Jovens mulheres do Caruara sob mira de estupradores

Relatório do Conselho Municipal da Juventude expõe a vulnerabilidade da região continental de Santos

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25 JUN 2017Por Carlos Ratton10h00
Segundo apurou o Conselho da Juventude, a Base Policial que deveria funcionar 24 horas e ter efetivo suficiente para segurança fica o tempo todo fechada no CaruaraSegundo apurou o Conselho da Juventude, a Base Policial que deveria funcionar 24 horas e ter efetivo suficiente para segurança fica o tempo todo fechada no CaruaraFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Jovens mulheres que moram no bairro do Caruara – Área Continental de Santos – estão em constante perigo de estupro, principalmente no período da noite.  A informação é do coordenador do Projeto Conselho Itinerante do Conselho Municipal da Juventude de Santos, Henrique Lesser Pabst. No total, 10 membros foram responsáveis pelo projeto.    

A situação, que faz parte de um relatório de mais de 70 páginas, repletas de fotografias, é semelhante a que ocorre na área central do Município, que também foi tema de reportagem do Diário do Litoral, intitulada “Estupro e morte rondam mulheres e crianças de Santos”, publicada em 19 de março último.

A publicação acarretou o planejamento de ação conjunta envolvendo vereadores e secretários municipais, ainda sem prazo para iniciar.

O documento já foi encaminhado à Presidência da Câmara. Amanhã (26), Pabst vai usar a Tribuna Cidadã para expor a grave questão aos parlamentares santistas. Em seguida, o relatório também será enviado à Prefeitura de Santos.

Nele, foram detectados alguns motivos que estão levando insegurança às jovens do afastado bairro santista: muitos terrenos abertos; iluminação precária e apenas uma base da Polícia Militar para atender cerca de quatro mil moradores da Área Continental.

A base, segundo enfatiza o Conselho, permanece fechada – portas e janelas trancadas, luzes apagadas e ainda não há viaturas fazendo rondas.

“Temos cópias de reportagens e textos do site da Prefeitura de Santos em que o local contaria com efetivo de 20 policiais, duas viaturas e funcionaria 24 horas. A base custou R$ 350 mil para sequer funcionar”, informa Henrique Pabst, reproduzindo exatamente o que consta no relatório.

Reforço

Segundo o coordenador, o Conselho está discutindo a questão e propôs sete iniciativas para diminuir os riscos, como reforço no policiamento nos horários de entrada e saída das aulas; pedir à Prefeitura que notifique os proprietários a murar os terrenos; melhorar a iluminação e, junto ao Estado, cobrar o funcionamento da base 24 horas, além do efetivo policial anunciado.

“Na conversa com os jovens, soubemos de casos concretos de estupros e outros de tentativas. Também soubemos que o mesmo vem ocorrendo no Monte Cabrão. Ou seja, é um problema grave na área continental com um todo. Além dos jovens, os moradores também confirmaram a situação”, afirmou Pabst.

18 horas

Ele obteve a informação que somente uma viatura policial seria destacada para toda a região, que é bem maior do que a Área Insular do Município e, mesmo assim, o veículo encerraria a circulação às 18 horas.
 
Prefeitura

Questionada, a Prefeitura de Santos informou, por intermédio da sua Assessoria de Imprensa, que embora esta seja uma questão complexa de segurança pública, não está alheia ao tema e adota medidas que visam a proteção dos jovens e adolescentes, realizando palestras e campanhas sobre o abuso e a violência sexual nas escolas.

Ressaltou ainda, sobre as condições do local, que “é preciso lembrar que o Caruara, bem como os demais bairros da Área Continental, caracteriza-se por uma mistura de área rural e urbana, o que dificulta o controle de fechamento de todos os terrenos”.

“Quanto à iluminação pública, ela é a mesma utilizada - com eficiência - em outros bairros da Cidade. Além da Policia Militar, a Área Continental conta também com uma base da Guarda Municipal, sendo realizado patrulhamento preventivo por ambas em toda a região”, finalizou a Administração.

Estado

A Reportagem buscou uma posição do Governo do Estado com relação ao fechamento da base policial e a falta de efetivo e viaturas, mas, até o início da noite da última sexta-feira (23), data limite para a justificativa, nenhuma resposta foi encaminhada ao Diário do Litoral.