Roupas estão mais caras nesta temporada

O algodão subiu 48% em um ano e confecção é vendida pela indústria às redes varejistas com majoração de até 25%

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01 JUN 201111h44

Nesta temporada, o consumidor vai gastar mais comprando roupas. A alta de 48% no preço do algodão, nos últimos 12 meses, está impactando os custos das confecções em até 25% e, conseqüentemente, deve aquecer os preços também no mercado varejista. Entretanto, para segurar preços e assegurar as vendas, o varejo tenta negociar melhores preços com a indústria têxtil.

De cada dez peças de roupa fabricadas no Brasil, pelo menos seis são feitas de algodão ou têm a matéria-prima em sua composição. Mas, apesar do mercado inflacionado do algodão, tanto o setor industrial quanto o setor varejista garantem que não repassarão 100% do aumento aos produtos.

"A indústria têxtil repassa somente em parte o custo da matéria-prima e carrega em parte esse custo. A coleção de inverno foi produzida com o algodão no pico de seu custo. E a de verão foi negociada com os preços ainda elevados", declarou Aguinaldo Diniz Filho, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), Aguinaldo Diniz Filho, ao jornal Folha de S. Paulo nesta semana.

Já a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), se defende. “O setor varejista está se esforçando ao máximo para auxiliar o Governo no combate a inflação e para tanto tem negociado exaustivamente com seus fornecedores para minimizar o repasse do aumento de preços do algodão. A despeito de todo este esforço, a cadeia fornecedora continua pressionando o varejo e tem majorado seus preços em até 25%. O varejo, no intuito de continuar auxiliando o Governo no combate a inflação, tem tentado absorver este reajuste, porém algum percentual de repasse ao consumidor será inevitável - ainda em estudo pelos varejistas, face ao forte aumento exigido pelos fornecedores”, respondeu a ABVTEX em nota ao DL.

A ABVTEX informou ainda, por meio de sua assessoria de imprensa, que “sapatos, bolsas e acessórios, apesar da cadeia fornecedora tentar reajustar seus preços, mantiveram seus preços sob controle. Quanto ao vestuário, já houve repasse de preços ao consumidor final neste inverno em escala mínima entre as diversas redes varejistas, porém, o setor varejista continua sua ‘guerra’ contra o reajuste de preços por parte da cadeia fornecedora”, justificou a ABVTEX.

Questionada sobre reajuste médio nos produtos de vestuário comercializados, a ABVTEX não apontou números. “Quanto ao reajuste estimado, dependerá da capacidade de cada varejista na renegociação com seus fornecedores e absorção destes aumentos através da redução de margens”. 

Importação e Exportação

O aumento das importações de produtos têxteis - em sua maior parte da China - é uma das maiores preocupações do setor, segundo a ABIT. De janeiro a abril deste ano, as importações cresceram 33%, enquanto as exportações aumentaram 5,8%.

"A previsão de déficit na nossa balança comercial é da ordem de US$ 5 bilhões. Isso mostra enfraquecimento da indústria e nos preocupa", disse o presidente da Abit à Folha de S. Paulo.