SEDUC

Por mais espaço nos circuitos, prefeito de Salvador pede trios menores

O prefeito informou tabmém que estuda a possibilidade de devolver ao Circuito Osmar o trajeto pela Rua Carlos Gomes, que foi retirado da folia no ano passado

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17 FEV 201518h29

O tempo em que blocos de carnaval de Salvador disputavam quem tinha o maior ou o mais potente trio elétrico parece ter ficado para trás. Se depender dos organizadores da festa, palcos móveis monstruosos, como o Dragão da Folia, o maior trio já feito, uma carreta bitrem de 34 metros de comprimento, cinco de largura e seis de altura, capaz de produzir 200 mil watts de potência, estão com os dias contados. Tudo para dar mais espaço para os foliões.

"O que a gente percebeu este ano é que a população quer estar na rua, brincar o carnaval, porque quando há atrações gratuitas de qualidade, como tivemos este ano, notamos grande crescimento do volume de pessoas nos circuitos", diz o prefeito da capital baiana, Antônio Carlos Magalhães Neto. "A gente estima que este ano o número de pessoas nas ruas tenha sido 15% maior que no ano passado. Mas para aproveitar melhor o carnaval, o folião precisa além de opções de trios independentes (gratuitos, sem cordas), que estão sendo oferecidas e devem ser aprofundadas, de espaço. A gente tem de repensar a proposta dos trios elétricos, apostar em equipamentos menores."

Para o prefeito, experiências bem sucedidas podem representar um novo caminho para os desfiles de trios. "Quando a gente coloca na rua equipamentos menores, como o Pranchão (um palco simples instalado na traseira de um caminhão, a pouco mais de um metro do solo, apresentado este ano pelo coletivo musical Alavontê), a gente percebe que o folião se aproxima mais do artista e que esse espaço, que é tão necessário na rua, acaba sendo melhor aproveitado. A sinalização para o futuro do carnaval de Salvador está sendo dada."

Se depender dos organizadores da festa, os palcos móveis estão com os dias contados (Foto:  Valter Pontes/Agecom)

Também com o objetivo de abrigar mais pessoas na festa e dar mais espaço ao folião, o prefeito informou que estuda a possibilidade de devolver ao Circuito Osmar o trajeto pela Rua Carlos Gomes, que foi retirado da folia no ano passado, fazendo o trajeto do circuito cair de 5 para 3 quilômetros.

"Fizemos algumas experiências este ano, com o bloco As Muquiranas e com os de samba, que fizeram o circuito completo, e estamos avaliando se vamos voltar com a Carlos Gomes", disse Magalhães Neto. "Além disso, temos a ideia de ampliar a agenda do carnaval. A quarta-feira (anterior à folia) já está consolidada na Barra (quando bandas e fanfarras desfilam), não há porque não integrar a agenda oficial do carnaval."

Conforto

Aumentar o conforto dos foliões também é uma das ideias do governador da Bahia, Rui Costa, ao avaliar o carnaval deste ano, o primeiro dele à frente da administração do Estado. "O que me salta aos olhos e precisa entrar no debate sobre a evolução do carnaval é que, hoje, a gente trabalha com uma base demográfica diferente da que existia há 20, 30 anos", avalia.

Segundo Costa, a diminuição proporcional da quantidade de jovens na população e o aumento da de adultos e idosos força uma nova estrutura dos serviços públicos e conteúdos diferentes. "É um processo que atinge outras áreas, como a saúde e a segurança", avalia. "Se a gente levar em conta um modelo, uma fórmula, que fazia sucesso 20 anos atrás, a gente vai errar, porque o perfil da população é outro."

O governador da BA diz não ter ideias prontas e que aguarda contribuições dos dirigentes de blocos e empresários do carnaval para formular propostas, mas afirma que mudanças são necessárias para garantir a longevidade do carnaval de Salvador. "A mudança etária da base populacional implica em diferentes formas de brincar, em outros conteúdos apreciados, em novos serviços" argumenta. "Precisamos levar isso em conta ao planejar os próximos carnavais."