Manifestantes ucranianos ocupam prédios do governo

Os protestos transcorreram de forma pacífica até domingo, quando Yanukovych aprovou leis contra a realização de manifestações, recusando-se a ouvir as exigências dos manifestantes

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24 JAN 201411h45

Manifestantes ucranianos ocuparam prédios do governo na capital do país nesta sexta-feira, ao mesmo tempo em que mantinham cerco a vários escritórios governamentais no oeste da Ucrânia, elevando a pressão sobre o governo do presidente Viktor Yanukovych.

Após uma reunião de várias horas com Yanukovych na noite de quinta-feira, líderes opositores disseram à multidão de manifestantes que o presidente havia prometido assegurar a libertação de dezenas de pessoas detidas em confrontos com a polícia e que não haveria novas prisões. Eles pediram aos manifestantes que mantivessem a trégua após os violentos confrontos de rua em Kiev, mas foram vaiados pela multidão.

Na manhã desta sexta-feira, os manifestantes invadiram o prédio do Ministério de Políticas Agrícolas, no centro da cidade, sem enfrentar resistência. "Precisamos manter as pessoas aquecidas em meio ao frio", disse Andriy Moiseenko, um dos manifestantes. "Não podemos deixar as pessoas dormindo em barracas o tempo todo."

Os manifestantes permitiram que os funcionários do Ministério pegassem seus pertences, mas não que trabalhassem. A ação se seguiu à tomada de vários escritórios do governo em cidades da região oeste do país.

As manifestações tiveram início depois de Yanukovych ter desistido de assinar um acordo de associação com a UE em favor de um empréstimo concedido pela Rússia (Foto: Sergei Grits/AP/Estadão Conteúdo)

Em Lviv, perto da fronteira com a Polônia, cerca de 450 quilômetros a oeste de Kiev, centenas de ativistas invadiram os escritórios do governador regional, Oleh Salo, indicado por Yanukovych, gritando "revolução!" Eles obrigaram um governador local a assinar sua renúncia e permaneceram no prédio, impedindo a entrada dos funcionários. Os manifestantes também mantiveram o controle de escritórios em outras quatro cidades do oeste invadidos na quinta-feira.

As manifestações tiveram início dois meses atrás, depois de Yanukovych ter desistido de assinar um acordo de associação com a União Europeia (UE) em favor de um empréstimo de resgate concedido pela Rússia. Os protestos transcorreram de forma pacífica até domingo, quando Yanukovych aprovou leis contra a realização de manifestações, recusando-se a ouvir as exigências dos manifestantes para a convocação de novas eleições.

Inicialmente, os líderes opositores haviam estabelecido a noite de quinta-feira como o prazo final para o governo fazer concessões, mas depois pediram à multidão que estendesse a trégua, embora as conversações com Yanukovych não tenham resultado em progresso visível e não haja informações sobre o atendimento à principal exigência dos manifestantes, que é a realização de eleições antecipadas.