Hospitais acendem a luz de alerta na Baixada Santista

Baixa nos repasses pode reduzir atendimento inclusive nos particulares

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21 MAI 2016Por Diário do Litoral08h00
Grupo formado por hospitais filantrópicos e privados da região acendeu a luz de alertaGrupo formado por hospitais filantrópicos e privados da região acendeu a luz de alertaFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Um grupo formado por hospitais filantrópicos e privados da Baixada Santista acendeu a luz de alerta. Devido aos baixos repasses do Sistema Único de Saúde (SUS) e problemas com as operadoras de planos particulares, o equipamentos podem reduzir drasticamente a capacidade de atendimento e, inclusive, interromper serviços. Eles pedem a adoção de medidas urgentes, entre elas a ampliação de convênios para procedimentos de alta e média complexidade e o aumento dos pagamentos da saúde suplementar.

“Não vamos aguentar manter o atendimento nesta situação. A queda de usuários e planos de saúde está muito grande. Os usuários estão saindo do plano de saúde e indo para o SUS. Está aumentando as filas, o nosso atendimento e nós não podemos e não queremos dizer não para quem chega precisando de atendimento. Estamos avisando que não há como sustentar essa situação. Precisamos de socorro”, disse Urbano Bahamonde, presidente do Sindicato das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos da Baixada Santista e Litoral Norte e Sul. Ele também é provedor do Hospital Santo Amaro, em Guarujá.

Segundo Bahamonde, os hospitais filantrópicos podem destinar 40% do atendimento para atividade particular. No entanto, com a crise, os planos de saúde estão reduzindo e atrasando os pagamentos.

Também houve queda dos repasses governamentais. “A tabela do SUS pagava mal, mas você tinha uma atividade particular rentável então compensava um pelo outro. Os planos de saúde estão diminuindo dia a dia o valor do pagamento. Em contrapartida, os governos, em todos os níveis, estadual, federal e municipal não estão fazendo absolutamente nada para socorrer as filantrópicas, que são as que atendem pelo SUS. Temos que escolher muitas vezes entre comprar lençol, atender mais duas ou três pessoas ou pagar imposto”, afirmou.

Na Baixada Santista, quatro entidades filantrópicas disponibilizam serviços e leitos para a rede pública de saúde: Santa Casa de Santos, Beneficência Portuguesa, Hospital São José, em São Vicente, e Hospital Santo Amaro, em Guarujá. Além desses equipamentos, os hospitais São Lucas, Infantil Gonzaga e Casa de Saúde, ambos particulares, também fazem parte do grupo que discute melhorias para o setor.

Leitos

A Santa Casa de Santos possui 700 leitos e 60% deles são destinados para o SUS. A Beneficência Portuguesa tem 200 leitos e 105 atendem a rede pública, sendo nove de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O Hospital Santo Amaro tem capacidade de 270 leitos, 200 são para atendimento SUS. Além da internação, as unidades também oferecem outros serviços.

Uma das soluções apontadas pelas entidades filantrópicas para amenizar a crise, está a ampliação dos convênios de média e alta complexidade.

“Nós últimos cinco anos deixamos de atender na região 15.299 vidas na rede. Isso representa 60 milhões anos que deixou de vir para essa região para ser investido em saúde. A alta complexidade remunera melhor. Seria aumentar o convênio em média em alta complexidade, melhorar o SUS para que se possa buscar um equilíbrio”, disse Ademir Pestana, provedor da Beneficência Portuguesa. Atualmente apenas a Santa Casa recebe por essa modalidade.

Particulares

O diretor Administrativo e Financeiro do Hospital São Lucas, Sérgio Paes de Melo, destacou a necessidade de buscar junto aos planos de saúde melhora na remuneração dos serviços prestados.

“Nós estamos preocupados. Precisamos de aumento. Nós vamos tomar essas medidas junto aos planos de saúde para não quebra-los também, pois eles estão com dificuldade. Mas a dificuldade principal é a nossa, dos prestadores de serviços. A gente não quer de nenhuma forma acabar com os planos de saúde, a gente quer sobreviver. Nós não vamos mais ter condições de atendimento”, destacou.

Hospitais contestam valor apresentado pelo Governo do Estado

A Secretaria Estadual da Saúde informou que repassa aos hospitais filantrópicos da Baixada Santista, R$ 93 milhões anualmente. O valor foi contestado. Já o Governo Federal disse que o aumento de repasse está condicionado à apresentação de estudo.

“A Baixada Santista é a região mais mal remunerada do Estado de São Paulo. O valor de R$ 93 milhões é contestável. É preciso ver quais hospitais estão inseridos nesta conta”, afirmou Mario Cardoso, diretor técnico da Beneficência Portuguesa.

O provedor do Santo Amaro, Urbano Bahamonde, também contestou o valor. O hospital recebe um pouco mais de R$ 850 mil mensais do Governo do Estado. “Se somar o que os outros filantrópicos recebem não dá esse valor. Possivelmente erraram a conta”.

SUS

Questionado, o Ministério da Saúde informou que o aumento dos repasses está condicionado a apresentação de projetos, que devem ser submetidos a comissão bipartite formada pelas prefeituras e governos estaduais nos municípios. Estas, que efetuam os pagamentos às entidades prestadoras de serviço, precisam remeter a proposta para órgão federal, que irá analisar a disponibilidade.

Atualmente, a maior parte dos recursos para pagamento dos leitos da rede pública de saúde é feito com verba federal.