Moradores do Bolsão 7 pedem melhorias

Comunidade realiza manifestação no bairro pedindo infraestrutura, serviços e segurança. Prefeitura convidou CDHU para discutir a situação no próximo dia 14

Comentar
Compartilhar
08 MAI 201510h34

Um grupo de moradores do Bolsão 7, em Cubatão, realizou uma manifestação, ontem, pedindo melhorias na região. Segundo os organizadores, o protesto contou com o apoio de sete entidades e reuniu cerca de 100 pessoas.

Eles caminharam pela região e seguiram até a interligação da Rodovia dos Imigrantes. Lá, os manifestantes realizaram um bloqueio da via, com galhos e pedaços de móveis, impedindo a passagem dos veículos. A ação durou cerca de 40 minutos.

Osvaldo dos Santos, morador do Bolsão há muitos anos, relata algum dos problemas encontrados. “Precisa arrumar essas ruas, resolver o problema do esgoto. Está tudo estragado, esburacado. Ninguém aguenta mais a situação que está aqui no Bolsão 7. Tem casa aí que está rachada. Não sei como ainda não aconteceu nenhum acidente grave. Estamos há mais de dois anos correndo atrás, encaminhado documentos para a Prefeitura, CDHU e ninguém toma providência”.

A lista de reivindicações da população é antiga. Há pedidos que aguardam por resposta desde 2012. No total, são 26 demandas exigidas pelos munícipes. Jarbas Vieira da Silva, presidente da Sociedade de Melhoramentos do Conjunto Habitacional João Paulo II, pede, por exemplo, uma creche no local.

“A gente tem uma unidade de tratamento de esgoto que foi implantada no início da construção do conjunto habitacional, em 2006. Ela está abandonada e o esgoto fica a céu aberto porque não funciona. A gente gostaria que eles retirassem essa unidade que não está servindo para nada e colocasse ali uma creche, que nos foi prometida”.

Vieira da Silva cobra uma solução por parte dos órgãos públicos. “Hoje foi o primeiro passo, mas vamos conduzir isso até que se resolva efetivamente. Não adianta ficar empurrando para a Prefeitura e ela empurrar para a CDHU. A população é a que mais sofre com isso. Ficamos abandonados. Não queremos buscar culpados, queremos solução”.

A manifestação contou com a presença dos vereadores Adeildo Heliodoro dos Santos, o Dinho (SDD), Ademário da Silva Oliveira (PSDB) e Ivan Hildebrando (PDT). O último foi presidente da Comissão Especial de Vereadores (CEV) da Pós-ocupação, ano passado, que tratou dos problemas dos conjuntos habitacionais Bolsões 7 e 9, Residencial Rubens Lara e Imigrantes 1 e 2.
“Entramos com ação, junto ao Ministério Público, cobrando uma providência. Tivemos que judicializar a discussão para que se chegue num denominador comum. Do jeito que está não pode continuar mais”, explicou Hildebrando.

“Hoje você vê uma rua tomada por esgoto, toda esburacada. Eles pagam as prestações, contas de água e luz. Temos rios de esgoto nas ruas onde crianças brincam, com problemas de mau cheiro. É uma vergonha”, completou o vereador.

 >protesto - Manifestantes caminharam pelas ruas do Bolsão 7 pedindo por melhores condições (Foto: Luiz Torres/DL)

Cursan realiza trabalhos

Na última quarta-feira, a prefeita Marcia Rosa (PT) esteve no local para verificar a situação e conversar com munícipes. Segundo a Prefeitura, a CDHU foi convidada a participar da vistoria, mas não enviou representante. Como resultado da visita, a Administração Municipal enviou funcionários da Companhia Cubatense de Urbanização e Saneamento (Cursan) para realizar ações emergenciais na região.

Em relação à estação de tratamento de esgoto, o engenheiro Luiz Celso de Arruda, da Sabesp, explicou à prefeita Marcia Rosa, durante a vistoria no bairro, que a área está abaixo do nível do mar, portanto, todo o sistema de drenagem do esgoto depende de bombas.

Resposta da Prefeitura

Questionada sobre as reclamações dos moradores do Bolsão 7, a Prefeitura de Cubatão disse que mantém o posicionamento informado anteriormente, de que a transferência do núcleo para a Prefeitura só pode acontecer quando a CDHU realizar todos os serviços de infraestrutura necessários. Inclusive aqueles relacionados ao conjunto entregue em 2006.

A Administração Municipal ressaltou que durante a construção da segunda parte do projeto, em 2011, veículos das empreiteiras contratadas pelo Estado provocaram inúmeros danos ao local, que com o tempo têm se agravado. Foi acordado que a CDHU, reconhecendo a situação, realizaria os reparos necessários, inclusive promovendo licitação para contratação de empresa que faria os serviços.

Além disso, a Prefeitura informou que a CDHU foi chamada para discutir todos os transtornos no Bolsão 7 na próxima quinta-feira (14). Outros órgãos também foram convidados, como EMTU, Sabesp, moradores e Ministério Público, para discutir eventuais divergências e buscar soluções para os problemas do local.

CDHU

Em nota, a CDHU informou que o conjunto habitacional possui duas fases. A primeira, denominada A4 e entregue em 2006,  foi construída por meio de convênio entre o Município e a CDHU e é de é responsabilidade da Administração Municipal. Já a segunda, batizada de  Cubatão A5 e entregue é 2011, é de responsabilidade da própria CDHU.

Neste conjunto, a companhia disse que, primeiramente, os reparos eram efetuados pela construtora responsável pela obra. Como essa abandonou os trabalhos em meados de 2014, a CDHU abriu processo licitatório e contratou outra empresa, que atualmente realiza serviços dentro das unidades, como conserto de piso e infiltrações. Na sequência, serão executados os reparos nas áreas condominiais e em pontos danificados do pavimento e das calçadas. A previsão é que os serviços sejam concluídos até o final deste ano.

A CDHU ressaltou que cobrará judicialmente a construtora responsável pela construção do empreendimento A5 pelo ressarcimento dos custos dos serviços que estão sendo executados atualmente. Quanto às áreas públicas e aos equipamentos de lazer, cabe à municipalidade realizar a manutenção, uma vez que já é feita a cobrança de IPTU dos moradores.