Raio-X DL: Atendimento nas unidades de saúde é alvo de críticas em Praia Grande

No Pronto-Socorro Quietude, paciente chega a ficar quatro horas aguardando para passar por consulta. Moradores reclamaram que não conseguem leitos no Hospital Irmã Dulce

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31 MAI 201511h27

Adriana Patrícia chegou às 8h30 no Pronto Socorro Quietude, em Praia Grande, para passar por uma consulta com um  médico. Apesar de não se sentir bem, a dona de casa conseguiu ser atendida somente às 13h.

“Olha que hoje (quarta-feira) ainda está tranquilo. Se você viesse aqui ontem (terça-feira), ia ver a quantidade de gente que estava aqui. Totalmente lotado”, disse Adriana. Foi apenas um dos diversos relatos de pacientes sobre a demora para receber atendimento nas unidades de saúde de Praia Grande.

A dona de casa reclamou da forma como foi atendida na unidade. “Nós temos que esperar e lidar com o mau humor das atendentes. Eu entendo que elas ficam nervosas pela situação, mas nós que somos pacientes não temos culpa”.

Adriana já havia estado no pronto-socorro no dia anterior.  Ela chegou a se envolver em uma confusão com uma das enfermeiras do local. “Ela colocou a seringa, mas ‘perdeu’ a veia. Na hora de tirar a agulha, ela girou a agulha no meu braço, o que me machucou. Saiu muito sangue. Eu a belisquei e segurei até ela retirar o sangue para a amostra. Chegou até a chamar a Guarda Municipal dizendo que eu tinha a agredido. Mas hoje, quando cheguei, ela fugiu para não me encontrar”.

Além de tudo, a dona de casa também reclamou das condições no PS Quietude. Segundo ela, principalmente no verão, há uma grande quantidade de pacientes, mas a unidade não liga o ar-condicionado, deixando todos no local passando calor.

Vindo de São Vicente em busca de atendimento, o almoxarife Rogério Aparecido Felipe veio até o PS Quietude para conseguir uma consulta. Ele achou que, comparando a São Vicente, a situação estava melhor. Mas, também citou a demora para ser chamado. “Cheguei aqui às 9 horas. São 13h30 e ainda não fui chamado”, comentou.

Acompanhado da esposa, Rogério comentou que na cidade vizinha chegou a ficar 7 horas esperando para ser atendido e que não deram nenhuma solução e que pensava que em Praia Grande seria diferente. “O atendimento está péssimo do mesmo jeito”, disse a esposa do almoxarife.

A professora Jéssica Cristiane Mendonça foi a unidade do Quietude pelo terceiro dia seguido. Segundo ela, o tempo de espera para ser atendida, nos três dias, girou em torno de 3 horas. “Graças a Deus, quando eu vim, peguei o mesmo médico e ele foi muito atencioso. Eu gostei. Mas a desorganização que eles têm no atendimento aqui na frente é um problema. Além do que há pouco médico. Se houvessem mais profissionais, creio que tudo seria melhor”.

Jéssica também atenta para a área da medicação. “É um setor bastante desorganizado. Demora muito também para podermos receber alguma medicação”.

A professora foi outra paciente a citar o problema com o calor. “É difícil. É complicado no verão também. Além disso, há muitos casos de desidratação, virose. Isso aqui fica lotado. Bem, acho que para não encontrar o PS cheio só vindo de madrugada”.

Já no Hospital Irmã Dulce, que atende não só munícipes de Praia Grande, como de cidades vizinhas como Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe, a principal reclamação é a demora para se conseguir leitos.

Além disso, uma denúncia da vereadora Janaina Ballaris (PT) apontou que o Governo do Estado de São Paulo está desde janeiro sem enviar repasses para custeio de leitos e serviços de média e alta complexidade ao hospital.

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Irmã Dulce também foi alvo de reclamações por parte dos munícipes (Foto: Luiz Torres/DL)

Situação no PS Quietude

Em nota, a Secretaria de Saúde Pública de Praia Grande (Sesap) disse que Pronto Socorro Quietude está prestando atendimentos com sua equipe de médicos completa, contendo três profissionais por plantão e que questões pontuais, como emergências, acabam direcionando maiores recursos humanos e técnicos da unidade.

A Administração municipal ressaltou que foi constatado aumento no número de atendimentos nas últimas semanas por conta de pessoas com suspeita de dengue. A unidade, que normalmente realiza entre 400 e 500 atendimentos diários, está atendendo cerca de 800 pessoas por dia.

Sobre o atraso, a secretaria informou que a unidade atua no sistema de Acolhimento de Classificação de Risco e prioriza o atendimento dos casos mais graves. Com isso, pacientes ambulatoriais também são atendidos, mas aguardam outros que chegam em risco de morte.

