Sem emprego, moradora sobrevive com a venda de pirulitos em Itanhaém

Todos os dias, no horário das 8h30 às 14 horas, Sandra aborda os motoristas e oferece o doce em troca de qualquer contribuição em dinheiro

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08 MAI 2021Por Nayara Martins07h30
Sandra aborda os motoristas em semáforo do bairro Vila São Paulo e oferece os pirulitos em troca de uma contribuiçãoSandra aborda os motoristas em semáforo do bairro Vila São Paulo e oferece os pirulitos em troca de uma contribuiçãoFoto: Nayara Martins/DL

Procurar um jeito de driblar a crise financeira e o desemprego no País. Uma das alternativas encontrada pela auxiliar de enfermagem Sandra Regina Fernandes, de 59 anos, foi vender pirulitos no semáforo da rua João Mariano Ferreira, no bairro Vila São Paulo, em Itanhaém.

Todos os dias, no horário das 8h30 às 14 horas, Sandra aborda os motoristas e oferece o doce em troca de qualquer contribuição em dinheiro.

"Estou na cidade há sete anos, mas até hoje não consegui um emprego formal. Moro sozinha e não sou aposentada, nem recebo nenhum benefício do governo. Sem ter o que fazer, resolvi vender pirulitos para me manter", explica.

Ela conta que começou a vender em Santos, mas um conhecido a aconselhou a vender mais próximo de sua casa, em Itanhaém. Ela mora sozinha, em uma casa no bairro Savoy, que era de sua mãe já falecida. Tem duas filhas casadas que moram em Ribeirão Pires e um filho casado que mora em Itanhaém.

"Ofereço os pirulitos e peço apenas uma contribuição às pessoas. É por meio dessas vendas que pago minhas contas mensais e compro a ração de meus cachorros". Com cinco cães, Sandra explica que, após se separar do ex-marido, em Ribeirão Pires, ela acabou trazendo eles para morar em Itanhaém.

"Não tenho vergonha de nada, mas a gente sabe que é humilhante trabalhar no farol com quase 60 anos, porém é a única forma que encontrei para sobreviver", lamenta.

Trabalha em baixo do sol, há cerca de um ano, no mesmo local. Apenas quando chove, Sandra não vai vender os pirulitos no semáforo.

Ela trabalhou por pouco tempo com registro, no setor de limpeza de forma terceirizada, em alguns hospitais de São Paulo, pois somente após a separação do marido é que começou a procurar serviço na área de auxiliar de enfermagem. Ela fez estágio, mas ainda não chegou a atuar na área.

"Já entreguei currículo no Hospital Regional de Itanhaém várias vezes e em alguns comércios da cidade", afirma.

"Procurei emprego até nas frentes de trabalho da prefeitura de Itanhaém para trabalhar na limpeza das ruas, mas não tive retorno. Aceitaria atuar em qualquer coisa, ao menos para ter um trabalho fixo e me manter", ressalta.

"Tem pessoas que falam pra eu ir procurar um emprego. Você acha que se tivesse um emprego, estaria aqui embaixo de sol?". Por outro lado, Sandra afirma que sempre tem alguém que a ajuda.

Lembra que, certo dia, um senhor parou de carro em frente ao posto de gasolina e lhe deu uma cesta básica.

PLANOS.

Sobre os planos futuros Sandra diz: "só queria trabalhar e arrumar um emprego fixo para ter uma renda". Hoje, ela ganha, em média, cerca de R$ 40,00 por dia com a venda dos pirulitos.

Sandra tem um carrinho de açaí, que conseguiu comprar no ano passado com o dinheiro dos pirulitos, mas está há mais de um ano parado, por conta da pandemia.

"Com a liberação das praias, vou tirar o alvará de licença para ambulante para voltar a vender o açaí aos finais de semana, mas pretendo continuar no semáforo. Minha esperança é que apareça mais oportunidades de trabalho assim que a pandemia passar", completa. (Nayara Martins)