Flávio Dino mira filme de Bolsonaro após suspeita de uso de dinheiro público

Segundo os investigadores, há indícios de que emendas destinadas a entidades culturais tenham sido utilizadas de forma indireta para beneficiar produções audiovisuais de forte viés ideológico

, Flávio Dino, determinou a abertura de uma investigação sigilosa para apurar suspeitas de direcionamento de emendas parlamentares a projetos culturais ligados ao filme Dark Horse

, Flávio Dino, determinou a abertura de uma investigação sigilosa para apurar suspeitas de direcionamento de emendas parlamentares a projetos culturais ligados ao filme Dark Horse

Nesta sexta-feira (15), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou a abertura de uma investigação sigilosa para apurar suspeitas de direcionamento de emendas parlamentares a projetos culturais ligados ao filme Dark Horse, cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A decisão amplia uma apuração que já vinha avançando na Corte após denúncias envolvendo o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e organizações associadas à produtora responsável pelo longa-metragem.

Segundo os investigadores, há indícios de que emendas destinadas a entidades culturais tenham sido utilizadas de forma indireta para beneficiar produções audiovisuais de forte viés ideológico.

Intimações sem resposta no gabinete de Mário Frias

A investigação teve origem pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), que acusa Mário Frias de destinar ao menos R$ 2 milhões em emendas parlamentares para a ONG Academia Nacional de Cultura (ANC).

A entidade é presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama, que também aparece vinculada ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e à própria produtora Go Up Entertainment.

De acordo com os autos da ADPF 854, oficiais de Justiça tentam há mais de um mês intimar Mário Frias para que ele preste esclarecimentos formais ao STF.

A oficial responsável pelo caso esteve no gabinete do parlamentar em Brasília ao menos três vezes entre março e abril de 2026, mas assessores informaram que o deputado cumpria agenda política em São Paulo, demonstrando pouco interesse em detalhar os compromissos do parlamentar ou facilitar a entrega do documento.

Teia de ONGs e a suspeita de um “grupo econômico”

A denúncia ganhou força após uma reportagem do portal The Intercept Brasil revelar que a ANC recebeu cerca de R$ 2,6 milhões em emendas de deputados do PL, partido de Bolsonaro.

Além de Frias, os nomes das deputadas Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS) constam na lista de parlamentares que direcionaram verbas à entidade.

Na ação, Tabata Amaral sustenta que as diferentes empresas e institutos ligados à produtora funcionariam como um “grupo econômico” sob comando único, uma estrutura montada estrategicamente para dificultar a rastreabilidade da verba pública e viabilizar o financiamento indireto de produções cinematográficas com viés ideológico.

Em resposta às determinações de Flávio Dino, os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon entregaram suas justificativas ao STF dentro do prazo estipulado.

Pollon admitiu ter destinado R$ 1 milhão para a Secretaria de Cultura de São Paulo com o objetivo de viabilizar a série documental Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem.

No entanto, o parlamentar afirmou que o projeto não avançou por entraves técnicos e que os recursos foram totalmente redirecionados ao Hospital de Amor, em Barretos (SP).

Já Bia Kicis confirmou o envio de R$ 150 mil para a mesma série documental, mas rechaçou qualquer ligação entre sua emenda e o filme Dark Horse.

A deputada classificou a acusação como “maldosa” e afirmou tratar-se de uma tentativa de criminalizar projetos distintos apenas por possuírem temática conservadora.