Guarda Municipal de Santos segue trabalhando com coletes antibalísticos vencidos

Na última quarta-feira (23), um criminoso portando pistola recebeu a tiros uma Força-Tarefa de contenção de invasões no Morro Santa Maria

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26 SET 2020Por Carlos Ratton07h15
Colete é fundamental para resguardar a vida dos guardas municipaisFoto: Nair Bueno/DL

Uma tragédia anunciada. Na última quarta-feira (23), um criminoso portando pistola recebeu a tiros uma Força-Tarefa de contenção de invasões no Morro Santa Maria, em Santos. Ele acabou morto por policiais militares. A investida contou com o apoio de guardas municipais que, diferente dos militares, participaram da operação com coletes vencidos, correndo riscos desnecessários. "Não dá para colocar a gente em ações de risco com o colete vencido", afirmou um guarda que pediu sigilo da fonte.

A falta de coletes não é novidade. Em 9 de julho último, o Diário publicou reportagem mostrando que pelo menos 100 guardas estavam trabalhando com seus coletes antibalísticos vencidos. O número representa um terço do efetivo da Corporação - 316 guardas. Além dos coletes, outro equipamento de proteção individual (EPI), os tubos de gás de pimenta, talvez por serem usados somente em situação extremas, também estavam vencidos.

Prefeitura

Na ocasião, a Prefeitura havia informado que, em virtude da proximidade do término da validade de equipamentos de proteção individual (EPIs) do efetivo, providenciou no prazo habitual a abertura do processo nº 12535/2020-69 para aquisição de coletes antibalísticos para reposição, que iria ocorrer em 17 de julho passado. "A pandemia do novo coronavírus impactou no prolongamento do trâmite da compra desses equipamentos", explicou a Prefeitura.

Ontem, novamente procurada, revelou que a compra dos novos coletes já foi realizada, aguardando apenas o fornecedor dos produtos fazer a entrega, que está prevista para a segunda quinzena de outubro. A Administração informa, ainda, que a empresa vencedora da licitação já esteve na Guarda Civil Municipal (GCM) para verificar a grade de tamanho dos coletes antibalísticos (masculinos e femininos) e eles estão em fase de confecção.

Vale lembrar que os coletes protegem contra projéteis ou destroços de artefatos militares e normalmente são feitos com uma fibra de aramida, material sintético semelhante ao náilon, leve e flexível, mas cinco vezes mais resistente que o aço, conhecido como Kevlar.

Presidente

O presidente da Associação dos Guardas Civis Municipais da Baixada Santista, Rodrigo Coutinho dos Santos, já havia explicado que "o guarda desenvolve uma atividade de segurança pública. Então, o colete é fundamental para sua proteção em função dos riscos durante o serviço. Além disso, existe a lei federal 13060/14 disciplina o uso dos instrumentos de menor potencial ofensivo, como o spray de pimenta. No artigo terceiro, diz que o curso de formação e capacitação deve incluir a habilitação ao uso dos equipamentos de menor potencial ofensivo", afirma acrescentando que, com coletes vencidos, os guardas perdem o seguro de vida e invalidez.

Ação

Conforme publicado pelo Diário, ação da Força-Tarefa foi realizada em razão de uma denúncia de invasão em área de preservação ambiental, com provável início de obra clandestina em alvenaria, atrás de um terreno utilizado como estacionamento.

O local fica na região da Rua 8, com acesso pela Rua 10. Após o revide e cessados os ataques dos criminosos, os policiais realizaram uma varredura naquela região do morro e encontraram uma pistola Taurus, de calibre 9mm, com três cartuchos deflagrados, pertencente ao criminoso atingido.

Ele não foi achado naquele local, mas pouco depois deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Noroeste, onde faleceu. Policiais para lá se dirigiram e o reconheceram como um dos atiradores. A roupa dele, camiseta branca estampada e shorts, também foi reconhecida. O caso foi registrado no 5° Distrito Policial (Bom Retiro) como morte decorrente de intervenção policial, tentativa de homicídio (contra os policiais) e resistência consumada.