Já sobre a questão do ar-condicionado, a direção da unidade explicou que desliga o equipamento em alguns momentos devido a pedidos das pessoas que estão no local e reclamam da baixa temperatura. A secretaria informou que recentemente trocou todos os ar-condicionados do PS Quietude, melhorando desta forma o sistema de climatização do local.
Irmã Dulce

Sobre o Hospital Irmã Dulce, a Prefeitura disse que é de responsabilidade da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (CROSS) do Governo do Estado disponibilizar um leito de UTI para o paciente. Atualmente, a unidade conta com 209 leitos e conta com UTI Adulto, Infantil e Neonatal, Centro Cirúrgico e Centro Obstétrico, Maternidade, Farmácia, Ala de Internação Pediátrica com Brinquedoteca, Clínicas Médica e Cirúrgica, entre outros setores.

Sobre o atraso nos repasses, a Prefeitura informou que a nova contratualização dos leitos do Hospital Irmã Dulce custeados pelo Governo do Estado de São Paulo deverá ser assinada no início de junho. O documento terá dispositivos jurídicos que permitirão ao Estado agilizar os repasses de verbas e desta forma evitar os atrasos e que a Administração Municipal espera que toda situação seja regularizada o mais breve possível.

Por conta do atraso nos repasses financeiros, a Sesap vem custeando todas as despesas dos leitos que são de responsabilidade do Estado, inclusive os de alta complexidade e UTIs. Com recursos próprios e repassados para a Fundação ABC, que gerencia a unidade, a Cidade manteve os atendimentos e internações para pacientes de outras cidades no Hospital. Todos os serviços seguem sendo desenvolvidos normalmente.

Sala de espera no PS Quietude costuma ficar cheia (Foto: Luiz Torres/DL)

Segurança recebe elogios e críticas

A área da Segurança também foi lembrada pelos munícipes de Praia Grande. Foi destacada a diminuição dos crimes em áreas comerciais, como no Boqueirão, mas também ressaltaram o aumento da sensação de insegurança em outros locais.

Para José Antonio de Melo, proprietário de uma ótica no Boqueirão, a questão do policiamento tem melhorado. “Melhorou bastante. Do ano passado para cá tem uma segurança bem legal. Bastante policiais passando aqui. Espero que continue assim”.

Melo recordou que, anteriormente, presenciava diversos roubos de correntinhas e carteiras, mas que agora é mais difícil.

Morador de São Vicente, o comerciante vê Praia Grande em melhor situação que a cidade vizinha. “Quando passa do trevo para lá fica complicado. Na altura Rua Mascarenhas de Moraes, Ponte do Mar Pequeno, Centro de Convenções. Quase todo dia passo por ali e presencio assaltos”.

Já para Aloísio Cristovão, comerciante de uma farmácia, não é em todo lugar que se pode andar de forma tranquila em Praia Grande.

“Em todo lugar que você vê aqui, no Centro, tem policiais. Não sei por quanto tempo. Mas é melhor que em outras regiões. Na praia, por exemplo, você não pode andar despreocupado. É preciso ficar atento”.

Morador do bairro Ocian, ele contou que seu comércio foi assaltado apenas uma vez. “Foi uma saidinha de banco. Já vi vizinhos serem roubados, mas estamos acostumados porque tem em todo lugar”.

Diferente de José Antonio de Melo, ele não enxerga um aumento significativo do policiamento. “Acho que está igual. Tem muito policial, mas tem muito ladrão também. Já soube de roubo de bolsas e de celulares. Hoje todo mundo tem um celular, isso facilita”.

Boqueirão teve melhora no policiamento (Foto: Luiz Torres/DL)

Aumento do policiamento

Em nota, a Prefeitura de Praia Grande informou que, no início do ano, o prefeito Alberto Mourão (PSDB) esteve secretário de Segurança Pública do estado de São Paulo, Alexandre de Morais, e entre as reivindicações estavam o aumento do efetivo da Polícia Militar, que não acompanhou o crescimento da Cidade, atualmente com mais de 300 mil habitantes. Além disso, Mourão pediu mais viaturas,  complementação e realocação de mais delegados, escrivães, investigadores ou agentes policiais.

Além disso, a Administração ressaltou que adota medidas como a contratação de guardas civis municipais, aquisição de equipamentos, além da reestruturação e ampliação da Central de Videomonitoramento. Além disso, mais de 13 mil lâmpadas serão substituídas por outras mais potentes até o final do ano que vem, melhorando a iluminação de ruas e avenidas. Até ágora foram substituídas lâmpadas de 8 mil pontos. Para auxiliar na segurança, o município conta com 1.530 câmeras de monitoramento em pontos como orla, centros comerciais, ruas, avenidas e prédios públicos. Um concurso público já está em andamento e mais 100 guardas civis devem ser contratados.

Por fim, a Prefeitura destacou que a Guarda Civil Municipal auxilia as Polícias Militar e Civil em ações conjuntas quando solicitada e também em ações específicas, como forças tarefas em ferros-velhos e outros estabelecimentos com o objetivo de combater crimes como a receptação; flagrantes de crimes como roubo e tráfico de drogas decorrentes das rondas e patrulhamentos feitos pela Cidade, além do trabalho preventivo realizado por meio do Patrulhamento Comunitário Integrado, que visa a aproximação da corporação com a comunidade a fim de evitar e sanar conflitos sociais.