Flávio Bolsonaro abre o jogo sobre o dinheiro para o filme do pai e comenta financiamento de Daniel Vorcaro

Após a divulgação dos áudios onde o político pede dinheiro para o bancário para realização do longa, ele se retratou publicamente

A imagem apresenta uma composição de dois retratos distintos colocados lado a lado, criando um contraste visual direto. À esquerda, observa-se uma representação artística e estilizada de um homem com traços que remetem ao ex-presidente Jair Bolsonaro, exibindo uma expressão solene e heróica enquanto olha para o horizonte. Ele veste um traje formal e carrega o que parece ser uma faixa presidencial verde e amarela sobre o ombro, posicionada contra um fundo de nuvens dramáticas e acinzentadas que reforçam o tom cinematográfico da ilustração.

Flávio Bolsonaro disse que não existe irregularidade em torno do recebimento de dinheiro para a produção de 'Dark Horse', filme sobre a história de seu pai (Divulgação/Pedro França/Agencia Senado)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou irregularidades no pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. O político publicou um vídeo nas redes sociais após o vazamento de áudios em que solicita apoio financeiro para a produção.

Conforme aponta o portal The Intercept Brasil, o banqueiro Daniel Vorcaro desembolsou cerca de R$ 61 milhões para custear o longa “Dark Horse”, que traz o astro norte-americano Jim Caviezel no elenco.

Além disso, as investigações revelam que o senador manteve contatos diretos com os envolvidos na produção durante as negociações. Nesse sentido, o volume do aporte financeiro e a proximidade do parlamentar com o projeto centralizam o debate sobre a legalidade da captação.

Flávio confirma o áudio

O senador Flávio Bolsonaro utilizou as redes sociais para confirmar a veracidade dos áudios, embora negue qualquer envolvimento com propinas ou benefícios ilegais na produção do filme.

Nesse sentido, o parlamentar afirmou que não teme investigações e defende, inclusive, a abertura de uma CPI para apurar as atividades do Banco Master. Dessa forma, o político tenta neutralizar as acusações ao demonstrar disposição para o escrutínio público.

Na sequência, sua equipe de comunicação emitiu um comunicado formal sobre o fato:

Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro.

O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca, Não promovi encontros privados fora da agenda, Não intermediei negócios com o governo, Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ.

Veja o vídeo com a declaração de Flávio:

O conteúdo dos áudios

Nas conversas divulgadas, Flávio afirma que atravessa um dos piores momentos de sua vida, comparando sua situação à de Vorcaro, que enfrentava polêmicas envolvendo o Banco Master na época. O senador menciona que a produção de “Dark Horse” passava por um estágio crucial, entretanto, sofria com graves problemas financeiros.

“Imagina a gente dar um calote em um Jim Caviezel, em um Cyrus [diretor], os caras são renomadíssimos lá no cinema americano mundial. Ia ser algo muito ruim”, afirmou Flávio em áudio enviado em setembro de 2025. Dessa forma, o parlamentar justificou a urgência do aporte financeiro para concluir o projeto. Ouça o aúdio abaixo:

Segundo o jornal O Globo, o publicitário Thiago Miranda, sócio do Portal LeoDias, serviu como ponte entre o senador e o banqueiro. O próprio Miranda confirmou a informação à reportagem.

Reação em Brasília

Horas antes da divulgação, um jornalista do The Intercept questionou Flávio Bolsonaro, em Brasília, sobre o financiamento do banco à produção. O senador rebateu a pergunta imediatamente: “Mentira, de onde você tirou isso?”.

Na sequência, Flávio interrompeu o profissional e abandonou o atendimento à imprensa em tom de deboche. “Jornalistas obrigado, militante não dá”, declarou o senador antes de se retirar do local. Veja o momento abaixo:

Sobre o filme

O enredo será focado no episódio da facada em Bolsonaro, em Juiz de Fora (MG), quando ele sofreu o ataque de Adélio Bispo, que é citado aqui como Aurélio Barba. Ao mesmo tempo, o roteiro apresentará o protagonista sob uma perspectiva heroica durante sua trajetória no Exército e na política.

Flashbacks vão mostrá-lo na juventude, durante sua carreira militar, em operações contra o tráfico de drogas nos anos 1980. No arco, veremos Bolsonaro sendo capturado e combatendo um suposto traficante influente e uma conspiração envolvendo integrantes da esquerda e grupos do crime organizado na Amazônia.

Veja mais curiosidades do filme na galeria abaixo:

Um suposto teaser trailer vazou na internet e mostrou algumas cenas do longa e de seus bastidores. Confira abaixo:

Quem está envolvido?

Com roteiro assinado pelo ex-ministro da Cultura de Bolsonaro e atual deputado estadual Mário Frias, o elenco é composto por nomes como Camille Guaty (Michelle Bolsonaro), Lynn Collins (Lara Clarke), Esai Morales (Paulo Pontes), Felipe Folgosi (Tenente Ramos), Charles Paraventi (Carvalho) e Tank Jones (Hugo Betão). Os filhos de Bolsonaro serão vividos por Sérgio Barrato (Carlos Bolsonaro), Eddie Finlay (Eduardo Bolsonaro) e Marcus Ornellas (Flávio Bolsonaro).

Curiosamente, Collins e Morales já participaram de grandes produções do cinema, como “X-Men Origens: Wolverine” e “Missão: Impossível – O Acerto Final“.

Eleições

Curiosamente, o longa chegará três semanas antes das eleições presidenciais brasileiras, previstas para 4 de outubro. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) segue como pré-candidato ao principal cargo do Governo Federal e competirá pelo cargo diretamente com o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).