IBGE: Vendas no varejo crescem mais devagar

As vendas no comércio varejista aumentaram 1,2% em março ante fevereiro, entretanto o crescimento foi inferior às taxas dos últimos meses

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12 MAI 201112h37

As vendas do comércio varejista aumentaram 1,2% em março em comparação com fevereiro (alta de 0,3%), puxadas por móveis e eletrodomésticos e alimentos. Entretanto com redução no consumo de um modo geral, nos últimos seis meses. As informações são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com março de 2010, o volume de vendas do comércio varejista cresceu 4,1%, contra variação de 8,5% nessa mesma base de comparação no mês anterior. No ano, o setor acumula alta de 6,9% e, nos últimos 12 meses, de 9,5%.

Em relação a março do ano passado, a pesquisa do IBGE mostra que todas as atividades investigadas apresentaram resultado positivo. O destaque ficou com o setor de móveis e eletrodomésticos, que registrou alta de 11,1%, mas apresentou redução no ritmo de crescimento em relação aos meses anteriores.

As vendas no grupo de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo tiveram alta de 1,5% no volume de vendas na comparação com março de 2010. Foi a segunda maior contribuição para a formação do índice.Pelo terceiro mês consecutivo, o setor se manteve na segunda posição, possivelmente devido a uma retração de demanda provocada pelo aumento dos preços dos alimentos.

“Esse resultado, ainda que reflita as condições favoráveis da economia, teve crescimento inferior às taxas dos últimos meses, o que pode indicar efeitos da política macroprudencial do governo”, diz o comunicado do IBGE.

Em entrevista ao DL, em abril, o economista Fernando Chagas, já havia explicado que desde dezembro o Governo Federal vem adotando medidas macroprudenciais para frear o consumo e conter a alta da inflação. Entre as medidas tomadas ao longo dos últimos meses está o aumento da taxa básica de juros — Selic —, hoje a 12,25% após três aumentos consecutivos. A taxa Selic incide principalmente nos preços de mercadorias e serviços.

Mas, o economista Fernando Chagas, mencionou ainda que não será tão fácil conter o consumo dos brasileiros devido a uma série de políticas que elevaram o poder de compra da classe assalariada. “O país vive um momento de índices mais baixos de desemprego e aumento real de salário (reajuste acima da reposição da inflação) para muitos trabalhadores”.

Além disso, Chagas comentou sobre a cultura do brasileiro de comprar a prazo. “Na hora da compra, a maioria dos brasileiros analisa se a parcela mensal da compra cabe no orçamento e não com o valor total do produto adquirido e os juros embutidos no financiamento”, analisou.

De fevereiro para março, oito das dez atividades pesquisadas tiveram expansão. Os setores com os principais desempenhos positivos foram de equipamento de material para escritório, informática e comunicação (3,5%) e material de construção (2,7%). Apenas artigos farmacêuticos e de perfumaria (-0,1%) e combustíveis e lubrificantes (-0,1%) tiveram queda.

Já o índice do comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos e construção civil, apresentou alta de 1,7% em março em relação a fevereiro. Na comparação com março de 2010, no entanto, houve queda de 2,5%. Nos últimos 12 meses, o indicador acumula elevação de 10,2% e, de janeiro a março, de 7,1%.
Na passagem de um mês para o outro, os veículos, motos, partes e peças tiveram alta de 3,8% e os materiais de construção tiveram acréscimo de 2,7%.

A análise regional revela que 20 dos 27 estados do País apresentaram resultados positivos na comparação com o mesmo período de 2010. Os destaques foram: Tocantins (16,5%); Roraima (14,6%); Paraíba (11,0%); Maranhão (10,3); e Ceará (10,0%).