Arnold Sports 2026: Mulheres que suplementam testosterona não vão ficar ‘masculinas’, explica endocrinologista

Em uma palestra, o doutor Fernando Tostes desmistificou o uso hormonal para pacientes mulheres que buscam mais qualidade de vida

O endocrinologista negou que reposição hormonal altere a fisionomia das mulheres/Yuri Villaça/Gazeta de S. Paulo

O doutor Fernando Tostes participou na tarde desta sexta-feira (24) do Arnold Conference, no Arnold Sports Festival South America, no Expo Center Norte, em São Paulo. Durante a palestra “Terapia com testosterona em mulheres”, o endocrinologista comentou sobre a personalização, os supostos riscos e os benefícios após uso da reposição hormonal. “

No início da palestra, o profissional esportivo condenou a decisão da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) costumam emitir notas conjuntas sobre o uso hormonal, algo que Tostes considera “confuso” e “contraditório”.

“A testosterona não apresenta queda abrupta com a menopausa, havendo redução gradual ao longo da vida adulta”, argumenta os órgãos. Mas, Tostes aponta contradição na indicação do “uso terapêutico no pós-menopausa” como indicativo apenas para desejo sexual hipoativo.

O endocrinologista esclarece que a queda dos androgênios ocorre conforme a idade, e questiona os órgãos sobre o “por que só pensar em reposição após a menopausa?”. “Não sei porque eles não colocam referências nessas notas”, criticou Tostes, explicando que simultaneamente outras entidades internacionais apontam que o uso da testo não está associada ao risco cardiológico ou vasodilatador.

“Na verdade, em mulheres mais velhas, o que vemos é uma melhora significativa na qualidade de vida – diferente do que os órgãos sugerem”.

Vou virar “mulher macho”?

Fernando Tostes refutou a teoria de que o uso de testosterona seja exclusivo para homens, ainda que seja um hormônio mais presente de maneira completa no organismo masculino.

“Nem toda testosterona está circulando livremente, visto que 80% está ligada à SHBC, algo irreversível no corpo feminino”, explicou o profissional esportivo, reforçando que “não há evidencias de que o uso da ‘testo’ seria capaz de alterar a genética feminina”.

Além disso, “a mulher tem ação da testosterona no corpo inteiro”, incluindo cérebro, pele, músculo esquelético, sistema cardiovascular e outros. Tostes ainda esclareceu, na palestra, que alguns subtipos específicos de câncer de mama foram reduzidos conforme uso hormonal.

Quebrando tabus

Estudos do The Journal of The Menopause Society ainda expõem que os principais sintomas relatados por pacientes são 98% fadiga, 96% de névoa mental e 96% de baixa libido, dado que Tostes esclareceu não ser protagonista na pesquisa.

O doutor também incluiu que mulheres com baixa testosterona costumam apresentar sarcopenia, falta de motivação, humor deprimido e ansiedade. E reforça que a reposição do hormônio no corpo feminino é funcional para casos de cancer de mama, problemas ósseo e cardiovasculares.

“Lamento profundamente que, apesar de todos esses dados e pesquisas, não temos a liberdade médica de prescfrver da forma que eles mereciam”, desabafou Tostes, em meio ao seminário esportivo.

Qual é a melhor maneira de usar a testosterona?

Por fim, Fernando Tostes explicou que existem algumas formas de reposição e certas diferenças entre elas, pois depende da análise clínica de cada paciente e a compreensão da flutuação hormonal.

O endocrinologista recomenda o uso transdermico em gel, ainda que haja uma oscilação na dosagem e uma absorção de apenas 10%. Ainda que seja baixo, ele considera suficiente para a reposição.

Outros meios de reposição seriam os implantes/pellets, que tem baixa complexidade, com ótimo acompanhamento médico e maior reposição de testosterona. O médico também recomenda os métodos injetáveis e a absorção sublíngual, algo que ele considera mais efetivo que o meio por gel.