Santos 479 anos: Câmara precisa dar um presente para a população

Com raras exceções, vereadores (as) tentam mudar a realidade, mas o esforço se resume, na maioria das vezes, em discursos acalorados na tribuna da Casa

Câmara de Santos confirmou que propostas visando oferecer um sepultamento digno foram rejeitadas após veto do Executivo

Câmara de Santos confirmou que propostas visando oferecer um sepultamento digno foram rejeitadas após veto do Executivo | Nair Bueno/DL

É corrente entre formadores de opinião e lideranças comunitárias que a Câmara de Santos, há anos, deixa de presentear o santista nos quesitos criação de leis e fiscalização do Executivo. Com raras exceções, vereadores (as) tentam mudar a realidade, mas o esforço se resume, na maioria das vezes, em discursos acalorados na tribuna da Casa.

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Geralmente, o único órgão independente que, pelo menos em termos de fiscalização, ainda age é o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). Um exemplo ano passado foi a conturbada reforma milionária do plenário da Casa, já em funcionamento no Castelinho, que gerou uma despesa pública na ordem de mais de três milhões (R$ 3.107.000,00) sem a menor necessidade.

Um vídeo, com imagens do plenário antes dos trabalhos já iniciados da reforma, feito pelo vereador Benedito Furtado (PSB) chegou ao MP-SP que iniciou investigações, mas informou que o processo foi arquivado.

Após análise do processo, alguns ‘pontos soltos’ foram detectados pela Associação Brasileira das Agências e Veículos Especializados em Publicidade Legal – Abralegal, mas isso não foi capaz de evitar o gasto.

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Baseada no Portal da Transparência, a reportagem apontou que somente com sete mesas os parlamentares santistas gastaram R$ 943.349,30). Somente com a mesa diretora foram gastos R$ 159.422,10. Dois púlpitos custaram R$ 75.933,60 (R$ 37.966,80 cada). O tablado (parte mais alta do plenário em que fica a Mesa Diretora) custou R$ 676.426,00. Outros móveis foram comprados.

A Câmara se defendeu, alegando oficialmente o problema estrutural do plenário começou a ser abordado em 2018 e o gasto se fez necessário para correção de infiltrações, trincas, cisalhamentos, descolamento de pastilhas de revestimento e afins.

Disse ainda a reforma do plenário que o certame seguiu a legislação vigente que rege os devidos procedimentos licitatórios, em conformidade com as boas práticas de gestão pública e dentro dos parâmetros estipulados pelos apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP).

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Vale lembrar que a Casa de Leis ainda empenha quase meio milhão, exatos 495.681,12, por ano com aluguel de um painel eletrônico e sistema integrado de votação. São pouco mais de R$ 41.306,00 pôr mês para expor a votação dos 21 nobres edis em oito sessões de, no máximo, quatro horas cada, o que perfaz R$ 5.163,25 por sessão.

O custo do painel daria para pagar um salário mínimo – R$ 1.412,00 – para 29 trabalhadores, numa cidade que tem um número significativo de desempregados e de pessoas em extrema vulnerabilidade social.

Geralmente, painéis eletrônicos são instalados quando existe a necessidade de rapidez em votações por conta do grande número de parlamentares. Por exemplo, a Câmara dos Deputados (Brasília), que agrega 513 deputados.