Secretário alerta para diagnóstico inicial da Dengue

Características da doença estão mudando, afirma Marcos Calvo

Comentar
Compartilhar
10 SET 201410h44

Em Santos, foram confirmados cinco óbitos por dengue este ano. Em todos os casos, não houve diagnóstico inicial para a doença. A revelação é do secretário municipal de Saúde, Marcos Calvo, que alerta aos profissionais de saúde que não descartem a dengue como diagnóstico possível, pois as características da doença estão mudando. Ele disse ainda que hemorragia não é o único sintoma de gravidade da doença. O alerta foi feito durante a apresentação da campanha contra a dengue 2014/2015 e do balanço do ano epidemiológico (2013/2014), no auditório do Sindicato dos Urbanitários (Sintius), na manhã de ontem.  

“São casos que não houve o diagnóstico inicial de dengue. Existiam outros sintomas que ou confundiram ou mascararam o aparecimento da doença. Em dois casos, por exemplo, nem teve nenhum fenômeno hemorrágico e eram pessoas que tinham outros problemas de saúde. Por isso, que fica esse alerta”, declarou o secretário à Imprensa.

Segundo o secretário, foram registrados 1.420 casos neste ano contra 9.500 no ano passado. Apesar da queda no número de casos, Calvo ressalta que a doença preocupa, pois o vírus está circulando e o clima quente é favorável à proliferação do mosquito transmissor Aedes aegypi. 

“Hoje a dengue está presente em todos os meses do ano. Então, os profissionais de saúde precisam colocar a dengue como um dos diagnósticos possíveis. Depois, através de exames e da evolução da doença, isso acaba sendo descartado. É muito importante que os profissionais de saúde estejam alertas”, disse.

 “Hoje a dengue está presente em todos os meses do ano”, diz o secretário (Foto: Luiz Torres/DL)

Dengue com complicações

Calvo ressaltou que hoje não se usa mais o termo dengue hemorrágica e sim dengue com complicações. “Uma boa parte das complicações não é mais a hemorragia. Alguns profissionais de saúde, às vezes, ficam esperando que tenha algum fenômeno hemorrágico. A complicação mais frequente da dengue hoje não é hemorragia, são outros comprometimentos circulatórios. E, por conta disso, esses casos (os cinco óbitos) foram classificados como dengue com complicação”.

Campanha inclui mensagem telefônica e nebulização

O secretário de Saúde de Santos, Marcos Calvo, apresentou as novas estratégias da campanha de combate à dengue para o período 2014/2015. Apesar da queda no número de casos, Calvo destacou que as ocorrências continuam, principalmente porque o clima quente e úmido favorece. Por isso, ele disse que a campanha está sendo antecipada e intensificada.

Além das visitas às residências que serão intensificadas, serão enviadas mensagens telefônicas e via SMS (torpedo para telefone celular) à população. A meta da Saúde é visitar mais de 256 mil imóveis até dezembro.

Além disso, já está sendo executada a nebulização com aplicação de inseticida onde houver maior concentração de focos do mosquito Aedes aegypti. “Estamos contando com o apoio da Sucen (Posto Regional), que é o órgão estadual de controle de endemias. Eles estão nos cedendo oito equipes de três pessoas para fazer a nebulização”, disse o secretário explicando que o método adotado será diferente do que já foi utilizado antes.

“É uma nebulização de aparelho costal, não é aquela que passa o aparelho no bairro todo, é mais adequado à nossa Cidade que é muito verticalizada. Isso já está em andamento em alguns bairros de Santos”, esclareceu Calvo.

Outra novidade será a realização de um fórum técnico, em outubro, para profissionais de saúde. Vamos prepará-los adequadamente para atacar os casos de dengue”, disse o secretário.