo das redes.

Após a abertura do placar, foram jogados mais 26 minutos de primeiro tempo. Tempo no qual o Bragantino encontrou, enfim, o jogo que queria. O Palmeiras deixou de tocar a bola, recuou a marcação a ponto de, muitas vezes, só Valdivia ficar depois do meio-campo. Ocorreram, então, as faltas que Kleina tanto pediu para serem evitadas.

Enquanto o Bragantino comemorava, mas não aproveitava, a bola parada que passou a ter a seu favor, o árbitro Flávio Rodrigues Guerra virou protagonista. O juiz se recusava a dar cartões em lances agressivos, aplicava amarelo em quem não estava no lance e irritava os dois times, em cenário que beneficiava ainda mais os visitantes, dispostos a jogar no erro de quem atuava sob apoio de mais de 20 mil pessoas.

O intervalo serviu para o Palmeiras acordar, mas graças à atuação mais desperta de seu jogador mais caro. Valdivia resolveu entrar na partida, dando a movimentação e os passes em busca de espaço que tanto o Verdão precisou diante da retranca vinda de Bragança Paulista.

As chances claras apareceram. Aos oito minutos, o próprio chileno apareceu na área e obrigou Rafael Defendi a fazer excelente intervenção, repetindo a eficiência no rebote de Alan Kardec. Aos 13, foi a vez de Marcelo Oliveira sair da defesa e aplicar um chapéu antes de só não marcar um golaço por nova defesa do goleiro do Bragantino.

O ânimo mostrava que o segundo gol era questão de tempo, e veio graças a Valdivia. O camisa 10 brigou pela bola e lançou para Wendel, que encontrou Leandro na grande área. O atacante, em má fase, errou, mas Wesley teve tranquilidade para colocar o rebote nas redes adversárias, aos 17 minutos.

Perdendo, o Bragantino percebeu que a perseguição particular a Valdivia não adianta e passou a irritá-lo, inclusive com faltas duras. O chileno recebeu cartão amarelo e se envolveu em confusão na qual só não foi expulso porque o árbitro preferiu apenas punir Geandro, do Bragantino, com amarelo.

Na raça, Leandro parou mais uma vez em Rafael Defendi, e o Bragantino entendeu que só bater e defender não evitaria sua eliminação. Pela primeira vez, o time de Marcelo Veiga adiantou a marcação, ocupou por mais tempo o campo adversário e não descontou porque Fernando Prass espalmou bem arremate de Gustavo.

Gilson Kleina entendeu que o cansaço podia atrapalhar a classificação e preencheu seu meio-campo com Eguren e Patrick Vieira nos lugares de Bruno César e Leandro. Não foi mais necessário balançar as redes. Sob o som de “olé” da torcida palmeirense desde os 30 minutos do segundo tempo, o Verdão chegou à semifinal.