Remoção de árvore deprime idoso que a plantou há 30 anos em São Vicente

A árvore - um exemplo raro de Pau Brasil - foi plantada por ele e mantida por cerca de 30 anos. Família não se conforma

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31 JUL 2021Por Carlos Ratton07h00
Em menos de 30 minutos, uma árvore de 30 anos arrancada em São Vicente. Família inconformadaEm menos de 30 minutos, uma árvore de 30 anos arrancada em São Vicente. Família inconformadaFoto: Divulgação

Imagina você plantar uma árvore e cuidar dela por quase 30 anos e, ao voltar para casa, constatar que ela, mesmo saudável, foi arrancada pela Prefeitura, sem a menor explicação. Isso ocorreu esta semana com o aposentado vicentino de quase 80 anos, Antônio Mandaji.

Segundo Débora Mandaji, bióloga e filha de Antônio, o aposentado está bastante deprimido. A árvore - um exemplo raro de Pau Brasil - estava plantada na Rua Constantino de Mesquita, defronte ao número 136. Ela foi plantada no início da década de 90 pela própria Prefeitura de São Vicente, na gestão de Tércio Garcia (já falecido).

"Meu pai plantou em uma campanha da Prefeitura no ano de 1993. Ele recebeu uma muda de Pau Brasil e a ideia na época era que os moradores cuidassem desta árvore, símbolo do País", revela Débora.

A bióloga explica que o pai plantou essa árvore na calçada atrás da casa de sua mãe, avó de Débora, e cuidou dela com muito carinho por cerca de três décadas. "A vizinha, que fica entre a casa dele (pai) e a da minha vó, não gosta de árvores por que diz que geram sujeira. Ela fez uma construção irregular e as folhas caiam em cima desta construção", detalha Débora.

A bióloga acrescenta que a árvore vivia sendo ameaçada pela moradora descontente, que chegou a ser multada pela Polícia Florestal e pela própria Prefeitura. "Mas, para nossa surpresa, a árvore foi arrancada. Meus pais não estavam em casa. Foram visitar o meu sobrinho que nasceu. Foi tudo muito rápido, coisa de menos de 30 minutos e a árvore já havia sido derrubada" afirma.

Débora esteve quinta-feira (29) última na Prefeitura, para tentar ter acesso ao processo e laudo que exigisse algo tão radical. "É muito triste quando, em meio a tantos problemas de São Vicente, haja tempo pra resolver 'problemas´ tão individuais", dispara a bióloga.

Após reunião na Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas, a bióloga observou que, num período de dois anos, o mesmo engenheiro mudou completamente sua avaliação.

"Em 2019, a árvore necessitava apenas de poda em 30% da copa. Agora, ele alega problemas fitossanitários e fisiológicos, risco de queda e infiltração de raiz. Não tivemos acesso a esse parecer e, muito menos, consegui um laudo particular para provar que a árvore estava saudável. O único alento é que temos 90 dias para compensar a retirada desse exemplar com o plantio de um novo exemplar no mesmo local", disse.

Finalizando, a irmã de Débora, Mônica Mandaji, revela que caso já chegou à Ouvidoria. "Resolvemos denunciar à imprensa também porque primeiro é uma árvore protegida. Segundo por ser cuidada por uma pessoa por 30 anos e que não estava condenada, já havíamos pedido laudo na tentativa anterior à derrubada", afirma a outra filha de Antônio.

PREFEITURA.

A Secretaria de Meio Ambiente e Defesa Animal (Semam), que a remoção da árvore foi autorizada e confirmou a versão apresentada à Débora: problemas fisiológicos e fitossanitários, além de apresentar risco de queda e danos ao telhado da residência. A Administração ainda informa que haverá replantio de outro espécime arbóreo no local da remoção, uma vez que a autorização foi expedida com esta exigência.